quinta-feira, outubro 30, 2008

Casa do Povo da Longra convida...

A Casa do Povo da Longra (CP Longra) vai festejar a sua Noite das Bruxas, esta sexta-feira, dia 31 de Outubro, com a realização da Sopa das Bruxas, a partir das 18,30 horas, e com a realização de um concurso para a eleição da bruxa mais bonita, individual e em grupo, a partir das 21 horas, no qual serão atribuídos vários prémios, e que terá animação, com os grupos musicais da Casa e do grupo de dança e de hip-pop de Cristina Lopes.
A Sopa das Bruxas, que será acompanhada de outros sabores e bebidas, é uma oferta da direcção da Casa do Povo aos presentes, associados ou não. Adão Coelho, presidente da colectividade convida: "Quem estiver interessado não se envergonhe; basta que traga uma malga –como, popularmente se diz – e uma colher de pau, bem como um petisco ou um doce a juntar ao convívio. Todos são bem-vindos".

PSD/Felgueiras emite novo comunicado, desta vez contra a visita do Secretário das Obras Públicas a Felgueiras

COMUNICADO

Felgueiras recebeu esta semana um membro do Governo para anunciar o lançamento de uma obra que foi prometida aos felgueirenses há mais de dez anos. O Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, foi o primeiro governante a visitar o concelho desde que rebentou o caso “Saco Azul de Felgueiras”. O PSD estranha esta visita, a 11 dias do anúncio da sentença sobre o julgamento do saco azul, após um longo jejum das “romarias” de governantes ao concelho,. Durante muitos anos o Governo esteve de costas voltadas para Felgueiras, mas decidiu retomar a sua actividade governativa nas vésperas de tão importante decisão.
É óbvio o mal-estar que a Presidente de Câmara causa no Partido Socialista e são frequentes as incongruências. Temos que recordar que, na campanha eleitoral, Almeida Santos veio ao concelho e apoiou Fátima Felgueiras; em Março do corrente ano vieram ao concelho deputados socialistas dizer que não perdoavam a Fátima Felgueiras e que esta tinha sido expulsa por não merecer a confiança do partido. Em Abril, um conjunto de notáveis socialistas veio ao tribunal “abonar” Fátima Felgueiras, enaltecer-lhe qualidades e tecer-lhe rasgados elogios. Finalmente, na véspera da decisão judicial sobre o processo que envolve a Presidente de Câmara, tivemos a visita de um Secretário de Estado que foi recebido com pompa e circunstância nos Paços do Concelho.
Não podemos deixar de assinalar estas cumplicidades e coabitações num enredo de excomunhões e divórcios. É óbvio que depois de Fátima ter sido aprovada candidata à câmara de Felgueiras, ao mais alto nível pelo PS, ainda há muitos responsáveis socialistas que acreditam que a presidente continua a ser uma “força da natureza”. A memória dos socialistas é curta e certamente já não se recordam da fuga da sua autarca à justiça e do envolvimento de vários socialistas no processo “Saco Azul”. Provavelmente, nem se devem recordar que daqui a uma semana vai ser anunciada a sentença de um dos maiores escândalos na política portuguesa e que este envolveu destacadas figuras do PS.


