domingo, junho 07, 2009

Europeias: PSD ganha em Felgueiras

Resultados no concelho de Felgueiras das eleições para o Parlamento Europeu.
Colocamos por ordem das forças políticas mais votadas.

INSCRITOS - 50.593
VOTANTES - 17.232 (34,06%)
BRANCOS – 519 (3,01%)
NULOS - 265 (1,54%)


1.º Partido Social Democrata (PPD/PSD) - 6.270 (36,39%)
2.º Partido Socialista (PS) – 5528 (32,08%)
3.º Bloco de Esquerda (BE) - 1.353 (7,85%)
4.º Partido Popular (CDS-PP) - 1.351 (7,84%)
5.º CDU - Coligação Democrática Unitária - 1.109 (6,44%)
6.º PCTP/MRPP – 263 (1,53%)
7.º Movimento Esperança Portugal (MEP) - 161 (0,93%)
8.º Partido da Terra (MPT) – 98 (0,57%)
9.º Partido Humanista (PH) – 77 (0,45%)
10.º Movimento Mérito e Sociedade (MMS) – 74 (0,43%)
11.º Partido Popular Monárquico (PPM) – 73 (0,42%)
12.º Partido Nacional Renovador (PNR) - 53 (0,31%)
13.º Partido Operário de Unidade Socialista (POUS) – 38 (0,22%)

Dados para comparação:

Resultados de 2005 em Felgueiras (principais forças políticas)

INSCRITOS - 44514

VOTANTES - 15734 (35,34%)

BRANCOS - 210 (1,33%)

NULOS - 178 (1,13%)

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1.º PS - 8.289 (52,3%)

2.º Coligação PSD-CDS/PP - 5.479 (34,82%)

3.º CDU - 561 (3,56%)

4.º BE - 342 (2,17%)

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Resultados em 2009 em Lousada (principais forças políticas)

Empate técnico: o PS venceu com menos de um ponto de diferença em relação ao PSD. 18 votos de diferença.


PS - 4715 (35,69%)

PSD - 4697 (35,56%)

CDS/PP - 921 (6,97%)

BE - 910 (6,89%)

CDU - 847 (6,41%)

INSCRITOS - 37729

VOTANTES - 13208 (35,01%)

BRANCOS – 387 (2,93%)

NULOS - 215 (1,63%)

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Resultados em 2009 em Amarante (principais forças políticas)
Fulgurante vitória do PSD

PSD - 7012 (39,43%)
PS - 6172 (34,71%)
BE - 1358 (7,64%)

CDS - 1056 (5,94%)
CDU - 804 (4,52%%)
INSCRITOS - 55689
VOTANTES - 17782 (31,93%)
BRANCOS – 568 (3,19%)
NULOS - 247 (1,39%)

PS desVitalizado


Nara Leão faleceu há 20 anos

Completam-se, hoje - dia 7 de Junho -, 20 anos após a morte de Nara Leão, cantora da Bossa Nova.
Eis poema escrito no dia da sua morte.

NA MORTE DE NARA LEÃO
- A Musa da Bossa Nova


“Finda a tempestade,
O Sol nascerá”
Nara Leão - interpretando "O Sol nascerá"

Abram todas as celas!
Libertem as entranhas
da maior ambição:
Apaguem as estrelas
do eterno pensamento;
Desabem as montanhas
da amarga escuridão;
Evaporem os rios
aos céus do sofrimento;
Afundem os navios
da nossa imensidão;
Já não façam acenos
ao deus do coração;
Não lavrem os terrenos
rurais duma Canção
com os dedos da terra
em punhados de pão,
que a Musa já enterra
a lei dos coronéis
com o seu violão
na lenda dos vergeis,
para a qual não há guerra,
para a qual não há leis...
contra Nara Leão!

Acenderam-se as luzes
na Cidade de Nara:
Cantaram rosas e urzes
num jardim que renova
a morte necessária!

- Não choremos, cantora,
Musa da Bossa Nova:
Aos olhos dos chacais,
no altar dos tribunais,
a morte é para todos...
Com ela, somos todos...
sempre todos iguais!

07 de Junho de 1989
In “VERTENTES DA MESMA LUZ” (1992)

José Carlos Pereira


Link relacionado:
"Para Nara Leão" (blogue da Associação José Afonso)



Tema do disco "Show Opinião" de 1965, resultante do espetáculo "Opinião", um dos mais importantes do período e um dos primeiros a contestar o regime militar, onde Nara canta ao lado de Zé Kéti e João do Vale. No ano seguinte chamou a estreante Maria Bethânia, da Baía, para substituí-la no espetáculo. Assim, Nara Leão foi directamente responsável pelo surgimento da estrela Bethânia e pelo resgate de autores como João do Vale e Zé Kéti. (blogue AJA)


As duas versões de Zeca Afonso por Nara Leão: "Grândola, Vila Morena" e "Maio, Maduro Maio"

Nara Leão - O Canto da Resistência

Eternamente musa
Há 20 anos, silenciava-se a voz doce
da cantora e jornalista Nara Leão.


