terça-feira, novembro 11, 2008

USAF promove concurso literário "Contos de Natal"

Regulamento

Artigo 1° - A USAF- Universidades Sénior e do Autodidacta de Felgueiras, promove o seu I Concurso de "Contos de Natal", sendo que para poder concorrer é obrigatório aceitar e cumprir o presente regulamento.
Artigo 2° - A inscrição é gratuita e o concurso é aberto a todas as pessoas singulares residentes ou naturais do concelho de Felgueiras, que se exprimam em português.
Artigo 3° - Entende-se por "Conto de Natal" um texto narrativo em prosa abordando a temática natalícia ou com ela relacionada, que não exceda três páginas em papel A-4, dactilografadas a dois espaços de uma só face.
Artigo 4° - Todos os textos deverão ser inéditos c dactilografados a dois espaços em papel A-4 numa só face e em quadruplicado.
Artigo 5.º - Cada concorrente só poderá apresentar até três produções.
Artigo 6 °- Cada concursante anexará às suas produções, assinadas só com pseudónimo, um envelope fechado contendo uma folha com o nome completo, idade, morada, contacto telefónico. No exterior deste envelope farão menção exclusivamente do pseudónimo.
Artigo 7° - As produções e o envelope contendo a identificação deverão ser colocados, por sua vez, num outro envelope fechado e sem indicação do remetente e enviados pelo correio até 5 (cinco) de Dezembro de 2008 (data do carimbo) para:
USAF- Universidade Sénior e do Autodidacta de Felgueiras
I Concurso de Contos de Natal
Av. Dr. Ribeiro de Magalhães, 925 - 10 - Esq.
4610- 108 FELGUEIRAS
Podem os concorrentes, se preferirem, fazer entrega em mão dos envelopes com os seus trabalhos no n.º 309 - 1 °- Dt.º, Rua Dr. Basílio Leite de Vasconcelos, no Outeiro, freguesia de Margaride, de 2.ª a 5.ª feira, das 14.30 h às 17.00 h, até 16 de Janeiro de 2009.
Artigo 8° - O não cumprimento do disposto nos artigos n°s 2, 3, 4, 5, 6, e 7 implica a não admissão dos trabalhos a concurso.
Artigo 9° - A classificação dos trabalhos será atribuição de um júri constituído por pessoas de reconhecida idoneidade e competência, de cujas decisões não haverá recurso, salvo em caso de plágio ou de trabalhos não inéditos, devidamente comprovado.
Artigo 10° - Não poderão participar neste concurso os membros do júri nem seus familiares directos.
Artigo 11° - O júri atribuirá, em principio, três prémios, podendo deixar de atribuir algum se as produções não tiverem merecimento, podendo também atribuir as menções honrosas que julgar merecidas.
Artigo 12° - Os trabalhos premiados ficarão na posse da USAF, que os utilizará conforme a sua conveniência e interesse. Os trabalhos não premiados poderão ser devolvidos desde que o seu autor os procure pessoalmente n.º 309 - 1 °- Dt.º, Rua Dr. Basílio Leite de Vasconcelos, no Outeiro, freguesia de Margaride, de 2.ª a 5.ª feira, das 14.30 h às 17.00 h ou pelo correio para o endereço acima indicado, no prazo de seis meses a contar da data da entrega, findos os quais a entidade organizadora poderá dispor deles como lhe aprouver.
Artigo 13° - A entrega dos prémios será feita em acto solene a realizar pela USAF durante este ano lectivo.
Artigo 14° - Apenas os concorrentes premiados serão notificados a fim de tomarem parte na cerimónia de atribuição dos prémios, no entanto o concurso e os seus resultados serão divulgados na comunicação social do concelho de Felgueiras.
Artigo 15° - Qualquer omissão neste Regulamento ou situação não prevista será resolvida pelo júri do concurso.
Felgueiras, 23 de Outubro de 2008.
A Direcção

segunda-feira, novembro 10, 2008

Acórdão integral da sentença do processo do "saco azul"

O Diário de Felgueiras teve acesso a uma cópia do acórdão integral da sentença do processo do "saco azul", proferido na passada sexta-feira, dia 7.
São 718 páginas. Face a tal extensão, foi-nos impossível colocar o documento em post, pelo que fomos obrigados a colocá-lo num arquivo do site scribd e fazer o respectivo link a este blogue.
Portanto, clique em:
Boa leitura!

quinta-feira, outubro 30, 2008

Casa do Povo da Longra convida...