PSD Felgueiras
30 de Outubro de 2008

domingo, outubro 26, 2008

Fígura ímpar de humanidade

Madeleine Cinquin
(Irmã Emmanuelle)
A semana que passou registou a morte de uma figura importante da actual Humanidade, Madeleine Cinquin, freira missionária e uma das figuras mais admiradas entre os franceses, em virtude de ter dedicado toda a sua vida a favor dos pobres mais pobres da sociedade, chegando até a viver ao lado deles. A radicalidade de Cristo! Faleceu a três semanas de completar 100 anos de idade.
Natural da Bélgica, era licenciada em Filosofia. Entrou para o convento aos 20 anos, tendo escolhido o nome Emmanuelle para a sua vocação, que quer dizer: "Deus connosco". Nos primeiros anos de religiosa, ministrou aulas na Turquia, Tunísia e Egipto. E foi precisamente na capital egípcia, no Cairo, que começou a desenvolver acções directas a favor dos mais desfavorecidos, ao ponto de chegar a viver paredes-meias, durante 20 anos, com mendigos e pobres dos bairros de lata. Regressou a França com 85 anos, mas a idade não lhe quebrou o favor apaixonado na defesa e emancipação social dos desventurados da vida, e, neste país, continuou a sua missão.
Emmanuelle tornou-se também conhecida pelo seu entusiasmo e pela frontalidade. João Paulo II dizia ter grande admiração pela missionária, mas esta não comungava com ele alguns pontos de vista. A religiosa defendia o casamento dos padres e a contracepção, falava sem dificuldade das suas crises de fé e chegou a pedir ao Vaticano que vendesse todos as riquezas para ajudar os pobres.
Quando se fala de Emmanuelle uma outra figura muito simpática entre os franceses nos vem à memória, que é o abade Pierre, falecido em Janeiro do ano passado, com 94 anos, fundador da Comunidade Emaús, "peregrino dos desfavorecidos", que pertenceu à Resistência Francesa na II Guerra Mundial, contra os nazis; foi amigo de Roger Garaudy, o filósofo francês que percorreu vários pensamentos ao longo da sua vida, relatados no seu emocionante livro "Viagem Solitária No Meu Século".
Emmanuelle e Pierre, ao invés de Teresa de Calcutá, não chegaram a receber o Prémio Nobel da Paz. A melhor homenagem que lhes podemos prestar será a de, independentemente do pensamento ideológico político e religioso de cada um, aprendermos a lição de que a resolução dos problemas humanos e sociais jamais se resolvem no topo da pirâmide, mas na base, ou seja, em comunhão com os mais desfavorecidos, mesmo que seja necessário comer com eles à mesa e dormir em seus aposentos, em bairros de lata.

terça-feira, outubro 21, 2008

PSD/Felgueiras emite nota à Comunicação Social

1. Derrama

Na última Assembleia Municipal, o deputado do grupo parlamentar do PSD desafiou a autarquia a não lançar derrama no corrente ano e considerou que se tal acontecesse seria um escândalo e altamente gravoso para a indústria concelhia.
Em 2007 o PSD contribuiu para "chumbar" a proposta de lançamento da derrama pela autarquia e defendeu recentemente que seria impensável aplicar taxas que penalizassem os empresários na actual crise económica e financeira que tem levado ao desespero os agentes económicos. Lançar a derrama seria contribuir para a falência de muitas empresas, para o aumento do desemprego concelhio e para a continuação da degradação abismal das economias familiares.
O PSD é um partido responsável, coerente e defensor intransigente dos felgueirenses. Consequentemente, só nos podemos congratular por esta proposta e pelo nosso contributo nos dois últimos anos para que os empresários tenham folgado da asfixia em que viviam mergulhados.

2. Orçamento de Estado 2009 - PIDDAC

O Governo apresentou a Lei do Orçamento para 2009 e, no que diz respeito ao Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central, Felgueiras foi contemplada com a verba de 355 mil euros, menos 1 milhão de euros do que o ano passado.
As obras incluídas são as mesmas do ano passado e dos anos anteriores. Algumas arrastam-se penosamente na lista de promessas de investimento central. Ano após ano os valores inscritos em PIDDAC diminuem e a maior parte dos investimentos anunciados nunca se concretiza: Centro de Emprego, Tribunal, Beneficiação EN 207, E.B. 2,3 de Pombeiro.
Assinalamos, mais uma vez, que a autarquia nunca assume uma posição de indignação, reclamando aquilo a que o concelho tem justamente direito. Ao longo deste mandato autárquico o investimento central no concelho é quase nulo! Felgueiras sofre do desinteresse do governo e da falta de capacidade reivindicativa da autarquia junto do poder central.