A morte prematura de Nara Leão aos 47 anos, em 1989, a 7 de junho, impõe um balanço da importância artística e política de uma intérprete popular. Considerada a "Musa da Bossa Nova", o nome de Nara não aparece publicamente aos começos do movimento quando não era profissional e, sim, diletante. Participou do nascimento do movimento na condição de amadora, dada a amizade com Roberto Menescal, Edu Lobo, Wanda Sá e Ronaldo Boscoli. Era uma jovem de Copacabana, graciosa, que percebia o novo e cantava entre amigos.
Nara Leão estreia-se profissionalmente em 1963, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica, ano em que a bossa nova já ultrapassara a sua primeira fase e vivia a segunda, em plenitude. O sucesso dá-se, de modo efectivo, após o movimento militar de 1964, através do show Opinião e do disco Opinião de Nara, do mesmo ano.
Nasceu em Vitória, capital do Espírito Santo, a 19 de Janeiro de 1942. Veio para o Rio de Janeiro com um ano. Sua formação é, pois, toda carioca, zona sul, Copacabana no auge, anos 50 (ao raiar a década de cinqüenta estava com oito anos). Viveu, portanto, dos oito aos dezoito anos, a expansão de Copacabana como bairro de classe de média a alta, pontal de um modo de vida diferente e peculiar.
Foi na praia de Copacabana, quando tinha apenas 11 anos, que conheceu Roberto Menescal, amizade da vida inteira. E foi no apartamento dela, mocinha, na Avenida Atlântica, onde praticamente nasceu e cresceu a bossa nova em reuniões das quais participavam, entre outros, João Gilberto, Menescal, Vinícius de Moraes, Carlos Lyra e às vezes Tom Jobim. Os pais iam dormir e a rapaziada ficava na música até alta madrugada. Certa vez até um piano de origem desconhecida apareceu por lá e amanheceu na sala, para surpresa de sua mãe ao acordar...
Eram os começos da modernização da cidade e do comportamento. Sadia ânsia de novidade e de incorporação de valores próprios ao modo de vida e as ilusões da pequena burguesia urbana carioca. Igualmente sua irmã, Danusa Leão, viveu à frente de seu tempo, desde muito moça manequim famosa e figura internacional a partir de seu casamento com o jornalista Samuel Wainer. Estimada e querida pelo charme oriundo de uma timidez que lhe não impedia de ser franca, Nara polarizou como figura feminina simbólica, a natureza íntima do movimento. Daí haver sido sempre alcunhada de "musa" – mesmo na condição de diletante do mesmo.
A partir do show Opinião, Nara fez-se famosa e estimada pois foi, talvez, a primeira cantora a incorporar ao seu canto, um repertório de convocação política à resistência democrática recém-iniciada no País, alguns meses depois do golpe.
Nara chegou a dizer em entrevista que:
"...os militares podem entender de canhão e metralhadora, mas não pescam nada de política.".
Poucos anos depois, conseguiria uma posição em relação à qual sempre se dividiu: a popularidade. Se a desejava como artista detestava-a como pessoa. A timidez conflitiva e o recato natural não estavam aptos a aceitar a notoriedade. Esta veio através da interpretação de A Banda de Chico Buarque de Holanda, 1966, no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.
A era dos festivais, que de certa forma viria a operar transformações na bossa nova, divulga Nara Leão em termos nacionais. A partir do sucesso de A Banda, inicia-se um processo de aperfeiçoamento de seu canto, até então ingênuo e musicalmente descuidado de seu repertório. Gravando pouco, sem cortejar o sucesso imediato, construiu sua obra de modo paulatino, lúcido e perseverante, como cabe (segundo os entendidos em astrologia) aos capricornianos. Tímida, suave, Nara gostava de shows simples, quase recitais. E explicava:
"Não me sinto mal cantando e tocando violão sentada em um banquinho. Atualmente os artistas têm criado mise-en-scêne especiais para suas apresentações mas, realmente, não tenho motivação para esse tipo de coisa. Não sei gritar shazan e me transformar."
Cantou vários gêneros de música popular brasileira e jamais selecionou seu repertório segundo vogas e modas.
"O facto de apoiar todos os movimentos, desde que fossem bons, fez com que eu reunisse o maior repertório do Brasil. As pessoas podem ter discutido se eu canto ou não canto, se gostam ou não gostam, mas têm que admitir que a minha falta de preconceito em relação aos movimentos fez com que eu gravasse coisas antigas, novas e de vanguarda." (Nara Leão)
Lentamente aperfeiçoou o seu canto com aulas e estudo de técnica, e ao amadurecimento pessoal e psicológico correspondeu o impecável cuidado com o repertório e com o que lhe era inconfundível: o estilo. Nara é inconfundível. Às primeiras emissões do seu canto definem quem é, e seu clima sensível, feito de sutileza, delicadeza, charme e algum mistério. As limitações de estreiteza, colocação e afinação lhe não impediam o contacto de afeto introvertido e mágico com o público e foram gradativamente corrigidos com estudo de canto e amadurecimento expressivo.
O final dos anos sessenta, com os festivais e a eclosão da Tropicália, e logo depois, o Ato Institucional n° 5, operaram profundas transformações na cantora, às quais devem se somar dois fatos: o seu casamento com o cineasta Carlos Diegues e o nascimento de seus filhos Isabel e Francisco, factos estes causadores do andamento pausado e desambicioso de sua carreira, qualificada bem mais pela escolha do repertório que da busca de sucesso. A eles, deve haver-se somado o exercício constante de atividade psicoanalítica. Os conflitos com a notoriedade, a perseguição política, ameaças, a saída do Brasil para um período em França, a volta em princípios da década de setenta, os sustos e desencantos de sua geração, a contestação ao regime, a censura e o amadurecimento, levaram-na a um hábito de equilíbrio, nada obstante tenso, entre carreira e vida pessoal. Abandonou o esquema de shows e excessivas aparições em televisão, depurou a sua arte, afiou o repertório e dividiu-se entre cantar, ser mãe e, alguns anos depois, estudar psicologia com afinco, disposta a abandonar a carreira, projeto jamais realizado. Conhecedora das características intimistas de sua voz e avessa a extroversões retumbantes nos palcos, sentia-se mal quando o sistema mercadológico dela exigia tais demonstrações. Preferia o que posso chamar de "shows de câmara".
Nara vivia intensamente alternativas díspares. Não apreciava as tensões das estreias e a intimidade invadida. Por outro lado, amava cantar e sabia representar um tipo de canto no qual era única.
"A música para mim tinha vários significados: comunicar, ganhar dinheiro, ficar independente. Tudo isso ao mesmo tempo. Só mesmo depois que parei, passei dois anos em Paris, tive meus filhos e não tendo nenhum desses apelos à minha volta, é que me sinto com disposição e vontade de cantar". (Nara Leão)
Mesmo afastada por longos períodos dos shows e gravadoras, jamais deixou de ser uma artista com público talvez não muito exaltado, mas cativo. Nos 25 anos de carreira, esteve sempre disposta a mudanças e variações, passando por diversos gêneros. Em 1978 preferiu Roberto Carlos com "Em Que Tudo Mais Vá Pro Inferno". Em 1980, fez uma homenagem para Chico em "Com Açúcar, Com Afecto" e, um ano depois foi a vez de "Romance Popular" ao lado de Fagner, Robertinho do Recife, Geraldo Azevedo e outros nordestinos. Com "Meu Samba Encabulado", o 200° de sua carreira, recebeu elogios unânimes da crítica. Em 1987, no disco "Os Meus Anos Dourados", fez versões dos clássicos de filmes americanos das décadas de 40 e 50 e cantou ao lado do grande amigo Roberto Menescal. Para os que criticaram a "musa protesto" por cantar músicas americanas, ela respondia:
"Acho uma pena que algumas pessoas ainda pensem de forma preconceituosa em relação à música internacional. Eu prefiro seguir o critério qualitativo. Para ouvir a pior imitação da música estrangeira, prefiro ouvir jazz e Sarah Vaughan."
Participou de movimentos musicais variegados, havendo lançado compositores novos e regravado outros tantos antigos, numa sempre louvada capacidade de escolha de seu repertório. Nara sempre andou por uma contramão antecipatória de tendências futuras.
Ao morrer jovem, aos 47 anos, não nos infligiu apenas a perda de uma artista de qualidade, mas poderosa figura pública e política. Talvez tenha sido Nara, dentre as cantoras brasileiras, a primeira artista, após o movimento militar de 1964, a alçar o canto na direção da liberdade. Ao participar dos "shows Opinião" e, em seguida, "Liberdade, Liberdade", a tímida Nara deu o primeiro "grito", repetido pela classe artística, alguns intelectuais, exilados e jornalistas, proclamando a necessidade do retorno do País à sua ordem democrática e Constitucional. Não parou aí. Ao longo dos anos de autoritarismo, tornou-se o símbolo da resistência no seio do movimento artístico. Instigante este traço de Nara Leão: tímida, recatada, recolhida em seu modo de cantar, de ser e de se expor; a partir da aparente fragilidade de seu ser, tomava decisões e posições com a firmeza necessária para transformar-se em liderança de natureza pública por meio da cultura. Possuía a decisão secreta e inabalável dos suaves. Havia, também, a consciência política e pública que a impelia para um engajamento e participação nas idéias e lutas de seu tempo. Alternar estados de espírito entre todas essas instâncias, às quais se entregava com sinceridade, dedicação, alto senso profissional e humano de inserção, foi a característica do conflito eternamente vivido por Nara Leão e resolvido sempre de maneira criativa e útil, pois conseguiu ser artista fiel e séria, mãe dedicada, cidadã participante e amiga certa. (...)
Fonte Carlos Diegues em O Globo de 10.04.1999

quinta-feira, junho 04, 2009

Massacre de Tiananmen foi há 20 anos

O Ocidente só se preocupa com os direitos humanos e com as causas democráticas quando não retira qualquer compensação dos factos em questão e/ou dos Estados envolvidos. Da velha China maoísta, o Ocidente cala-se, num tom cínico de cumplicidade, à violação permanente dos direitos humanos e dos princípios de Liberdade e de Democracia, já que os governos de Pequim das últimas décadas procederam à transformação da economia socialista num estado avançado do capitalismo mais selvagem e feroz, sem direitos nem garantias para os cidadãos.
Completam-se hoje 20 anos após o massacre de centenas, se não mesmo milhares, de manifestantes chineses - estudantes e cidadãos que queriam proceder a mudanças políticas no seu país. O facto, ocorrido na Praça Tiananmen, em Pequim, ficou para a história como uma das páginas negras de um regime incivilizado, fortemente controlado pelas autoridades.
O massacre deu-se na noite de 3 para 4 de Junho de 1989, depois de os carros blindados terem invadido as ruas de Pequim com o propósito de pôr termo a uma vaga de manifestações pacíficas na capital – que se arrastavam há sete semanas – e que as autoridades chinesas qualificaram como uma “rebelião contra-revolucionária”.