A Casa do Povo da Longra (CP Longra) vai festejar a sua Noite das Bruxas, esta sexta-feira, dia 31 de Outubro, com a realização da Sopa das Bruxas, a partir das 18,30 horas, e com a realização de um concurso para a eleição da bruxa mais bonita, individual e em grupo, a partir das 21 horas, no qual serão atribuídos vários prémios, e que terá animação, com os grupos musicais da Casa e do grupo de dança e de hip-pop de Cristina Lopes.
A Sopa das Bruxas, que será acompanhada de outros sabores e bebidas, é uma oferta da direcção da Casa do Povo aos presentes, associados ou não. Adão Coelho, presidente da colectividade convida: "Quem estiver interessado não se envergonhe; basta que traga uma malga –como, popularmente se diz – e uma colher de pau, bem como um petisco ou um doce a juntar ao convívio. Todos são bem-vindos".

PSD/Felgueiras emite novo comunicado, desta vez contra a visita do Secretário das Obras Públicas a Felgueiras

COMUNICADO

Felgueiras recebeu esta semana um membro do Governo para anunciar o lançamento de uma obra que foi prometida aos felgueirenses há mais de dez anos. O Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, foi o primeiro governante a visitar o concelho desde que rebentou o caso “Saco Azul de Felgueiras”. O PSD estranha esta visita, a 11 dias do anúncio da sentença sobre o julgamento do saco azul, após um longo jejum das “romarias” de governantes ao concelho,. Durante muitos anos o Governo esteve de costas voltadas para Felgueiras, mas decidiu retomar a sua actividade governativa nas vésperas de tão importante decisão.
É óbvio o mal-estar que a Presidente de Câmara causa no Partido Socialista e são frequentes as incongruências. Temos que recordar que, na campanha eleitoral, Almeida Santos veio ao concelho e apoiou Fátima Felgueiras; em Março do corrente ano vieram ao concelho deputados socialistas dizer que não perdoavam a Fátima Felgueiras e que esta tinha sido expulsa por não merecer a confiança do partido. Em Abril, um conjunto de notáveis socialistas veio ao tribunal “abonar” Fátima Felgueiras, enaltecer-lhe qualidades e tecer-lhe rasgados elogios. Finalmente, na véspera da decisão judicial sobre o processo que envolve a Presidente de Câmara, tivemos a visita de um Secretário de Estado que foi recebido com pompa e circunstância nos Paços do Concelho.
Não podemos deixar de assinalar estas cumplicidades e coabitações num enredo de excomunhões e divórcios. É óbvio que depois de Fátima ter sido aprovada candidata à câmara de Felgueiras, ao mais alto nível pelo PS, ainda há muitos responsáveis socialistas que acreditam que a presidente continua a ser uma “força da natureza”. A memória dos socialistas é curta e certamente já não se recordam da fuga da sua autarca à justiça e do envolvimento de vários socialistas no processo “Saco Azul”. Provavelmente, nem se devem recordar que daqui a uma semana vai ser anunciada a sentença de um dos maiores escândalos na política portuguesa e que este envolveu destacadas figuras do PS.


PSD Felgueiras
30 de Outubro de 2008

domingo, outubro 26, 2008

Fígura ímpar de humanidade

Madeleine Cinquin
(Irmã Emmanuelle)
A semana que passou registou a morte de uma figura importante da actual Humanidade, Madeleine Cinquin, freira missionária e uma das figuras mais admiradas entre os franceses, em virtude de ter dedicado toda a sua vida a favor dos pobres mais pobres da sociedade, chegando até a viver ao lado deles. A radicalidade de Cristo! Faleceu a três semanas de completar 100 anos de idade.
Natural da Bélgica, era licenciada em Filosofia. Entrou para o convento aos 20 anos, tendo escolhido o nome Emmanuelle para a sua vocação, que quer dizer: "Deus connosco". Nos primeiros anos de religiosa, ministrou aulas na Turquia, Tunísia e Egipto. E foi precisamente na capital egípcia, no Cairo, que começou a desenvolver acções directas a favor dos mais desfavorecidos, ao ponto de chegar a viver paredes-meias, durante 20 anos, com mendigos e pobres dos bairros de lata. Regressou a França com 85 anos, mas a idade não lhe quebrou o favor apaixonado na defesa e emancipação social dos desventurados da vida, e, neste país, continuou a sua missão.
Emmanuelle tornou-se também conhecida pelo seu entusiasmo e pela frontalidade. João Paulo II dizia ter grande admiração pela missionária, mas esta não comungava com ele alguns pontos de vista. A religiosa defendia o casamento dos padres e a contracepção, falava sem dificuldade das suas crises de fé e chegou a pedir ao Vaticano que vendesse todos as riquezas para ajudar os pobres.
Quando se fala de Emmanuelle uma outra figura muito simpática entre os franceses nos vem à memória, que é o abade Pierre, falecido em Janeiro do ano passado, com 94 anos, fundador da Comunidade Emaús, "peregrino dos desfavorecidos", que pertenceu à Resistência Francesa na II Guerra Mundial, contra os nazis; foi amigo de Roger Garaudy, o filósofo francês que percorreu vários pensamentos ao longo da sua vida, relatados no seu emocionante livro "Viagem Solitária No Meu Século".
Emmanuelle e Pierre, ao invés de Teresa de Calcutá, não chegaram a receber o Prémio Nobel da Paz. A melhor homenagem que lhes podemos prestar será a de, independentemente do pensamento ideológico político e religioso de cada um, aprendermos a lição de que a resolução dos problemas humanos e sociais jamais se resolvem no topo da pirâmide, mas na base, ou seja, em comunhão com os mais desfavorecidos, mesmo que seja necessário comer com eles à mesa e dormir em seus aposentos, em bairros de lata.