PIDDAC 2009
Centro de Emprego - 200,000
Extensão C.S. Serrinha - 42,674
E.B.2,3 de Felgueiras - 113,200
Total - Invesimento concelhio - 355,874



PIDDAC 2008
Centro de Emprego - 400.000
Extensões de Centros de Saúde - 610.766
E.B.2,3 de Felgueiras - 430.000
E.B.2,3 de Idães - 20.000
Total - Invesimento concelhia - 1.460.766



PIDDAC 2007
Centro de Emprego - 336.827
Tribunal - 350.000
Ampliação/Requalificação E.B. 2,3 - 200.000
Extensões de Centros de Saúde - 635.527
Beneficiação EN207 - 1.106.700
Total - Invesimento concelhio - 2.629.054


PIDDAC 2006
Redes Culturais - 4.589
Centro de Emprego - 7.500
Educação Pré-Escolar - 106.973
IPP - 1.621.093
Extensões de Centros de Saúde - 458.178
Beneficiação EN207 - 97.668
E.B. 2,3 de Pombeiro - 360.000
Total - Invesimento concelhio - 2.656.001

C.P. do PSD Felgueiras
21 de Outubro de 2008

domingo, outubro 19, 2008

Autárquicas

Rui Rio quer mandatos de 5 anos e dispersão de eleições

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, defendeu hoje que o cumprimento de qualquer mandato em cinco anos e a realização de eleições autárquicas em dias distintos tornaria o sistema político português mais «estável e genuíno»
«Penso que se deveria acabar com as eleições autárquicas todas no mesmo dia, porque, sendo dispersas, nunca têm uma leitura nacional», referiu o autarca social-democrata, durante o colóquio internacional O Sistema de Governo das Autarquias Locais, promovido pela Universidade Atlântico em Porto Salvo.

Para o responsável, a definição de um novo calendário para eleger os presidentes das Câmaras e Juntas de Freguesia permitiria reflectir mais profundamente sobre a situação de cada concelho e evitar situações como a demissão do primeiro-ministro, em casos de grande predominância da oposição nos municípios.

Para Rui Rio, também o estabelecimento do prazo de cinco anos para todos os mandatos em executivos e assembleias centrais e locais permitiria «melhorar a governabilidade à escala nacional» e impediria que houvesse «uma eleição todos os anos».

Durante a sua intervenção no colóquio, o autarca considerou prejudicial para o exercício da democracia que os presidentes de Câmara não possam remodelar o executivo ao longo de um mandato, por entender que as eventuais incompatibilidades com os vereadores tiram «eficácia» à gestão municipal.

«É negativo que uma equipa não possa ser reajustada, porque não acredito que em quatro anos, em 308 municípios, não haja incompatibilidades, portanto, é o presidente que tem de ter liberdade de gerir a equipa. Imagine-se se o Primeiro-Ministro não pudesse mudar nenhum ministro», afirmou.

«A liderança tem de ter autoridade», acrescentou.

Rui Rio referiu que o presidente da Câmara deve ser o cabeça de lista à Assembleia Municipal (para «não haver duas maiorias») e ter liberdade de escolher vereadores «na sociedade» ou na Assembleia, defendendo ainda, ao contrário de uma sua antiga posição, que os partidos da oposição devem integrar o executivo camarário.

«Temo que, na maior parte das Câmaras, se a oposição não estiver no executivo, deixe de haver reuniões e as actas passem a circular para serem assinadas. É preferível que a oposição esteja lá para garantir a fiscalização e um certo formalismo», disse.

O presidente da Câmara do Porto manifestou ainda a sua discordância com o direito de voto dos autarcas das Juntas de Freguesia nas Assembleias Municipais, sendo antes apologista de atribuir aos mesmos maior autonomia financeira.

Lusa, de hoje

quinta-feira, outubro 16, 2008

Cartas de Marcelo Caetano no exílio e leiloadas dia 25 "arrasam" Freitas do Amaral

No dia 25, no Hotel Fénix, em Lisboa, é leiloado um lote de cartas que Marcelo Caetano, exilado no Brasil depois do 25 de Abril, escreveu a um destinatário chamado António e à sua mãe

"Querido António", "caro António". Marcelo Caetano manteve durante vários anos uma correspondência regular com um jovem adulto, de direita, e com a sua mãe. Com o filho, Caetano discorre sobre a política e a sua mágoa com o país, com os partidos de direita - omnipresente nas cartas é o "desgosto" com o seu antigo discípulo Freitas do Amaral, então líder do CDS, referido imensas vezes.