14 de Junho (domingo) - Feira Popular e Tradicional da Vila da Longra

clique na imagem para ver melhor

quarta-feira, junho 03, 2009

Petição Online. Desigualdades do Tratado de Bolonha

Para remediar uma injustiça que nunca devia ter existido...
As antigas licenciaturas de cinco anos ou bacharelatos, de três, estão, legal e actualmente, integradas num patamar inferior relativamente aos actuais mestrados integrados, pós-Bolonha, de cinco anos, e às licenciaturas pós-Bolonha, de três. Por exemplo, é o caso quando os detentores desses cursos se candidatam a trabalhos, a bolsas de investigação ou a concursos na Função Pública...
Não tem lógica nenhuma e é uma injustiça total!
Quem se sacrificou cinco anos para tirar um curso tem ainda de realizar mais um mestrado de dois - sete anos, no total -, para chegar ao patamar dos pós-Bolonha!
Haja paciência ou justiça!
Por isso, se não concorda e está solidário com os contemplados pela infeliz medida, assine a Petição Online, em anexo. Demora apenas dois minutos....
Enviado por Maria

terça-feira, junho 02, 2009

Festivais Gil Vicente - Guimarães


Entre 04 e 13 de Junho, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, volta a ser palco de mais uma edição dos Festivais Gil Vicente. A contemporaneidade das propostas volta a marcar a programação delineada para 2009.
Os espectáculos dividem-se em duas semanas. De 04 a 06 de Junho sobem ao palco as peças: “Mona Lisa Show”, de Pedro Gil, “Jerusalém”, do Teatro O Bando, e “Delimvois”, a mais recente produção do Teatro Oficina. Na segunda semana, os Festivais Gil Vicente prosseguem com “A Resistível Ascensão de Arturo Ui”, da Truta Associação Cultural, o Teatro Meridional apresenta em ante-estreia nacional a sua mais recente produção “Acaravana”, e Beatriz Batarda encerra os Festivais com o intenso monólogo “De Homem para Homem”. Todos os espectáculos têm início às 22h00.
“Mona Lisa Show” (na foto) marca o início dos Festivais Gil Vicente esta quinta-feira, dia 04 de Junho. Neste espectáculo, Pedro Gil constrói uma montra humana onde o presente contém o passado e o futuro, a memória e o desejo. “Mona Lisa Show” é um espelho, uma janela para o desconhecido; um laboratório de personagens que se cruzam numa passerelle vermelha entre a vida que têm e as vidas que não têm.
Na sexta-feira, dia 05, o Teatro O Bando traz até Guimarães a adaptação de um dos mais consagrados romances de Gonçalo M. Tavares. “Jerusalém” narra uma história sobre os limites da loucura e da razão, sobre a dor e o mal. Várias personagens cruzam-se numa noite em que tudo começa e tudo acaba. Terceiro da série intitulada “O Reino” (ou “Livros Pretos”), este romance está traduzido em várias línguas e recebeu, entre outros, um dos mais importantes prémios literários do Brasil, o Portugal Telecom de Literatura 2007.
No sábado, dia 06, a primeira semana de espectáculos termina com “Delimvois”, a mais recente produção do Teatro Oficina que teve estreia absoluta no Salón Teatro, em Santiago de Compostela, e que agora tem estreia nacional no âmbito dos Festivais Gil Vicente. “Delimvois” explora os caminhos, os limites, as terras de ninguém, os marcos ideológicos, as fronteiras de palavras onde dois homens e uma mulher de diferentes nacionalidades procuram a carne, a alegria, a verdade, a sua identidade ou até o seu sustento diário ou alívio sexual.
A par dos espectáculos que acontecem nos Auditórios do Centro Cultural Vila Flor, no Café Concerto, a partir das 23h30, as propostas teatrais prolongam-se com “Rádio Pirata” (esta sexta-feira, dia 05) e “Glasgow 4, O nome de todas as ruas” (este sábado, dia 06), projectos da autoria de Maria Gil. Na próxima semana, será a vez de assistirmos à “Conferência de um Macaco” (dia 12), da Causa Associação Cultural, e a “Retalhos em Viagem” (dia 13), do Teatro do Frio.
E porque o Teatro é repleto de momentos dignos de serem registados, durante todo o mês de Junho será ainda possível visitar uma exposição de fotografia de João Tuna. Incidindo sobre espectáculos apresentados pelo TNSJ entre 2006 e 2008, esta exposição devolve-nos instantes, gestos e sinais silenciosamente roubados à efemeridade de que é feito o acontecimento teatral.

ESPECTÁCULOS


QUI 04 22H00
MONA LISA SHOW
DE PEDRO GIL
GRANDE AUDITÓRIO
PREÇO 7,50€ /5,00€ C/D

SEX 05 22H00
JERUSALÉM
TEATRO O BANDO
PEQUENO AUDITÓRIO
PREÇO 7,50€ /5,00€ C/D

SÁB 06 22H00
DELIMVOIS
TEATRO OFICINA
GRANDE AUDITÓRIO
PREÇO 7,50€ /5,00€ C/D

QUI 11 22H00
A RESISTÍVEL ASCENSÃO DE ARTURO UI

TRUTA ASSOCIAÇÃO CULTURAL
GRANDE AUDITÓRIO
PREÇO 7,50€ /5,00€ C/D

SEX 12 22H00
A CARAVANA
TEATRO MERIDIONAL
ANTE-ESTREIA NACIONAL
PEQUENO AUDITÓRIO
PREÇO 7,50€ /5,00€ C/D

SÁB 13 22H00
DE HOMEM PARA HOMEM
BEATRIZ BATARDA
GRANDE AUDITÓRIO
PREÇO 7,50€ /5,00€ C/D


CAFÉ-TEATRO


SEX 05 23H30
CAFÉ-TEATRO
RÁDIO PIRATA
DE MARIA GIL
TEATRO DO SILÊNCIO
CAFÉ CONCERTO
ENTRADA LIVRE


SÁB 06 23H30
CAFÉ-TEATRO
GLASGOW 4, O NOME DE TODAS AS RUAS
DE MARIA GIL
TEATRO DO SILÊNCIO
CAFÉ CONCERTO
ENTRADA LIVRE

SEX 12 23H30
CAFÉ-TEATRO
CONFERÊNCIA DE UM MACACO
CAUSA ASSOCIAÇÃO CULTURAL
CAFÉ CONCERTO
ENTRADA LIVRE

SÁB 13 23H30
CAFÉ-TEATRO
RETALHOS EM VIAGEM
TEATRO DO FRIO
CAFÉ CONCERTO
ENTRADA LIVRE


FORMAÇÃO


SEG 01 A QUA 10 JUN DAS 11H00 ÀS 19H00
OFICINA DE DRAMATURGIA
LARK FOUNDATION
COM ANDREA THOME E MICHAEL BRADFORD
ESPAÇO OFICINA
PREÇO 150,00€