terça-feira, outubro 21, 2008

PSD/Felgueiras emite nota à Comunicação Social

1. Derrama

Na última Assembleia Municipal, o deputado do grupo parlamentar do PSD desafiou a autarquia a não lançar derrama no corrente ano e considerou que se tal acontecesse seria um escândalo e altamente gravoso para a indústria concelhia.
Em 2007 o PSD contribuiu para "chumbar" a proposta de lançamento da derrama pela autarquia e defendeu recentemente que seria impensável aplicar taxas que penalizassem os empresários na actual crise económica e financeira que tem levado ao desespero os agentes económicos. Lançar a derrama seria contribuir para a falência de muitas empresas, para o aumento do desemprego concelhio e para a continuação da degradação abismal das economias familiares.
O PSD é um partido responsável, coerente e defensor intransigente dos felgueirenses. Consequentemente, só nos podemos congratular por esta proposta e pelo nosso contributo nos dois últimos anos para que os empresários tenham folgado da asfixia em que viviam mergulhados.

2. Orçamento de Estado 2009 - PIDDAC

O Governo apresentou a Lei do Orçamento para 2009 e, no que diz respeito ao Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central, Felgueiras foi contemplada com a verba de 355 mil euros, menos 1 milhão de euros do que o ano passado.
As obras incluídas são as mesmas do ano passado e dos anos anteriores. Algumas arrastam-se penosamente na lista de promessas de investimento central. Ano após ano os valores inscritos em PIDDAC diminuem e a maior parte dos investimentos anunciados nunca se concretiza: Centro de Emprego, Tribunal, Beneficiação EN 207, E.B. 2,3 de Pombeiro.
Assinalamos, mais uma vez, que a autarquia nunca assume uma posição de indignação, reclamando aquilo a que o concelho tem justamente direito. Ao longo deste mandato autárquico o investimento central no concelho é quase nulo! Felgueiras sofre do desinteresse do governo e da falta de capacidade reivindicativa da autarquia junto do poder central.



PIDDAC 2009
Centro de Emprego - 200,000
Extensão C.S. Serrinha - 42,674
E.B.2,3 de Felgueiras - 113,200
Total - Invesimento concelhio - 355,874



PIDDAC 2008
Centro de Emprego - 400.000
Extensões de Centros de Saúde - 610.766
E.B.2,3 de Felgueiras - 430.000
E.B.2,3 de Idães - 20.000
Total - Invesimento concelhia - 1.460.766



PIDDAC 2007
Centro de Emprego - 336.827
Tribunal - 350.000
Ampliação/Requalificação E.B. 2,3 - 200.000
Extensões de Centros de Saúde - 635.527
Beneficiação EN207 - 1.106.700
Total - Invesimento concelhio - 2.629.054


PIDDAC 2006
Redes Culturais - 4.589
Centro de Emprego - 7.500
Educação Pré-Escolar - 106.973
IPP - 1.621.093
Extensões de Centros de Saúde - 458.178
Beneficiação EN207 - 97.668
E.B. 2,3 de Pombeiro - 360.000
Total - Invesimento concelhio - 2.656.001

C.P. do PSD Felgueiras
21 de Outubro de 2008

domingo, outubro 19, 2008

Autárquicas

Rui Rio quer mandatos de 5 anos e dispersão de eleições

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, defendeu hoje que o cumprimento de qualquer mandato em cinco anos e a realização de eleições autárquicas em dias distintos tornaria o sistema político português mais «estável e genuíno»
«Penso que se deveria acabar com as eleições autárquicas todas no mesmo dia, porque, sendo dispersas, nunca têm uma leitura nacional», referiu o autarca social-democrata, durante o colóquio internacional O Sistema de Governo das Autarquias Locais, promovido pela Universidade Atlântico em Porto Salvo.

