domingo, dezembro 21, 2008

"A privatização da saúde e o SNS", por Bruno Maia

O Diário de Felgueiras recomenda vivamente a leitura do presente artigo de opinião, que retirámos do sítio da Internet www.esquerda.net
Independentemente da simpatia político-partidária de cada um de nós - editores e leitores deste jornal -, fazemos a recomendação da leitura por, genericamente, o autor deste espaço subscrever o referido texto, que é uma importante peça sobre a função social do Estado no campo da Saúde.


Desde a criação do SNS que a gestão dos hospitais públicos enfrenta uma dualidade de poderes: por um lado o poder administrativo directamente controlado pelo Ministério da Saúde e por outro lado o poder da decisão médica.
A este último poder é reconhecida a capacidade do critério clínico. Isto é, são os profissionais de saúde, e mais predominantemente os médicos, que no SNS têm confrontado o poder administrativo com a planificação das necessidades em função do conhecimento científico. A aquisição de novas tecnologias de diagnóstico, de novos fármacos, a criação de unidades especializadas em cuidados avançados, o desenvolvimento da emergência pré-hospitalar assentaram a sua força na exigência que a classe médica foi fazendo à administração pública no sentido de tornar os serviços mais eficazes, modernos e capazes de oferecer os melhores cuidados. É na gestão deste poder partilhado que se foram construindo as unidades de saúde no SNS e é na existência de um poder do "critério clínico" que desde sempre foi possível desenvolver o SNS contra todas as vontades políticas de diminuir o seu financiamento.
Paralelamente, a investigação e o ensino foram dominantes exclusivos dos hospitais públicos, o que significa que o desenvolvimento científico esteve, nas últimas décadas ligado também ele ao "critério clínico". Mas o poder do critério clínico está hoje ameaçado. Em primeiro lugar, está ameaçado por um discurso que cresceu de importância nos últimos 10 anos e que foi o discurso dominante da "contenção dos gastos" em saúde, que se disseminou pelos profissionais. Ora se é verdade que os profissionais devem exercer a sua prática conscientes do valor dos recursos que utilizam e fazer desse uso uma prática criteriosa, não é menos verdade que a hegemonização deste discurso produz tomadas de decisão "cautelosas" que muitas vezes inibem a aposta no investimento e no desenvolvimento. Depois, o poder do critério está, em última análise, ameaçado pelo crescimento do investimento privado na saúde.

A clientelização da saúde e a criação de necessidades artificiais

Quem vive as práticas da saúde e da doença no SNS reconhecerá os defeitos das práticas que a seguir enuncio. Se nos últimos 30 anos a prática da medicina privada era dominada pelos consultórios privados, detidos pelos clínicos que exerciam o centro da sua actividade no SNS, o quadro tem mudado de figura nesta última década. É já na última década que têm surgido grandes investimentos e infra-estruturas de saúde privadas - os hospitais privados. Há algumas práticas nestas unidades que nos revelam curiosidades implícitas sobre o mundo da saúde privada. No Hospital da Luz, detido pelo grupo BES - Espirito Santo Saude, não há doentes nem há utentes, há clientes. A administração daquela unidade prefere o adjectivo "clientela" para se referir aos seus utentes. Na verdade o termo resume tudo: o doente-cliente compra os serviços do hospital da luz, escolhe os métodos de diagnostico e adquire os tratamentos. Não existe nenhuma política da casa, nenhum protocolo que se sobreponha à vontade do doente-cliente: se o doente-cliente quiser fazer uma TAC ao corpo todo, fá-lo-á, com o apoio da administração, mesmo que não tenha nenhuma indicação e que o exame seja danoso para a sua saúde. E aqui não entra nenhum critério clínico. Muitos podem afirmar que "saúde a mais não faz mal a ninguém" e que realizar um número disparatado de exames à escolha do doente-cliente não o prejudica. Mas a verdade é que, para além desta prática não traduzir qualquer ganho na saúde da população, ele tem implícita um conceito de saúde errado que ofusca o mais importante: a aposta na promoção da saúde e na prevenção primária - repetir exaustivamente exames durante o ano não previne o aparecimento de doenças. E é nesta área fulcral da saúde das populações que o privado não tem interesse em investir pois não tem rentabilidade imediata. Depois são hoje conhecidos os efeitos do excesso da medicina nas nossas vidas e que alguns autores denominaram por "iatrogénese social" - isto é, repetir exames inúteis pode levar os indivíduos a submeterem-se a práticas com algum risco desnecessário para a sua saúde.
A par disso, não é de admirar que as unidades privadas disponham de um aparato de marketing e de publicidade que induzam este tipo de comportamentos por parte do seu doente-cliente. Nas clínicas da CUF, por exemplo, é usual oferecerem-se "packs" de check-up a toda a família - por um preço mais acessível o indivíduo pode fazer uma série de exames, na verdade desnecessários, em troca da promessa de uma saúde de ferro. A medicina privada cria necessidades falsas na população, incentivando o seu consumo acriterioso e dispendendo recursos valiosos, que poderiam ser aplicados na redução das listas de espera no SNS.
Começam a surgir aqui duas medicinas: a dos pobres, residente num SNS sub-financiado, cada vez com menos profissionais, com cada vez menos resposta válida face às necessidades e a medicina dos "endinheirados", das unidades privadas de saúde, ricas em recursos tecnológicos, que medicalizam a vida dos seus "clientes" oferecendo-lhes procedimentos e tratamentos que excedem as suas necessidades reais, criando assim valor no consumo sem critério.
Uma politica de esquerda não pode ficar indiferente a esta mercantilização. Só há uma forma justa de fornecer cuidados de saúde à população, garantindo equidade no seu acesso. E essa forma designa-se Serviço Nacional de Saúde. Só um SNS com mais investimento, com mais recursos pode ser competitivo com o domínio da saúde privada. E só um SNS equipado e organizado pode garantir algo que o grupo Mello nunca o fará: democracia no acesso à saúde.



