sábado, fevereiro 21, 2009

Pelas contas do Bloco de Esquerda...

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Padre André na revista do Expresso

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Página 10, Revista Única, Expresso,
de 21.02.2009.
Este é o homem que “pinta a manta” com o seu dinamismo!
Nosso bom amigo, o Padre André Ferreira, conhecido e carismático pároco no concelho de Felgueiras, é uma “autoridade” desinibida, que deita para trás das costas todo formalismo conservador.
Padre, encenador, motard, praticante de esqui e, entre muitas coisas mais, guarda-redes da selecção nacional de sacerdotes na “Champions de Clerum”, André Ferreira vem hoje, dia 21 de Fevereiro, na página 10 da Revista Única, do semanário Expresso, todo paramentado e a dar uns toques de bola.
E ainda há quem lhe chame “super-pároco”?!... Não, não... O homem é muito mais do que isso: é um autêntico hino à vida!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Longra em busca da sua portugalidade

“Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o senti­mento de fragilidade íntima inconsciente e a correspon­dente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a mo­déstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranóia, exibição trágica, não aque­la desinibida, que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós. (…)
Os Portugueses não
convivem entre si, como uma lenda te­naz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos ou­tros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mú­tuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe…
Costuma dizer-se que Portugal é um país
tradicio­nalista. Nada mais falso. A continuidade opera-se ou salvaguarda-se pela inércia ou instinto de conservação social, entre nós como em toda a parte, mas a tradição não é essa continuidade, é a assumpção inovadora do adquirido, o diálogo ou combate no interior dos seus muros, sobretudo uma filiação interior criadora, fenó­meno entre todos raro e insólito na cultura portuguesa".

EDUARDO LOURENÇO
– in O Labirinto da Saudade (1.ª edição, 1976)

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"Sem descurarmos excessivamente a “escola brasileira” – dominante no espectro das festas carnavalescas portugueses -, pretendemos que o Carnaval da Longra (Felgueiras) se torne, gradualmente de ano para ano, uma festa cada vez mais portuguesa, ao encontro das tradições milenares de Portugal, de que faz parte o Entrudo português".

Excerto do comunicado da organização do Carnaval da Longra (Felgueiras), composta pela Casa do Povo da Longra e pelas Juntas de Freguesia de Rande, Pedreira e Sernande.

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Eis vídeos do Entrudo de 2008:


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Comunicado da Plataforma Abstencionista

Acaba de ser criado, no país, um movimento a favor da abstenção dos portugueses no próximo acto eleitoral para as Legislativas. O movimento, denominado "Plataforma Abstencionista", emitiu um comunicado a convidar a Comunicação Social para a sua primeira conferência de imprensa no Porto, que se realiza amanhã, sexta-feira, dia 20, na CasaViva, na Praça do Marquês de Pombal. Trata-se sobretudo de um movimento de cidadãos independentes da área da Esquerda política.
Eis o comunicado que nos foi enviado:
"Reduzir a participação eleitoral aos que alimentam e se alimentam do sistema, transformá-los em criadores, actores e espectadores da sua própria encenação poderá ser uma interessante tarefa revolucionária geradora de ataques localizados aos órgãos vitais desta sociedade dominante. Nesta lógica de combate deverá ser claro que uma plataforma de entendimento e acção em defesa da abstenção, que se almeja poder funcionar sem qualquer mecanismo reprodutor dos poderes conhecidos, nunca deverá ser entendida como um fim em si mas antes como um meio para reforçar o ataque sistémico ao capitalismo".

Reunião da Plataforma Abstencionista no Porto
20 Fevereiro (sexta-feira), 18,30 horas,
na CasaViva
Praça Marquês de Pombal, 167 - Porto

Ordem de trabalhos:
- Conferência de imprensa - Data e moldes
- Próximos passos (bancas, animação de discussões, etc...)
- Decidir cartazes e flyers

terça-feira, fevereiro 17, 2009

12 mil pessoas - Longra quer manter, pelo menos, o record de participação alcançado no Carnaval de 2008