Para o responsável, a definição de um novo calendário para eleger os presidentes das Câmaras e Juntas de Freguesia permitiria reflectir mais profundamente sobre a situação de cada concelho e evitar situações como a demissão do primeiro-ministro, em casos de grande predominância da oposição nos municípios.

Para Rui Rio, também o estabelecimento do prazo de cinco anos para todos os mandatos em executivos e assembleias centrais e locais permitiria «melhorar a governabilidade à escala nacional» e impediria que houvesse «uma eleição todos os anos».

Durante a sua intervenção no colóquio, o autarca considerou prejudicial para o exercício da democracia que os presidentes de Câmara não possam remodelar o executivo ao longo de um mandato, por entender que as eventuais incompatibilidades com os vereadores tiram «eficácia» à gestão municipal.

«É negativo que uma equipa não possa ser reajustada, porque não acredito que em quatro anos, em 308 municípios, não haja incompatibilidades, portanto, é o presidente que tem de ter liberdade de gerir a equipa. Imagine-se se o Primeiro-Ministro não pudesse mudar nenhum ministro», afirmou.

«A liderança tem de ter autoridade», acrescentou.

Rui Rio referiu que o presidente da Câmara deve ser o cabeça de lista à Assembleia Municipal (para «não haver duas maiorias») e ter liberdade de escolher vereadores «na sociedade» ou na Assembleia, defendendo ainda, ao contrário de uma sua antiga posição, que os partidos da oposição devem integrar o executivo camarário.

«Temo que, na maior parte das Câmaras, se a oposição não estiver no executivo, deixe de haver reuniões e as actas passem a circular para serem assinadas. É preferível que a oposição esteja lá para garantir a fiscalização e um certo formalismo», disse.

O presidente da Câmara do Porto manifestou ainda a sua discordância com o direito de voto dos autarcas das Juntas de Freguesia nas Assembleias Municipais, sendo antes apologista de atribuir aos mesmos maior autonomia financeira.

Lusa, de hoje

quinta-feira, outubro 16, 2008

Cartas de Marcelo Caetano no exílio e leiloadas dia 25 "arrasam" Freitas do Amaral

No dia 25, no Hotel Fénix, em Lisboa, é leiloado um lote de cartas que Marcelo Caetano, exilado no Brasil depois do 25 de Abril, escreveu a um destinatário chamado António e à sua mãe

"Querido António", "caro António". Marcelo Caetano manteve durante vários anos uma correspondência regular com um jovem adulto, de direita, e com a sua mãe. Com o filho, Caetano discorre sobre a política e a sua mágoa com o país, com os partidos de direita - omnipresente nas cartas é o "desgosto" com o seu antigo discípulo Freitas do Amaral, então líder do CDS, referido imensas vezes.

"O Diogo era devoto de Salazar, amigo do presidente Tomás, de quem um tio era ajudante, ao ponto de ir preparar os seus exames para o Palácio de Belém! A revolução dos cravos foi sobretudo a derrocada do carácter dos portugueses. Que homem!" A carta em que Marcelo Caetano fala assim do seu antigo discípulo, Diogo Freitas do Amaral, é escrita a 13 de Abril de 1977, nove meses antes de o então presidente do CDS assinar o acordo com o PS de Mário Soares para o Governo.

O contexto é a expulsão de Galvão de Melo do CDS, que o ex-presidente do Conselho considera não ser justificada. "Não sei o que pensas do CDS", escreve Caetano a António, "para mim tem sido um desapontamento, como para a maioria das pessoas minhas conhecidas que a princípio acreditaram nele. E as atitudes do meu antigo discípulo - assistente Diogo do Amaral - na política e em relação a mim foram um dos maiores desgostos que neste período sofri." Continua Marcelo, invocando os "favores" de Salazar para com o pai de Freitas do Amaral: "O Galvão de Melo não será muito boa peça, mas o que ele disse não justificava de modo nenhum a reacção do CDS, presidido por um filho de um antigo secretário de Salazar que este beneficiou largamente."

Dias mais tarde, a 28 de Abril de 1977, Marcelo escreve novamente a António e concede, relativamente ao CDS, que "na verdade, no desgraçado panorama da política portuguesa actual, não há melhor".