"O Diogo era devoto de Salazar, amigo do presidente Tomás, de quem um tio era ajudante, ao ponto de ir preparar os seus exames para o Palácio de Belém! A revolução dos cravos foi sobretudo a derrocada do carácter dos portugueses. Que homem!" A carta em que Marcelo Caetano fala assim do seu antigo discípulo, Diogo Freitas do Amaral, é escrita a 13 de Abril de 1977, nove meses antes de o então presidente do CDS assinar o acordo com o PS de Mário Soares para o Governo.

O contexto é a expulsão de Galvão de Melo do CDS, que o ex-presidente do Conselho considera não ser justificada. "Não sei o que pensas do CDS", escreve Caetano a António, "para mim tem sido um desapontamento, como para a maioria das pessoas minhas conhecidas que a princípio acreditaram nele. E as atitudes do meu antigo discípulo - assistente Diogo do Amaral - na política e em relação a mim foram um dos maiores desgostos que neste período sofri." Continua Marcelo, invocando os "favores" de Salazar para com o pai de Freitas do Amaral: "O Galvão de Melo não será muito boa peça, mas o que ele disse não justificava de modo nenhum a reacção do CDS, presidido por um filho de um antigo secretário de Salazar que este beneficiou largamente."

Dias mais tarde, a 28 de Abril de 1977, Marcelo escreve novamente a António e concede, relativamente ao CDS, que "na verdade, no desgraçado panorama da política portuguesa actual, não há melhor".

"Quanto ao CDS, compreendo muito bem a tua posição (...). As minhas razões de desconsolo com o partido e de indignação com o presidente são pessoais. E infelizmente justificadíssimas. No ano passado estive muito mal de saúde com o desgosto que me deu o sr. Diogo do Amaral. Mas isso é coisa minha e vocês têm de se agarrar ao que houver de menos mau." Um mês depois, a 25 de Maio de 1977, em nova carta, o diagnóstico do ex-presidente do Conselho no exílio sobre a direita portuguesa será genericamente arrasador. "O que me impressiona no panorama político português actual é não ver ninguém com qualidades morais de liderança do País e sobretudo da chamada direita. Infelizmente conheço muito bem os Kaúlzas e os Adrianos Moreiras que tudo sacrificam à ambição do mando e tive um enorme desapontamento com o Diogo do Amaral. Do Galvão de Melo, simpatiquíssimo desmiolado que durante anos conheci fiel sustentáculo do salazarismo, nem se fala."

A 20 de Fevereiro de 1978, Marcelo sente-se aterrado com o pluripartidarismo. "Quanto à política portuguesa, ela só confirma o que durante anos dissemos sobre o regime de partidos nesse país. Há-de ser cada vez pior." Mas em 8 de Junho seguinte tem a "impressão de que a direita se está fragmentando inconvenientemente" e faz planos estratégicos. "Tudo haveria a ganhar em fundir o MIRN e a Democracia Cristã com nova chefia, embora os antigos chefes ficassem a apoiar. Assim, nenhum dos grupos poderá ganhar dimensão e força suficiente para se impor. Um novo partido, com gente nova à frente, estou convencido de que obteria grande êxito. O que aqui chega é um grande desencanto com o CDS e um veemente desejo de aparecimento de um partido moderno e eficaz que faça frente à esquerda. Muita gente actualmente inscrita no PSD também se juntaria a esse partido."

Este conjunto de 15 cartas e seis bilhetes, até agora desconhecidos do público, vai a leilão no dia 25, no Hotel Fénix, às 15.00, por iniciativa de Nuno Gonçalves, leiloeiro e livreiro.

O mistério da carta quase indecifrável de Salazar

Entre as várias peças que agora vão à praça está um bilhete de Salazar dirigido a Urbano Rodrigues

A letra de Oliveira Salazar é praticamente ilegível. Nuno Gonçalves vai levar a leilão no dia 25 deste mês, no Hotel Fénix, uma carta de Salazar, com a chancela do gabinete do presidente do Conselho, dirigida a um "senhor Urbano Rodrigues", jornalista. Está datada de 17 de Novembro de 1950.