EXPOSIÇÃO


30 MAI A 28 JUN
EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
TUNA NACIONAL SÃO JOÃO
PALÁCIO VILA FLOR
ENTRADA LIVRE


FESTIVAIS GIL VICENTE
04 A 13 JUNHO ‘09


Numa temporada fértil de produção teatral Brechtiana, que se repercutiu na programação teatral do Centro Cultural Vila Flor através da apresentação de “A Mãe”; da apresentação de “Tambores na Noite” e que se vai repercutir na apresentação de “A Resistível Ascensão de Arturo Ui” no âmbito dos Festivais Gil Vicente, a estética de Brecht surge como mote para uma reflexão que a programação dos Festivais Gil Vicente procurará suscitar junto dos espectadores.
A teorização estético-teatral de Brecht obriga a uma reflexão sobre a sua eventual actualidade, sobre a sua aplicabilidade nos tempos modernos e sobre a sua adequação, tendo em vista as alterações na percepção e na sensibilidade do indivíduo contemporâneo, fruto das modificações no âmbito do horizonte de expectativas dos espectadores e na sua relação com a espectacularidade.
Hoje, o contexto histórico-social, histórico-político e mesmo histórico-económico apresenta divergências marcantes em relação ao período Brechtiano.
No entanto, a teoria deste encenador alemão é incontornável, salvaguardando as diferenças resultantes das novas realidades sectoriais e resultantes da evolução da estética teatral.
Torna-se difícil pensar num teatro contemporâneo sem pensar na inquietude que o mesmo deve provocar, sem pensar no teatro como forma e como espaço de reflexão sobre as questões mais diversas. Hoje não se falará de teatro sem que nesse teatro o espectador tenha um papel preponderante de relacionamento com a cena teatral.
Neste teatro, não há uma preponderância do espectador ou da cena teatral, estes completam-se, confrontam-se, dialogam e unificam-se. Cada um dá aquilo que possui, disponibiliza as suas características intrínsecas, expõe-se à vivência e entrega-se à percepção ou permite-se ser percepcionado.
Em Brecht, como hoje, a arte teatral não é compreendida apenas como a diversidade dos princípios e técnicas característicos de uma arte, mas tem responsabilidades pedagógicas, tem responsabilidades que ultrapassam o entretenimento, abrindo o espectador para a reflexão sobre o mundo em que vive e, consequentemente, para o seu desenvolvimento enquanto elemento participante na cidadania. Por outro lado o espectador tem, também, responsabilidades, tem responsabilidades na descodificação da mensagem imanente da obra, tem responsabilidades de permissão para que a obra se manifeste, ganhando uma dimensão que por si só não possui, precisando do espectador para ser, para se transformar, para se revelar, para se dar em plenitude.
À semelhança da máxima de Brecht - “Estranhar o que é comum, e achar normal o que é estranho” - a obra cénica a ser encenada e o segmento social a ser escolhido, actuando sobre a contemporaneidade, devem considerar a sociedade e a sua crescente mediatização; devem considerar a cada vez maior perda de padrões educativos e éticos que são, cada vez mais, substituídos por padrões de entretenimento e de estimulação sensorial pura. A cultura de massas, o consumo global, a Internet e a multiplicidade de redes sociais e de sociabilização são factores que devem ser considerados na abordagem estética teatral, de forma a despertar consciências e de forma a contrariar a massificação do gosto acrítico e superficial daquilo que é dado de forma imediatista aos sentidos, sem que o processo de experiência estética aconteça; sem que o espectador o seja de facto; sem que a cena teatral não ultrapasse essa singela qualidade.
O Teatro deve comprometer e comprometer-se.
Mikel Dufrenne dizia: “O objecto estético só me pertence verdadeiramente se eu lhe pertencer”.
José Bastos

QUI 04 22H00
MONA LISA SHOW

DE PEDRO GIL

OS FESTIVAIS GIL VICENTE ABREM COM A MAIS RECENTE CRIAÇÃO DE PEDRO GIL, “MONA LISA SHOW”, UM ESPECTÁCULO PROVOCADOR E ANESTESIANTE.
Mona Lisa Show” é um concerto dramático. Não poderia ser noutra altura nem noutro lugar. É hoje, em Lisboa. Sete personagens num momento das suas vidas. Uma montra humana onde o presente contém o passado e o futuro, a memória e o desejo. O que dizem estas personagens? O que não dizem e o que gostariam de dizer? E se dissessem o que pensam? “Mona Lisa Show” é um espelho, uma janela para o desconhecido; um laboratório de personagens que se cruzam numa passerelle vermelha entre a vida que têm e as vidas que não têm. Quais são as nossas histórias, os nossos dramas? Onde estão os nossos heróis? Estas pessoas não existem. São ficção.
O que procuro é, parece-me a mim, tirar um retrato personalizado da nossa sociedade. Interessa-me o aqui e o agora. Não se trata tanto de procurar “novas” formas, mas sim as “minhas” formas (consoante o meio pelo qual estou a comunicar). Tudo isto, com a certeza de que a tarefa não é finita e tão pouco concretizável.
Estou consciente de que aquilo que faço hoje, amanhã o faria de uma outra forma e que só isso já é razão que baste para o fazer. A arte é aqui expressão do eu, uma necessidade do ego, por isso, procuro criar um objecto que me realize mais e mais ainda, algo que seja mais “eu” do que outra coisa qualquer. É paradoxalmente aqui, ou não, que o trabalho co-criativo com os restantes artistas é fundamental, precisamente para me ajudar a chegar a esse “eu” que procuro.
Pretendo retratar a classe média, debruçar-me sobre a vida daqueles que têm tudo para ser felizes – ou não? – e que não o conseguem – ou sim ?-, daqueles que o conseguem às vezes, daqueles que nunca o conseguem, bem como, daqueles que dizem consegui-lo sempre.
O retrato ou mostrará a vida como ela é (realidade), ou a vida como ela poderia/deveria/gostaria que fosse (ficção). Poder-se-á misturar as duas, fundindo ficção e realidade. Qual imita qual?
O retrato pretende sempre provocar o espectador confrontando-o ou com a realidade que ele vive ou que gostaria de viver.
Pedro Gil, Setembro de 2008
“Pedro Gil concebeu um espectáculo de invulgar inteligência, competência e sensibilidade.” João Carneiro, in Expresso:
“Trata-se de um espectáculo que transcende a mera experiência teatral: arrebata, transforma, emociona e enriquece. Numa passadeira vermelha, diante de um biombo composto por vários quadrados transparentes e projectores direccionados para os olhos do público, sete actores e actrizes contam, ao microfone, histórias pessoais.” Rui Pina Coelho, in Público
Criação e direcção artística Pedro Gil
Direcção de Produção Ana Pereira
Criativo Diogo Mesquita
Interpretação Ainhoa Vidal, António Fonseca, Tónan Quito, Mónica Garnel, Raquel Castro, Ricardo Gajeiro, Romeu Costa
Música original Sérgio Delgado
Espaço cénico Pedro Silva
Desenho de luz José Manuel Rodrigues
Assistência de direcção Manuel Henriques
Montagem Luís Duarte
Montagem e operação de luz Pedro Godinho
Operação de som Gonçalo Brou
Co-produção CCB, O Espaço do Tempo, CAPA
Apoios Allianz/Falcão Marques, Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Inatel – Teatro da Trindade, Miguel Garcia Cabeleireiro, Olá, Sonae Sierra, Teatro Nacional D. Maria II e Teatro Meridional
Agradecimentos Álvaro Pinto, Beatriz Vidal, Giacomo Scalisi, Marisa Lourenço, Sérgio Marques e Teatro O Bando
Projecto Financiado pela DGArtes (Direcção Geral das Artes) / MC (Ministério da Cultura)
Duração 1h45min.
Maiores de 16