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A Vila da Longra vai organizar, pelo décimo primeiro ano consecutivo, a sua festa de Carnaval, que já se tornou a maior do concelho, ao registar, de ano para ano, uma adesão cada vez mais participada de visitantes, de e de fora de Felgueiras. No ano passado, segundo estimativas oficiais, o evento alcançou o seu maior record de sempre: 12 mil pessoas.
A organização – todos os anos constituída pela Casa do Povo da Longra e pelas Juntas de Freguesia de Rande, Pedreira e Sernande – tem como objectivo, em 2009, manter, pelo menos, o mesmo número elevado de visitantes. Ao mesmo tempo, os organizadores reafirmam a filosofia traçada há um ano: sem descurarem excessivamente a “escola brasileira” – dominante no espectro das festas carnavalescas portugueses -, pretendem que o Carnaval da Longra se torne, gradualmente de ano para ano, uma festa cada vez mais portuguesa, ao encontro das tradições milenares de Portugal, de que faz parte o Entrudo português.
Para isso, este ano foram introduzidas novidades no programa, nomeadamente a realização de sete concursos durante o corso carnavalesco, que terá início às 15 horas, a partir das instalações da antiga fábrica “Metalúrgica da Longra” até ao cruzamento da partilha de Rande com Sernande (ida e retorno). Mais uma vez, irão desfilar centenas de figurantes, onde a crítica social, política e a dos costumes não ficará alheia nas manifestações artísticas do evento, bem como nos carros alegóricos e outros adereços carnavalescos. À noite, pelas 20 horas, terá início a leitura do Testamento do Entrudo e far-se-á o seu Enterro, a partir das instalações da Casa do Povo, cujo cortejo rumará até ao histórico cruzamento da localidade, acto que será antecedido com a entrega dos prémios dos concursos realizados na parte da tarde.
Assim sendo, são os seguintes os concursos promovidos:

a) Concurso de Desfile de Escolas do Concelho: subdivido em cinco faixas escolares, elegerá a melhor turma dos Jardins de Infância, a melhor do 1.º e a do 2.º ciclos do ensino básico, a melhor turma do ensino secundári e a do ensino superior.

b) Concurso Individual e Colectivo de Caretos (os dois, pelo menos, com máscara): abertos a toda a gente, com prémios para o 1.º até ao 3.º melhores classificados em cada concurso. O júri dará preferências aos trajes completos de caretos, aos que tenham conteúdo crítico social e/ou similar com assuntos da actualidade local e/ou nacional e aos que forem mais ao encontro do tradicional Entrudo português.

A participação carece de prévia inscrição (gratuita) dos interessados, que deverão fazê-lo até ao próximo dia 20.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Eduardo Bragança candidato à Câmara

Foto: Expresso de Felgueiras

Eis notícia do jornal Público, de hoje:
Líder do PS em Felgueiras
vai candidatar-se à Câmara
A concelhia do PS de Felgueiras ainda não tomou a decisão, mas a candidatura do seu líder à autarquia local é dada como certa. "Estou disponível para ajudar o PS a ganhar a Câmara de Felgueiras", diz Eduardo Bragança, acrescentando: "O concelho assiste a um enorme desgaste de Fátima Felgueiras, uma presidente de câmara que deixou de estar preocupada com o bem-estar das pessoas e passou a preocupar-se exclusivamente com ela".
O presidente da concelhia do PS de Felgueiras remete para depois do XVI congresso socialista, marcado para o último fim-de-semana de Fevereiro, em Espinho, o anúncio da escolha do candidato. Mas, em declarações ao PÚBLICO, revelou que tem recebido manifestações de apoio para avançar, não apenas da distrital do PS-Porto, mas também dos órgãos nacionais".
Arrasando a gestão de Fátima Felgueiras, Eduardo Bragança denuncia "a falta de investimento público e privado no concelho, uma fragilidade que se deve exclusivamente à presidente de câmara, que deixou de ser o interlocutor que foi no passado, por falta de credibilidade". Eduardo Bragança, apesar de ainda não ser candidato, propõe "baixar o preço da água, do saneamento e dos resíduos sólidos". Por conhecer está ainda o candidato do PSD à câmara. O líder do PSD-Porto, Marco António Costa, quer fechar quanto antes o processo autárquico no distrito, mas a concelhia ainda não reuniu para decidir o candidato e tudo aponta para que isso aconteça apenas depois do Carnaval. Nas autárquicas de 2005, o partido alcançou 30 por cento dos votos entrados nas urnas.
O candidato do PS à Câmara de Felgueiras só será conhecido após o congresso socialista.