É muito difícil conseguiu desbravar o conteúdo da comunicação de Oliveira Salazar ao jornalista Urbano Rodrigues. Aparentemente, e tanto quanto é possível decifrar, trata-se de uma reacção do chefe do Governo, satisfeita, a um artigo de jornal escrito por Urbano Rodrigues. A base de licitação deste conjunto de cartões do então "presidente do Conselho" são cem euros.

Mas existem muitas outras preciosidades apresentadas neste leilão: um álbum fotográfico de viagem de Hermenegildo Capelo, o oficial da Marinha Portuguesa que foi explorador em África e que participou com Roberto Ivens na travessia entre Angola e a costa do Índico; uma colecção completa da Ilustração Portuguesa.

Uma das peças mais notáveis que vão a leilão - e que estará em exposição a partir do dia 24, sexta-feira, das 15.00 às 23.00 - é um exemplar da revista de arte portuguesa KWY, que até hoje nunca foi a leilão. A KWY foi criada em Paris por Lourdes Castro e René Bertholo, que eram editores, impressores e distribuidores. Impressa em serigrafia, a revista durou 12 números, publicados em seis anos, e teve, entre os seus variadíssimos colaboradores, a pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. A base de licitação do exemplar é de 25 mil euros.

Num leilão com 542 lotes, há muitíssimo mais por onde "pegar". Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro, cartas de Miguel Bombarda (o médico psiquiatra republicano que foi assassinado por um doente no dia 5 de Outubro de 1910) a Ana de Castro Osório, em que tece elogios à acção propagandista de Ana de Castro Osório, em defesa da condição feminina. Também vão a leilão cartas de Manuel Arriaga a Ana de Castro Osório, datadas de 1906, em que o futuro presidente da República acusa a recepção do livro Às Mulheres Portuguesas, fazendo considerações em defesa do feminismo.
Diário de Notícias, de hoje

quarta-feira, outubro 15, 2008

Estimados leitores:
O prestigiado especialista de investigação criminal Dr. Barra da Costa deu-nos conhecimento, ontem, por e-mail, de uma carta que dirigiu ao Sr. Ministro da Justiça, com data do dia 7 do mês corrente, enviando-nos o teor da mesma, com documentação anexa.
Considerando tratar-se de assunto de interesse público, e sem tomarmos partido por nenhuma das partes que se opõem num processo judicial, o DIÁRIO DE FELGUEIRAS publica essa mesma carta bem como os referidos anexos.
Agradecemos ao Dr. Barra da Costa o envio da informação.
José Carlos Pereira