SEX 05 22H00
JERUSALÉM
TEATRO O BANDO

“JERUSALÉM” É UMA ADAPTAÇÃO AOS PALCOS DE UM DOS MAIS CONSAGRADOS ROMANCES DE GONÇALO M. TAVARES.
Terceiro da série intitulada “O Reino” (ou “Livros Pretos”), este romance está traduzido em várias línguas e recebeu, entre outros, um dos mais importantes prémios literários do Brasil, o Portugal Telecom de Literatura 2007. “Jerusalém” narra uma história sobre os limites da loucura e da razão, sobre a dor e o mal. Mylia é uma mulher forte, mas doente. Em tempos esteve internada num hospício onde conheceu Ernst. Theodor Busbeck, ex-marido de Mylia, é médico e desenvolve um estudo sobre o mal e o horror ao longo da História. Estas e outras personagens vão cruzar-se na noite em que tudo começa e tudo acaba.
No início o verbo era o do Gonçalo M. Tavares. Um verbo áspero, rude e arrítmico: um verbo que diz literatura. E nesta constatação está desde logo a maior injustiça que podemos fazer a um autor como M. Tavares: entendê-lo como um escritor de literatura, fazer dele um escritor para escritores. Embora o possamos incluir na exclusiva lista de autores que dialogam com as obras-primas da literatura universal (e que seguramente é um dos autores que mais vibrantemente representam as modernas letras portuguesas), M. Tavares é um autor que se dirige aos seus leitores de aqui-e-agora e que pensa o mundo contemporâneo à medida que o reescreve. É certo que parte significativa da sua (já extensa) obra lida com os limites e a especificidade da linguagem e da literatura, mas isso não o encerra nesse campo específico. As suas investigações, e em muito especial os “Livros Pretos”, que constituem a tetralogia “O Reino”, são obras maiores que invectivam o nosso tempo. A pretexto de uma investigação em curso sobre o Mal e o Horror, M. Tavares destila os males que são nossos contemporâneos e que fazem parte dos nossos jornais televisivos diários: a guerra, o desemprego, a loucura, a violência, o desencanto (ou melhor, a interrupção do canto, como o próprio autor afirma).
Os quatros romances que constituem “O Reino” (Um homem: Klaus Klump, A máquina de Joseph Walser, Jerusalém e Aprender a rezar na era da técnica) evocam, elipticamente, a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e Auschwitz. Mas neles podemos encontrar os assustadores traços que definem outras guerras em outras latitudes e em outros tempos.
Uma cidade é invadida por um exército inimigo e todos reagem (têm que reagir) a este acontecimento. Assim, no mundo às avessas que M. Tavares cria, sublinha-se a estranheza dos comportamentos dos humanos quando apanhados em situações extremas. No início o verbo era o do Gonçalo M. Tavares. No final, é impossível livrarmo-nos da incómoda sensação de que a cidade ocupada é a nossa própria Cidade e que esta guerra já começou. E agora?
Rui Pina Coelho, 22 de Setembro de 2008
“(…)Guardando a sua substância e sem propriamente trair o original, João Brites e o bando criam, em Jerusalém, obra nova com a determinação experimentalista característica dos seus melhores trabalhos. Não fazem do teatro uma arma; antes não desistem de lhe acrescentar consciência e responsabilidade social.” Rui Monteiro, in Time Out
“(…) Na esteira desse teatro que quer acordar consciências, que foge a uma interpretação mais realista, João Brites insiste, como sempre, numa interpretação em que as personagens estão amarradas a diferentes registos. […] Depois, João Brites, mergulha no horror, mas naquele tipo de «horror que não reside no que parece aparentemente horrível, sujo, sanguinário».” Cristina Margato, in Expresso
Texto Gonçalo M. Tavares
Dramaturgia, Encenação e Espaço Cénico João Brites
Corporalidade Luca Aprea
Oralidade Teresa Lima
Análise Literária e Dramatúrgica Rui Pina Coelho
Figurinos e Adereços Clara Bento
Assistência de Encenação Sara de Castro
Desenho de Luz João Cachulo
Interpretação Cristiana Castro, Horácio Manuel, João Barbosa, Nicolas Brites, Raul Atalaia, Rosinda Costa e Suzana Branco
Criação Teatro O Bando
Co-produção Centro Cultural de Belém
Duração 100min.
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SÁB 06 22H00
DELIMVOIS
TEATRO OFICINA

DEPOIS DA ESTREIA ABSOLUTA EM SANTIAGO DE COMPOSTELA, A MAIS RECENTE PRODUÇÃO DO TEATRO OFICINA TEM ESTREIA NACIONAL NO ÂMBITO DOS FESTIVAIS GIL VICENTE.
“Delimvois” explora os caminhos, os limites, as terras de ninguém, os marcos ideológicos, as fronteiras de palavras onde dois homens e uma mulher de diferentes nacionalidades procuram a carne, a alegria, a verdade, a sua identidade ou até o seu sustento diário ou alívio sexual.
A trama, se existe, de “Delimvois”, anda entre o místico e o táctil, entre o religioso e o cabal, entre o político e o anedótico, entre o amor e o ódio. “Delimvois” tem o aspecto de ser um desses lugares fronteiriços afastados e negados pelas leis dos homens, um desses lugares quase sempre abandonados ou vazios onde se dividem aspectos essenciais dos conflitos humanos: território, raça, hierarquia, religião, género…
“Delimvois” conta a fugidia eternidade de Francisco, António e Maria, seres que acreditam que são livres fora do tempo e dispostos a inventar um mundo novo.
Delimvois: o ser humano na encruzilhada
Uma noite ouvi Eduard Punset, conhecido divulgador científico, dizer que no século XXI uma das decisões mais importantes do ser humano será escolher entre ciência e religião, entre o empírico e o supersticioso. Não acredito que aos autores lhes caiba deslindar as nossas peças, mas se me perguntassem qual é o tema de “Delimvois”, hoje diria que é essa encruzilhada decisória.
“Delimvois” é a muralha científica que protege e rodeia uma das cidades do Estado Único, nome e ideia roubada a Jacobo Paz de um texto baseado em “Nós”, de Yevgueni Zamiatin. Em “Delimvois” convivem dois homens dos chamados “escuros”, com a memória apagada e os sentidos recuperados, e uma aparente mulher, científica eminente que experimenta com eles. E do outro lado do espelho, ou deste, nos limites de um jardim qualquer, um homem surdo e um homem cego trocam diariamente as suas obsessões, os seus ódios, as suas contradições, as suas mentiras...
Talvez, penso agora, escrevi “Delimvois” porque temo que nessa encruzilhada entre o dogma religioso e o método científico, com a sua proverbial capacidade para inventar e destruir ao mesmo tempo, o ser humano esteja a apostar pelo caminho do meio.
Rubén Ruibal
É um texto que se passa no lugar do nada, sítio nenhum onde, por estarmos aí, nesse lugar, temos a tentação da palavra, a obrigatoriedade do gesto em direcção do outro.
É um texto de encontro, entre três personagens, que fazem percursos pessoais em volta da questão do Humano. Não de forma a discuti-lo filosoficamente, mas de uma maneira onde cada um deles se revela, neste jogo constante de homem-animal, homem-máquina.
É também um texto de encontro de duas línguas, e de um processo de escrita partilhada entre autor, actores e encenador, nesta forma de criação que caracteriza o Teatro Oficina.
Marcos Barbosa
Delimvois, de Rubén Ruibal
Com Diana Sá, Emílio Gomes e Ivo Bastos
Tradução Marcos Barbosa
Encenação Marcos Barbosa
Cenografia F. Ribeiro
Figurinos Susana Abreu
Iluminação Afonso Castro
Produção executiva Teatro Oficina
Duração 60min. aprox.
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QUI 11 22H00
A RESISTÍVEL ASCENSÃO DE ARTURO UI
TRUTA ASSOCIAÇÃO CULTURAL