"Quanto ao CDS, compreendo muito bem a tua posição (...). As minhas razões de desconsolo com o partido e de indignação com o presidente são pessoais. E infelizmente justificadíssimas. No ano passado estive muito mal de saúde com o desgosto que me deu o sr. Diogo do Amaral. Mas isso é coisa minha e vocês têm de se agarrar ao que houver de menos mau." Um mês depois, a 25 de Maio de 1977, em nova carta, o diagnóstico do ex-presidente do Conselho no exílio sobre a direita portuguesa será genericamente arrasador. "O que me impressiona no panorama político português actual é não ver ninguém com qualidades morais de liderança do País e sobretudo da chamada direita. Infelizmente conheço muito bem os Kaúlzas e os Adrianos Moreiras que tudo sacrificam à ambição do mando e tive um enorme desapontamento com o Diogo do Amaral. Do Galvão de Melo, simpatiquíssimo desmiolado que durante anos conheci fiel sustentáculo do salazarismo, nem se fala."

A 20 de Fevereiro de 1978, Marcelo sente-se aterrado com o pluripartidarismo. "Quanto à política portuguesa, ela só confirma o que durante anos dissemos sobre o regime de partidos nesse país. Há-de ser cada vez pior." Mas em 8 de Junho seguinte tem a "impressão de que a direita se está fragmentando inconvenientemente" e faz planos estratégicos. "Tudo haveria a ganhar em fundir o MIRN e a Democracia Cristã com nova chefia, embora os antigos chefes ficassem a apoiar. Assim, nenhum dos grupos poderá ganhar dimensão e força suficiente para se impor. Um novo partido, com gente nova à frente, estou convencido de que obteria grande êxito. O que aqui chega é um grande desencanto com o CDS e um veemente desejo de aparecimento de um partido moderno e eficaz que faça frente à esquerda. Muita gente actualmente inscrita no PSD também se juntaria a esse partido."

Este conjunto de 15 cartas e seis bilhetes, até agora desconhecidos do público, vai a leilão no dia 25, no Hotel Fénix, às 15.00, por iniciativa de Nuno Gonçalves, leiloeiro e livreiro.

O mistério da carta quase indecifrável de Salazar

Entre as várias peças que agora vão à praça está um bilhete de Salazar dirigido a Urbano Rodrigues

A letra de Oliveira Salazar é praticamente ilegível. Nuno Gonçalves vai levar a leilão no dia 25 deste mês, no Hotel Fénix, uma carta de Salazar, com a chancela do gabinete do presidente do Conselho, dirigida a um "senhor Urbano Rodrigues", jornalista. Está datada de 17 de Novembro de 1950.

É muito difícil conseguiu desbravar o conteúdo da comunicação de Oliveira Salazar ao jornalista Urbano Rodrigues. Aparentemente, e tanto quanto é possível decifrar, trata-se de uma reacção do chefe do Governo, satisfeita, a um artigo de jornal escrito por Urbano Rodrigues. A base de licitação deste conjunto de cartões do então "presidente do Conselho" são cem euros.

Mas existem muitas outras preciosidades apresentadas neste leilão: um álbum fotográfico de viagem de Hermenegildo Capelo, o oficial da Marinha Portuguesa que foi explorador em África e que participou com Roberto Ivens na travessia entre Angola e a costa do Índico; uma colecção completa da Ilustração Portuguesa.

Uma das peças mais notáveis que vão a leilão - e que estará em exposição a partir do dia 24, sexta-feira, das 15.00 às 23.00 - é um exemplar da revista de arte portuguesa KWY, que até hoje nunca foi a leilão. A KWY foi criada em Paris por Lourdes Castro e René Bertholo, que eram editores, impressores e distribuidores. Impressa em serigrafia, a revista durou 12 números, publicados em seis anos, e teve, entre os seus variadíssimos colaboradores, a pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. A base de licitação do exemplar é de 25 mil euros.

Num leilão com 542 lotes, há muitíssimo mais por onde "pegar". Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro, cartas de Miguel Bombarda (o médico psiquiatra republicano que foi assassinado por um doente no dia 5 de Outubro de 1910) a Ana de Castro Osório, em que tece elogios à acção propagandista de Ana de Castro Osório, em defesa da condição feminina. Também vão a leilão cartas de Manuel Arriaga a Ana de Castro Osório, datadas de 1906, em que o futuro presidente da República acusa a recepção do livro Às Mulheres Portuguesas, fazendo considerações em defesa do feminismo.
Diário de Notícias, de hoje