Excelentíssimo Senhor
Ministro da Justiça

Excelência

Na quinta-feira, 7 de Outubro de 2004, escrevi na então «minha» página semanal do jornal 24horas o texto que junto como «anexo A».
Passadas algumas semanas sobre essa denúncia pública a visada EMEL, Empresa Municipal de Estacionamento de Loures, apresentou queixa no Tribunal de Loures.
Acerca dos factos, entre outra documentação, foi elaborada uma participação de duas páginas - «anexo B» - pela Polícia de Segurança Pública de Loures, que na altura chamei à sede da dita EMEL em meu socorro e para desempenhar a sua legítima função de autoridade pública.
Acerca desta matéria e atenta a danosidade social produzida pela EMEL permiti-me juntar aos autos em apreço - 3492/04.5TALRS - alguns documentos que estavam afixados pela cidade de Loures, em locais e repartições públicos, e lojas de comércio, bem como abaixo-assinados enviados à Câmara Municipal de Loures e que me foram entretanto entregues por cidadãos anónimos, comerciantes e entidades colectivas - «anexos C, D, E, F».
Em consequência o caso foi julgado no 4º Juízo Criminal do Tribunal de Loures, presidido pela Meritíssima Juiz Ana Clara de Jesus Silva Serra Baptista. O signatário saiu absolvido das acusações que lhe tinham sido imputadas.
Prevendo este desfecho lógico, alguns funcionários da EMEL apresentaram no mesmo tribunal outra participação contra o signatário, tentando lavar uma honra que demorou muitas outras semanas a ser ofendida.
Em consequência dessa revanche resultou o processo 18/05.7TALRS, no final do qual o signatário veio a ser condenado no 2º juízo criminal de Loures pela juíza Maria Orlanda Pedro Silva Marques e, já agora e por ser verdade, pela procuradora-adjunta Maria Fernanda Jesus Tomé, na falta de coragem para estar presente do acusador inicial Rui Miguel Pereira Cardoso[1].
Sobre esse escarro jurídico já vários apontamentos foram publicados, designadamente no jornal Jornal de Notícias, nos dias 12.07. e 16.08, ambos do corrente ano – «Anexos G e H» - pelo que me dispenso de fazer qualquer outra consideração.
Aliás, não reconheço a este conjunto – à EMEL, atacando em matilha, e ao tribunal que me condenou pelas razões que são públicas e nada têm a ver com os falsos factos denunciados – qualquer autoridade, moral, mental e muito menos profissional para me atingirem na minha honra e dignidade pela forma como o quiseram e fizeram.
Por isso entro directamente no assunto que me traz a Vossa Excelência enquanto responsável pela Justiça.
Assim,
O tribunal de Loures, notificou-me nesta data por envio simples de correspondência – uma prática que resultou, por exemplo, quando foi preciso levar-me a julgamento sem sequer me notificar para a possibilidade de requerer a abertura de instrução - uma liquidação relativa aos autos em apreço - «Anexo I» .
O valor indicado para o total a pagar de custas é de 241,92 €.
Acontece que o mal que me foi feito não se resolverá nunca com operações desta natureza. Na verdade, o valor certo é de 480 €, isto porque fui também condenado em 5 UC. E se uma UC são 96€... viva a matemática já que o direito morreu.
Entendo perfeitamente, como sempre entendi, que vergonhas como as que acabei de relatar pesam na consciência, mas não é tentando comprar o meu silêncio e a minha revolta que se repõe a verdade dos factos. Primeiro, porque não me vendo, pelo menos por um preço destes; segundo, porque também não me sinto culpado da falta de inteligência de alguns para avaliar do sentido e alcance da minha condenação, por injusta.
Agradeço, por isso, através de Vossa Excelência, que os serviços competentes (!) me enviem uma nota para efectuar a liquidação que me é devida. Que pagarei, porque eu nunca quis ser perdoado, mesmo pelos erros que não cometo. Mas, que não reste a mais pequena dúvida de que cada um pagará os seus. Não será sem fundamento que o signatário vai esquecer que foi educado no princípio de que «quem não quer ser lobo não lhe veste a pele».
Finalmente,
não lhe peço JUSTIÇA, Senhor Ministro da Justiça.
Pela simples razão de que não tenho culpa de ter nascido neste paraíso criminal em que se transformou Portugal. Mas sempre lhe exijo – ainda tenho esse direito? - uma pátria que me mereça, a mim e a muitos outros cidadãos que querem continuar a temer mais a morte do que a injustiça.

Loures, 13 de Outubro de 2008

José Martins Barra da Costa

[1] Como diria o ilustre P.G.R., Dr. Pinto Monteiro, já em finais de 2007 ao jornal Correio da Manhã, “no Ministério Público quem investiga tem de acompanhar o julgamento. Uma sala de audiências é um espelho para o público em geral e, portanto, não pode aparecer alguém mal preparado”.