domingo, fevereiro 15, 2009

Um olho no burro e outro no cigano

José António Saraiva

O caso Freeport lançou uma verdadeira onda de pânico no mundo financeiro e empresarial.
Banqueiros como Ricardo Salgado ou Horácio Roque, que por norma evitam envolver-se em questões políticas, não se escusaram a fazer rasgados elogios a José Sócrates.
Muitos empresários que por norma apoiavam o PSD estão hoje firmemente ao lado do primeiro-ministro, cerrando fileiras para que se aguente.
Figuras que durante anos foram identificadas com a direita – Proença de Carvalho, Nobre Guedes, Freitas do Amaral, José Miguel Júdice – surgem a defendê-lo acaloradamente.
Como entender este afã?
Tudo tem a sua explicação. A direita não gosta de líderes fracos – e Sócrates surge hoje como um líder forte.
Sócrates criou um modelo de ‘política musculada’ que agrada à direita.
Por outro lado, ao pôr a mão debaixo dos bancos, criando a ideia de que não os deixará cair, Sócrates tem naturalmente os banqueiros consigo.
E quem tem a sobrevivência dos bancos na mão tem os empresários na mão.
Todos os empresários, nesta conjuntura difícil, dependem desesperadamente da banca.
Um banco pode hoje com facilidade determinar a falência de um empresário: basta que lhe aumente substancialmente os juros, corte as linhas de crédito ou exija a liquidação imediata de compromissos financeiros.
Nenhum empresário quer hoje afrontar o Governo – porque não sabe como reagirão amanhã os bancos com que trabalha.
Mas, ao mesmo tempo que controla superiormente a banca e através dela o empresariado, Sócrates pisca o olho à esquerda.
Pode dizer-se que o primeiro-ministro tem um olho no burro e outro no cigano: satisfaz os homens de negócios garantindo-lhes apoio do Estado – e satisfaz a esquerda ideológica com promessas ‘fracturantes’.
Apoiando os casamentos de homossexuais, facilitando o divórcio, defendendo o aborto, propondo amanhã – quem sabe? – a legalização da eutanásia, Sócrates vai dando rebuçados à esquerda, adoçando-lhe a boca.
Há nesta política um certo maquiavelismo.
Mas que importa, se obtém resultados?
A verdade é que os banqueiros e os empresários estão-se nas tintas para as posições fracturantes que o primeiro-ministro possa tomar.
Discordando provavelmente delas, levam-nas à conta de devaneios, de fantasias – que não têm importância porque não têm consequências económicas.
E a esquerda pensa o inverso.
Discordando dos apoios do Governo à banca e aos empresários, leva-os à conta de ‘pragmatismo’, de realismo necessário para calar a boca à direita e garantir a permanência da esquerda no poder.
Sócrates faz pois, neste momento, o milagre de agradar ao mesmo tempo a gregos e troianos.
À direita pondo a mão debaixo dos bancos; à esquerda com medidas vanguardistas em matéria de costumes.
Além da satisfação de sectores opostos, Sócrates construiu uma eficaz ‘estrutura de exercício do poder’.
Rodeou-se de um grupo de fiéis pragmáticos – Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Armando Vara, etc. – que planeia a gestão política e estende os seus tentáculos a várias áreas (banca, empresas públicas, comunicação social) criando um sistema de condicionamento da opinião.
Muita gente tem hoje medo de falar com receio de represálias – e mesmo dentro do Partido Socialista isto acontece.
E há também chantagem e ameaças directas.
O ministro Augusto Santos Silva, fugindo-lhe a boca para a verdade, disse que gosta de «malhar» nos adversários políticos.
E – não tenhamos ilusões – não foi uma afirmação isolada: é esta a linguagem usada no círculo restrito do primeiro-ministro.
Vivemos um tempo que se pode classificar como de ‘democracia limitada’.
Sócrates construiu uma estrutura de poder que infunde receio.
Claro que isso também tem o seu mérito.
E em tempo de crise tem as suas vantagens.
Mas atenção: mesmo os que beneficiam deste estado de coisas devem perceber que é decisiva a subsistência de vozes livres.
Essas vozes, que hoje lhes podem parecer chatas e incómodas, serão amanhã as garantes da sua própria liberdade
Fonte: SOL - "Política a Sério"

sábado, fevereiro 14, 2009

Dia de Namorados: "Soneto da Fidelidade"

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes

quinta-feira, fevereiro 12, 2009