“A RESISTÍVEL ASCENSÃO DE ARTURO UI” É UMA PARÓDIA TRÁGICA INSPIRADA EM HITLER, ESCRITA POR BERTOLT BRECHT EM 1941, DURANTE O EXÍLIO NA FINLÂNDIA. Criámos a Truta como um espaço onde pudéssemos escolher os nossos desafios. Não nos afirmamos por este ou aquele teatro, acreditamos num percurso não hermético, que nos permita crescer artisticamente correndo riscos, sem condicionalidades artísticas nem filiações estéticas, procurando um teatro que se assume contaminado pela ilusão e pela teatralidade.
No nosso último trabalho, “Da Felicidade”, propusemos como desafio criar um espectáculo a partir de um tema e desenvolver todo o trabalho necessário – da escrita à interpretação.
Arriscámos áreas onde não éramos propriamente experientes e esse foi o desafio.
Agora, e com esta experiência acumulada, decidimos adoptar um processo diferente, debruçarmo-nos sobre um texto já escrito para teatro e de reconhecida qualidade: um clássico. E, em vez de uma encenação colectiva, centrar essa função numa pessoa, o que obviamente não invalida a discussão colectiva com que nos acostumámos a trabalhar, mas responde a um desejo de mudar as regras do jogo e à vontade de alguns em assumir esse papel. Na peça que escolhemos para inaugurar o nosso percurso, “A Força do Hábito”, o protagonista repetia constantemente: "Amanhã Augsburgo!" Óbvia referência a B. Brecht e a um teatro político. Passados estes anos, entendemos que é a altura de nos debruçarmos sobre
Brecht e sobre a sua validade nos dias de hoje. Decidimo-nos pela peça “A Resistível Ascensão de Arturo Ui”. Uma história de gangsters de Chicago num ambiente de filme negro. Este texto serve-nos de inspiração para criar um espectáculo de vilões e de homens honestos que são passíveis de corrupção. Homens e mulheres que mostram o alcance da tirania.
“A Resistível Ascensão de Arturo Ui” é uma paródia trágica inspirada em Hitler e escrita durante o exílio de Brecht em 1941, na Finlândia. Usando como pano de fundo Al Capone e as guerras entre gangsters, o autor fala metaforicamente da ascensão do nazismo, reproduzindo a tomada de poder e a anexação da Áustria. Criminosos de guerra como Goebbels, Göring e Röhm são facilmente identificáveis. Brecht também aproveita para falar do mundo egoísta do capitalismo e da sociedade que o mantém. A nossa escolha justifica-se em primeiro lugar pela empatia com o texto, com as histórias de gangsters e pela proximidade com o universo dos filmes negros e da BD. Depois, porque Brecht é um dos grandes autores de textos dramáticos e esse é também um desafio no qual nos queríamos aventurar. Finalmente, acreditamos que a peça se mantém actual, porque nos permite questionar os discursos políticos e o distanciamento dos cidadãos em relação à política. Todos pertencemos a uma geração acusada de não ter posições políticas e ter pouca vontade revolucionária.
Queremos mostrar que a revolução quotidiana passa pela forma e conteúdo que temos no nosso teatro. Não temos objectivos partidários.
De Brecht interessa-nos o papel sociopolítico do teatro, mas sem uma perspectiva didáctica. Do teatro épico interessa-nos: o homem como objecto de investigação; que o espectador reflicta criticamente, através dos mecanismos da distanciação; cada cena valer por si; o conceito de montagem; os saltos na narrativa. Reunimos um elenco que nos entusiasma, gente com quem queremos trabalhar mais uma vez e elementos exteriores à Truta que vieram dinamizar e enriquecer este projecto.
Associação Cultural Truta
“O espectáculo da Truta esquiva-se ao texto de Brecht e aos seus referentes mais imediatos e constrói-se na articulação de um irónico diálogo com a actualidade. Os actores chegam num carro daqueles que conhecemos dos filmes de gangsters. Depressa se alinham à boca de cena, de frente para o público, com roupa e poses que reconhecemos de O Padrinho, dos Sopranos e de toda a mitologia gangster criada por Hollywood. Todos trazem uma mala-troley (que, dramaturgicamente, insinua que as ditaduras em vez de se extinguirem, se deslocalizam!).” Rui Pina Coelho, in Público
Encenação Joaquim Horta
Tradução José Maria Vieira Mendes
Interpretação Carlos Alves, Duarte Guimarães, Gonçalo Amorim, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, Paula Diogo, Raul Oliveira, Ruben Tiago, Sílvia Filipe, Tónan Quito
Música original Filipe Melo
Cenografia e figurinos Marta Carreiras
Desenho de luz Daniel Worm D'Assumpção
Maquilhagem Jorge Bragada / Face Off
Produção Henrique Figueiredo, Patrícia Costa
Co-produção Truta / Culturgest
Projecto financiado pela DGArtes / MC
Duração 2h15min.
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SEX 12 22H00
A CARAVANA
TEATRO MERIDIONAL

O TEATRO MERIDIONAL APRESENTA, EM ANTE-ESTREIA NACIONAL, A SUA MAIS RECENTE PRODUÇÃO.
Através do comércio de um tecido leve, macio e brilhante, feito de fibra natural, o Oriente e o Ocidente deram-se a conhecer. Foi com a Rota da Seda, entre povos, culturas e singularidades, que se expandiram tantas novas ideias sobre o mundo! É isso possível agora com a globalização?
A Caravana é um espectáculo sobre a (in)comunicação, a singularidade do indivíduo e a sua identidade colectiva. Relatos de histórias contadas numa representação total onde o corpo do actor assume todos os recursos. De Pequim a Veneza, a maior de todas as rotas é aquela que se faz entre cada ser, preservando a sua essência, fazendo-os existir quando cada um se quis realmente plural. Esta peça do Teatro Meridional faz-se com panos, evocando uma viagem que ligou o mundo através de caminhos e vontades. De cidade em cidade. Quando o percurso, mais do que a promessa de um destino, é a possibilidade de um encontro.
Teatro Meridional

O Teatro Meridional é uma companhia portuguesa vocacionada para a itinerância que procura nas suas montagens um estilo marcado pelo despojamento cénico e pelo protagonismo do trabalho de interpretação do actor, fazendo da construção de cada objecto cénico uma aposta de pesquisa e experimentação.
As principais linhas de actuação artística do Teatro Meridional prendem-se com a encenação de textos originais (lançando o desafio a autores para arriscarem a escrita dramaturgica), com a criação de novas dramaturgias baseadas em adaptações de textos não teatrais (com relevo para a ligação ao universo da lusofonia, procurando fazer da língua portuguesa um encontro com a sua própria história), com a encenação e adaptação de textos maiores da dramaturgia mundial, e com a criação de espectáculos onde a palavra não é a principal forma de comunicação cénica.
Realizou até à data 33 produções, tendo já apresentado os seus trabalhos em 17 países – Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador, Espanha EUA, França, Itália, Jordânia, Marrocos, México, Paraguai, Timor, Uruguai - para além de realizar uma itinerância anual por Portugal Continental e ilhas. Desde 1992, ano da sua fundação, os trabalhos do Teatro Meridional já foram distinguidos 22 vezes a nível nacional e 6 a nível internacional.
Texto e Encenação Nuno Pino Custódio
Interpretação Carlos Pereira, Catarina Guerreiro, Nuno Nunes, Rui M. Silva, Yolanda Santos
Espaço Cénico e Figurinos Marta Carreiras
Desenho de Luz Pedro Domingos
Assistência de Cenografia Marco Fonseca
Montagem e Operação Técnica Nuno Figueira
Assistência de Produção Filipa Piecho
Direcção de Produção Narcisa Costa
Produção Teatro Meridional
Direcção Artística Miguel Seabra e Natália Luiza
O Teatro Meridional é uma estrutura financiada pelo MC/DGArtes e apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa
Duração 65min. (aprox.)
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SÁB 13 22H00
DE HOMEM PARA HOMEM
BEATRIZ BATARDA