ANEXO A
(Barra da Costa, 24horas, 13.7.2004)
O BANDO DA EMEL

EMEL é o conjunto das iniciais das palavras Empresa Municipal de Estacionamento de Loures. Bandos são grupos de dimensão reduzida que não se integram no meio social, caracterizando-se pela partilha de padrões de comportamento (linguagem, símbolos e artefactos) e prática de desvios que suscitam a reacção da opinião pública e das autoridades, podendo apresentar síndroma pré-militar e ódio aos trabalhadores.
Neste caso, de manhã à noite, faça chuva ou sol, ora escondidos nos umbrais, ora dobrando as esquinas pela calada, percorrem com pés de veludo as calçadas, armados de vícios antigos, prontos a chupar o sangue dos condutores que estacionam a viatura e se esquecem de meter a moeda no parcómetro. Facultada a oportunidade, é vê-los avançar com ar sisudo e instalar o bloqueador na roda, para logo fugirem rápidos, deixando colado no vidro o aviso da cor de sangue fresco. Nada os prende à humanidade dos que produzem mais-valia. São os mordomos da Câmara, que os fez senhores à força, e de quem até a Polícia tem medo. Mandadores sem lei, dançam ainda sobre o gozo do sofrimento alheio depois de atraírem a vítima ao interior dos seus balcões efeminados.
Dezassete minutos foi quanto demorou esta semana um pai desde que estacionou o carro para receber a receita do médico até voltar da farmácia, após aviar o receituário para a filha. Mas como não meteu o dízimo, foi bloqueado. Protestou contra a indignidade do exagero. E por isso teve direito a um tempo de terror suplementar. E a criança acabou hospitalizada, porque o remédio chegou tarde demais. Como testemunha o registo 895/04 da PSP local.
As autarquias que resolveram “capitalizar” através destes métodos bem podem limpar as mãos à parede. A História ensina, aliás, que o cumprimento de certas leis não termina com o problema de consciência dos que se acobardam e se vendem à sua doutrina.
ANEXO G
(Barra da Costa, JN, 12.7.2008)
VIOLÊNCIA E TRIBUNAIS

No exercício da autoridade até há pouco só os polícias eram agredidos fisicamente. Com os episódios recentes das agressões a magistrados em funções, que igualmente repudio, o problema chegou aos tribunais.
Mas, há outros tipos de violência. Não falo do juiz Caldeira ou do delegado Melo dos tribunais plenários, num tempo de magistratura pouco democrática, em que alguns mais omnipotentes e «irresponsáveis» até assistiam ao espancamento dos réus pela polícia na sala de audiências.
Falo daqueles e daquelas que, hoje como dantes, não respondem perante ninguém. Porque ainda há quem chegue a julgamento sem que a acusação lhe tenha sido notificada, logo, sem ter podido exercer o direito de requerer a abertura de instrução. E há a advogada da comarca que sabe da nulidade insanável, que o réu não cala (conforme gravações), mas acobarda-se para que a juíza lhe deixe um dia vencer uma causa. E o procurador que atira a pedra e esconde a mão, deixando a uma colega o papel de advogada de acusação, quando, afinal, o MP nem é parte. E a juíza que sentenciou antes mesmo do julgamento acabar e impede o réu de falar no final das alegações, cortando-lhe o direito ao contraditório. E o inocente condenado por convicção, não pela prática do eventual crime de que é acusado mas por denunciar estas vergonhas no jornal ou na TV.
Esta violência não é física, mas estrutural (e dói mais do que uma bofetada). Uma e outra só se resolvem quando alguém reconhecer que não se pode ser complacente com bandidos. De qualquer tipo.
ANEXO H
(Barra da Costa, JN, 16.8.2008)
AS MOSCAS

Mesmo após a recente libertação pelo tribunal de Loures de um evadido, o ministro da Justiça defendeu que os dados não justificavam alterações ao último Código de Processo Penal (CPP).
Rui Cardoso, o sindicalista do MP que logo depois da publicação do CPP apareceu no telhado do dito tribunal a dizer que a segurança da comunidade fora colocada em causa, afrontou de novo o ministro atirando que há investigações comprometidas pelo atraso nas perícias.
Eu argumento que, qualquer que seja o CPP, a legalidade formal dos tribunais não se altera. A sua legitimidade substantiva é que se esvazia quando os cidadãos deixam de confiar num órgão que viola o Direito que os rege.
Quando o procurador Rui atira a pedra a um arguido (que nem teve direito a requerer a abertura de instrução) e esconde a mão, isto é, acusa e depois não comparece no julgamento, não é o CPP que anda mal. Quando Fernanda Tomé toma as dores do colega e se transforma em «advogada de acusação» contra o réu, cujo «crime» fora colocar no lugar um grupo conhecido por actuar em matilha - leia-se EMEL – não é o CPP que anda mal. Quando Orlanda Marques aceita que o MP seja parte e tenha um interesse contraposto ao réu, não pelos factos em julgamento, mas porque este afronta nos media algumas moscas, não é o CPP que anda mal. Quando a condenação resulta apenas da convicção da juíza e da credibilidade que esta nega ao réu, não é o CPP que anda mal. Mal anda quem não ouve o PGR: uma sala de audiências é um espelho para o público.