sábado, dezembro 20, 2008

Sondagem

Caros leitores:
Pedimos que responda às três perguntas colocadas na coluna direita deste jornal sobre o papel da Oposição política em Felgueiras.
A votação está disponível durante seis dias.

sábado, dezembro 13, 2008

"Salvem os ricos", pelo "Os Contemporâneos"

Campanha de angariação de bens e equipamentos

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A Casa do Povo da Longra (CP Longra), em parceria com as Juntas de Freguesia de Rande, Pedreira e Sernande, na próxima segunda-feira, vai lançar uma campanha de bens e de equipamentos a favor das escolas da cidade de Chancungo, da Guiné-Bissau, que surgue em seguimento de um protocolo de amizade e cooperação recentemente assinado entre a CP Longra e a Associação de Naturais e Amigos de Chancungo.
Os interessados poderão oferecer livros em geral e manuais escolares, computadores e impressoras, CD's e DV's, todo o tipo de material escolar e outros bens e equipamentos. Os locais de entrega são: nas instalações da CP Longra - de 2.ª a 6.ª feira, a partir das 21 horas, aos sábados, a partir das 15 horas -; nas escolas do concelho e nas Juntas da Vila da Longra, nos horários de funcionamento.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Aparatoso acidente: mini-autocarro escolar capotou em Airães

Fotos com direitos reservados






Um mini-autocarro que transportava 12 alunos com idades na média dos 16 anos capotou, ontem, por volta das 13,15 horas, no cruzamento do lugar de Babais, em Airães, em sequência de um acidente com uma carrinha de caixa aberta de transporte de materiais de construção civil.
Dos 13 tripulantes, incluindo o motorista, 10 precisarem de assistência médica mas nenhum sofreu ferimentos graves. Foram socorridos pelos Bombeiros Voluntários da Lixa, que transportaram cinco ao Hospital Padre Américo, em Penafiel, e outros tantos ao Hospital S. Gonçalo, em Amarante. Porém, o embate dos veículos não deixou de ser um aparatoso acidente, que poderia ter consequências muito graves.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Aluimento de piso: um camião carregado de pedras tombou em Felgueiras


Um camião carregado de pedras de granito tombou, ontem, de manhã, no Largo Alexandre Herculano, na cidade de Felgueiras, em sequência de um aluimento no piso da pequena encosta que liga a Rua Oliveira da Fonseca (EN 207) à Rua Francisco Sarmento Pimentel.
Felizmente, não houve vítimas. Porém, o pesado parece não ter mais utilidade alguma. A cabina ficou totalmente destruída.