Fotografia de arquivo do jornal "Notícias de Guimarães"
Conselho de Administração da Fundação Cidade de Guimarães,
Afinal, eles (ainda) comem tudo!
"De mais" e "inaceitável", foram as expressões utilizadas pela Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, para se referir à folha salarial dos administradores da Fundação Cidade de Guimarães (FCG) que, por ano, custam à entidade cerca de 600 mil euros.
"Acho que é de mais. Não é de facto aceitável no contexto que atravessamos, como não seria em qualquer contexto tanta discrepância de vencimentos", afirmou a Ministra da Cultura. O seu Ministério apenas tem voz na FCG através do lugar que a Delegada de Cultura do Norte ocupa no Conselho Geral, órgão consultivo composto por 15 membros.
Os números que chocaram a ministra retratam um salário mensal de 14.300 euros para Cristina Azevedo, presidente do Conselho de Administração, que contempla ainda carro e telemóvel. Os dois administradores executivos, Carla Morais e João Serra, auferem 12.500 euros mensais. Além disso, todos os 15 componentes do Conselho Geral, presidido pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio recebem 300 euros por reunião, à excepção do próprio presidente que ganha 500.
"A própria FCG será a primeira a repensar a situação. Entre as várias adaptações que terá de fazer essa será uma das primeiras", afirmou Gabriela Canavilhas.
Estes vencimentos foram estipulados pela Câmara Municipal de Guimarães que preside à Comissão de Vencimentos da Fundação. António Magalhães, presidente da Câmara, admitiu, em comunicado, "ponderar a conjuntura nacional e as decisões tomadas para contenção do défice, repercutindo-a na grelha de vencimentos". O autarca alega que estes vencimentos foram estipulados pela importância do projecto que é "um desígnio nacional e de grande relevância para a afirmação e desenvolvimento da cidade e da região à escala europeia", e baseando-se numa "aturada pesquisa e confrontação com valores estabelecidos em projectos semelhantes".
Agostinho Lopes, deputado do Partido Comunista eleito pelo círculo de Braga já enviou um pedido de explicações para os ministérios das Finanças e da Cultura. O deputado comunista considera estes números um "atentado" numa região como a do Vale do Ave que apresenta uma taxa de desemprego a roçar os 15%. Agostinho Lopes não percebe como é que nestas funções se ganha mais que o Presidente da República e do que o Primeiro-Ministro.