NESTE ESPECTÁCULO, BEATRIZ BATARDA, ACTRIZ PREMIADA, TIDA POR MUITOS COMO A MELHOR DA SUA GERAÇÃO, PROTAGONIZA AQUELE QUE FOI PROVAVELMENTE O MAIOR DESAFIO DA SUA CARREIRA: UM MONÓLOGO INTENSO E VIBRANTE.
“De Homem para Homem”, título original “Jacke Wie Hose”, é um texto da autoria do dramaturgo e encenador alemão Manfred Karge escrito em 1982, sete anos antes da queda do muro de Berlim. Karge encenou ao lado de Mathias Langhoff na sua passagem pelo Berliner Ensemble, e é sucessor da escrita de Bertolt Brecht e de Heiner Müller.
Inspirado numa história verídica, este monólogo para uma actriz em forma de conto poético e político, atravessa cinquenta anos da História da Alemanha, entre os anos 30 e os anos 80, e conduz-nos ao longo da vida de Ella. Ella é uma jovem de origem humilde que não consegue arranjar emprego, e casa com um homem mais velho para poder ter um tecto e o que comer. Quando Ella descobre que a ciática que Max diz ter é afinal cancro, decide juntar toda a informação necessária sobre o trabalho do seu marido. Max Gerricke morre, mas é Ella Gerricke quem é “enterrada”.
Vinte e seis quadros que percorrem anos de recessão, a chegada de Hitler, a Segunda Grande Guerra, o pós-guerra, a divisão do território alemão entre os aliados, o renascimento da Alemanha Ocidental, chegando até aos anos oitenta, mesmo antes da queda do muro de Berlim. Vinte e seis quadros que relatam a vida trágica de Ella, uma mulher que para sobreviver teve que mentir, traficar, matar, prostituir-se, roubar, diluindo-se na perda da sua identidade, da sua dignidade humana.
“De Homem para Homem” é, sem dúvida, uma peça rara e original. Um texto totalmente contemporâneo, necessário, que nos fala da Europa que estamos a construir, da luta que o indivíduo continua a ter de empreender pela sua dignidade frente a um sistema que o devora. Como habitantes privilegiados do primeiro mundo temos a possibilidade de redescobrir histórias como as de Ella/Max Gericke, que nos ajudam a reflectir sobre o que é ser humano, e que permitem que o mundo se faça também ele mais humano.
São grandes palavras, grandes propósitos, realizados por pequenas pessoas e pequenos projectos. Essa é a possibilidade que gostaríamos de partilhar com o público como seres livres.
Beatriz Batarda

Beatriz Batarda formou-se na Guildhall School of Music and Drama, em Londres (2000), onde recebeu a Medalha de Ouro do curso, na área de representação. Divide o seu trabalho no teatro e no cinema, somando também várias participações em séries internacionais. Em teatro, participou em cerca de 20 espectáculos, tendo trabalhado com os encenadores Luís Miguel Cintra, João Perry, Diogo Dória, Christopher Morahan, Steven Unwin, Joseph Blatchley, Carlos Pimenta, Ana Tamen, Marco Martins, João Lourenço e Carlos Aladro. No cinema, participou em 20 filmes, colaborando de perto com os realizadores João Botelho, Manoel de Oliveira, Margarida Cardoso, Luis de Galvão Telles, Vicente Jorge Silva, Pedro Caldas, Jeanne Waltz, José Álvaro de Morais, Ivo Ferreira, João Canijo, Mike Dowse, Marco Martins, Thomas Vincent, Erik de Bruyn e Gonçalo Galvão Teles. Em Portugal, já foi galardoada com dois Globos de Ouro SIC na categoria de Melhor Actriz de cinema, em 2003 e 2004, e no Brasil foi distinguida como Melhor Actriz no Festival de Cinema Cineport (2004).

“Magistralmente interpretada por Beatriz Batarda (...) Belíssimas luzes de Nuno Meira, excelente e simples cenário de Manuel Aires Mateus, e extraordinária música de Pedro Moreira.” João Carneiro, in Expresso
“São inúmeros os momentos-que-apetece-guardar-para-sempre neste espectáculo. Batarda atira-nos uma interpretação brilhante e que perdurará por muito na memória de quem a veja.” Rui Pina Coelho, in Público
“Quem receia monólogos nunca viu Batarda encher um palco.” Ana Markl, in Sol
Jacke wie Hose (1982)
De Manfred Karge
Tradução e dramaturgia Vera San Payo de Lemos, Beatriz Batarda
Encenação Carlos Aladro
Cenografia Manuel Aires Mateus
Música Pedro Moreira
Desenho de luz Nuno Meira
Interpretação Beatriz Batarda
Produção Culturproject
Um projecto artístico Arena Ensemble
Estreia [11Set08] Teatro do Bairro Alto (Lisboa)
Duração 1h30min.
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CAFÉ-TEATRO


SEX 05 23H30
RÁDIO PIRATA

DE MARIA GIL
TEATRO DO SILÊNCIO
“Rádio Pirata” é uma performance radiofónica ao vivo, onde uma voz, um convidado e um músico, transmitem uma conversa escrita a muitas mãos. O projecto parte de uma premissa original: construir uma rádio caseira em cena e construir um texto a partir das experiências em torno desse dispositivo.
O universo das rádios piratas serve de inspiração para a construção de universos pessoais, onde a voz de um indivíduo, tanto pode ser ouvida localmente como - com o aparecimento da Internet - em todos os lugares. A partir desta ideia original e da utilização de materiais autobiográficos, pretende-se construir um texto que será simultaneamente passado no programa de teatro radiofónico “Teatro Sem Fios”, da Antena 2, e na Radio Six International, uma rádio on-line, que transmitirá para o Chile e para a Austrália a nossa performance radiofónica.
Criação e Dramaturgia Maria Gil
A partir de textos de Maria Gil, Tânia Guerreiro, Laura Barbeiro e Miguel Bonneville
Voz Tânia Guerreiro
Guitarra Manuel Mota
Assistência Laura Barbeiro
Colaboradores Criativos Miguel Bonneville, Neil Davidson, Pedro Silva, Susana Guardado e John Cavanagh
Apoio à sonoplastia Sérgio Milhano
Fotografia Tatiana Macedo
Produção Teatro do Silêncio
Co-produção Associação Zé dos Bois
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SÁB 06 23H30
GLASGOW 4, O NOME DE TODAS AS RUAS
DE MARIA GIL
TEATRO DO SILÊNCIO
O que é que se faz quando se chega a uma cidade nova? O que é que se faz para pertencer a essa cidade? “Glasgow 4, o Nome de Todas as Ruas” tem como ponto de partida uma premissa autobiográfica: viver quatro meses numa cidade desconhecida e construir um espectáculo a partir dessa mesma experiência.
O tempo é estranho. A comida é estranha. As pessoas são estranhas. O autocarro é estranho. Os condutores de autocarro são estranhos. As ruas são estranhas. Os cães são estranhos. As árvores são estranhas. O rio é estranho. Os patos e os esquilos são estranhos. As pontes são estranhas. O carteiro é estranho. O metro é estranho. A calçada é estranha. O trânsito é estranho. A língua é estranha. O café é estranho. O pão é estranho. As tomadas eléctricas são estranhas. O sol é estranho. Sorrir é estranho. Andar de bicicleta é estranho. Dormir é estranho. Sonhar é estranho. Os horários dos autocarros são estranhos. Lavar o cabelo é estranho. Fazer amor é estranho. Os telefones são estranhos. Os vizinhos são estranhos. Os amigos são estranhos. Estar em casa é estranho. Os sapatos são estranhos. Os taxistas são estranhos. Trabalhar é estranho. Os comboios são estranhos. A zona sul é estranha. A zona norte é estranha. A estação central é estranha. Os jardins são estranhos. Dançar é estranho.
Criação Maria Gil
Texto e Dramaturgia Maria Gil
Set Design, Cadeira “Night Falls”, LP Susana Guardado
Improvisação Musical Neil Davidson
Interpretação Maria Gil, Neil Davidson
Convidados Especiais Miguel Bonneville, Flora Candeias e Nuno Rebelo
Apoio Criativo Catarina Varatojo, Pedro Silva e Tânia Guerreiro
Fotografia de Cena Tatiana Macedo
Agradecimentos Maria Gonzaga, Facto
Encomenda e Produção Fundação Calouste Gulbenkian/Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística
Maiores de 12

SEX 12 23H30
CONFERÊNCIA DE UM MACACO
CAUSA ASSOCIAÇÃO CULTURAL
A partir de “Relatório a uma Academia”, de Franz Kafka, “Conferência de um macaco” aborda, numa perspectiva insólita, as questões do evolucionismo, no ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação de “A Origem das Espécies”.
“Conferência de um macaco” conta a incrível história de um macaco que em cinco anos deixa de o ser. O ex-macaco apresenta-se perante nós vestido elegantemente. No apogeu da sua carreira descreve em linhas gerais o percurso e o estado actual da sua evolução. Com humor e uma certa dose de crueldade, um ex-símio põe-nos em contacto com as nossas origens, a sua experiência pessoal: aberração ou amálgama concentrada dos mecanismos da evolução? Um mergulho frio e consciente no mistério da passagem dos primatas a Homo sapiens sapiens, da irracionalidade à racionalidade, da animalidade à humanidade, da natureza à cidade...
A partir da obra de Franz Kafka
Dramaturgia, encenação Amândio Pinheiro
Vídeo João Leal, José Pedro Magano
Máscaras Elena Veggetti, Marco Picarreda
Produção Maria Sangreman
Direcção Técnica Filipe Pinheiro
Comunicação Olívia Justo Coelho
Maiores de 12


SÁB 13 23H30
RETALHOS EM VIAGEM
TEATRO DO FRIO
“Retalhos em Viagem” é um conjunto de cinco solos portáteis centrados em cinco personagens que em tudo se confundem com pessoas como nós. Cinco personagens que transitam algures entre o que são e o que gostariam de ser, entre o que têm e o que lhes falta, vivendo quotidianamente a crueldade e beleza da sua imperfeição, algo de único que as distingue dos demais. Cinco personagens que se fazem transportar em malas, cinco malas que guardam no seu interior o universo pessoal e intransmissível de cada personagem e que para efeitos de itinerância se transportam na bagageira de um automóvel. Nesta apresentação, o Teatro do Frio traz até aos Festivais Gil Vicente dois desses solos: “Salomé” e “Xavier”.
Salomé
Uma mulher. Uma rotina. Ao fim do dia, uma almofada. Durante o sono o sonho, o tempo em que tudo o que deseja tem espaço para ser.
Xavier
A vida do Xavier é feita de imprevistos e soluções. Um salvamento, 3 recuerdos, um grande sonho e a cesta da senhora devidamente sinalizada.
Direcção Artística Catarina Lacerda
Assistência Rosário Costa
Intérpretes Rodrigo Malvar (Salomé), Vasco Gomes (Xavier)
Direcção e execução plástica Ana Guedes e Carla Capela
Produção Executiva Marta Lima e Mariana Seixas
Design Gráfico Susana Guiomar
Uma produção Teatro do Frio em co-produção com o Centro da Criatividade - Póvoa de Lanhoso
Maiores de 12


FORMAÇÃO


SEG 01 A QUA 10 JUN DAS 11H00 ÀS 19H00
OFICINA DE DRAMATURGIA
LARK FOUNDATION
A Lark Foundation tem desenvolvido, nos últimos anos, um trabalho ímpar no desenvolvimento da dramaturgia que se produz nos EUA, e noutras partes do mundo, colaborando com diversas instituições que partilham a ambição de uma nova escrita que abra espaço a um teatro que nos represente verdadeiramente.
São conhecidas as limitações históricas da nossa escrita para teatro que, no meio de honrosas excepções separadas por séculos, não se apresenta como parte fundamental da nossa cultura, carecendo da dimensão suficiente para nos representar, ou para nos ajudar a perceber os fundamentos da nossa identidade.
A realização de workshops de escrita criativa, centrados na dramaturgia, é um dos pontos mais fortes do projecto artístico do Teatro Oficina. A vinda da Lark Foundation em Junho, e a realização desta semana da dramaturgia em sintonia com os Festivais Gil Vicente, é o evento inicial desta nossa procura tão necessária como urgente para fornecer as ferramentas fundamentais para a escrita para teatro, de modo a que se inicie um novo ciclo na história da nossa dramaturgia, que passe por um aumento da produção de textos de qualidade na nossa língua.
Com Andrea Thome e Michael Bradford (Lark Foundation)
Local Espaço Oficina
Público-alvo Escritores, profissionais e estudantes das artes cénicas
Pré-requisitos CV académico relevante na área, experiência profissional
Nº máximo de participantes 8 (mediante avaliação curricular)
Data limite de inscrições 25 de Maio
Preço 150,00€

EXPOSIÇÃO


30 MAI A 28 JUN
EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
TUNA NACIONAL SÃO JOÃO
Fotógrafo e realizador, João Tuna (n. 1967) estudou fotografia na Escola António Arroio e cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Iniciou, em 1990, o seu percurso – a um tempo sensível e fulgurante – na área da fotografia de cena, distinguindo-se em particular pela relação com o encenador Ricardo Pais e o Teatro Nacional São João. Incidindo sobre espectáculos apresentados pelo TNSJ entre 2006 e 2008, a presente exposição devolve-nos instantes, gestos e sinais silenciosamente roubados à efemeridade de que é feito o acontecimento teatral. Mais do que um best of, “Tuna Nacional São João” propõe uma subtil evocação de encenações, representações e outras ficções.
“A fotografia, tal como a escrita, só me interessa enquanto representação de ficções.” João Tuna
“No silêncio, ficam naturalmente as palavras, os textos, os sons, as músicas e as formas mais animadas e expandidas que, com idêntica determinação, acompanharam essas experiências. E, porém, por vezes, dir-se-ia que estão lá, as palavras e os sons, os gestos e os movimentos, prontos a eclodir, estabelecido o contacto entre o instante roubado ao efémero e a já diversa, mas não menos complexa, expressão em que, por intervenção do fotógrafo, o que era passageiro deixou rasto.” Paulo Eduardo Carvalho, in “João Tuna 90-04: Ficções fotográficas”, Sinais de Cena.