sábado, outubro 11, 2008

"A verdade sou eu", disse Fátima Felgueiras que garante não ter razões para se arrepender

Política, política e mais política. Fátima Felgueiras diz que as acusações de corrupção, peculato e abuso de poder de que foi alvo "não fazem qualquer sentido" e que tudo não passou de "uma tramóia política assente em mentiras e monstruosidades", que terá sido montada para ludibriar a justiça e com o único objectivo de a derrubar. "São matérias que habitualmente não são debatidas nos tribunais e, por isso, sempre estive convencida de que não chegaria aqui", disse ontem a autarca na última sessão do julgamento do caso do "saco azul" do Partido Socialista (PS), referindo-se ao facto de ter sido obrigada a sentar-se no banco dos réus.
A sessão estava exclusivamente destinada a dar a palavra final aos arguidos e Fátima Felgueiras não perdeu a oportunidade para dizer o que lhe vai na alma. Mais que rebater os factos ou contraditar os elementos da acusação, optou por um longo discurso de contornos políticos, ao longo do qual procurou desenvolver a tese da conspiração. No final, disse acreditar que "a decisão final só pode ser de total absolvição", até porque, concluiu: "Sobre os factos não pode haver duas versões, e a verdade sou eu".
Convicta de que a acção política não se pode perspectivar pelas mesmas regras e códigos que orientam a Justiça - daí afirmar a sua perplexidade perante a acusação -, procurou realçar a ideia de que os factos que lhe são imputados foram sempre praticados "no exercício do cargo e no interesse de Felgueiras e dos felgueirenses". Por isso, afirmou: "Não posso sentir ou mostrar qualquer arrependimento", acrescentando ter até "muito orgulho" por aquilo que tinha feito ao longo dos anos.
Segundo a tese desenvolvida pela autarca, a "falsa e mentirosa tramóia em que envolveram a justiça" terá sido "montada por Horácio Costa com a cobertura do cunhado, António Bra-gança, do irmão, Orlando Costa, e de Joaquim Freitas", todos movidos pela "sede de poder" e "sem olhar a
meios". Horácio Costa e Joaquim Freitas, recorde-se, foram os titulares da conta bancária que alimentou as finanças paralelas do PS local, enquanto Bragança desempenhou funções de chefe de gabinete de Fátima Felgueiras e Orlando Costa tinha assento na assembleia municipal.
Explicando que Horácio Costa tinha chegado à câmara através "de uma cunha do Bragança", que lhe pe-
diu para o "colocar como chefe da polícia municipal", Fátima Felgueiras desenvolveu a tese de que tudo fez para chegar depois ao lugar de presidente da câmara, pretendendo derrubá-la através das "calúnias e falsidades" com que foi "alimentando a teoria do escândalo", tanto na comunicação social como junto da Polícia Judiciária. "A PJ foi obrigada a investigar sobre matérias que não conhece, que não estava preparada", disse, acrescentando que "foi permanentemente enganada [a PJ] por uma versão falsa que lhe ia sendo dada a conta-gotas", de forma que, "quando foi investigar, já ia com a versão feita".
Segundo Fátima Felgueiras, a estratégia acabaria por dar resultados, porque ela era uma figura com destaque nacional e a imprensa estava predisposta "ao escândalo e ao estardalhaço". "Fizeram disto um me-
diatismo enorme pelo facto de eu ser mulher, de ser presidente da câmara e ser dirigente nacional", disse. E acrescentou: "Eu era, de facto, uma autarca-modelo, e acho que ainda hoje o sou, o que levava a que fosse também uma promoção para os membros do Governo virem cá a Felgueiras" .
A leitura da sentença ficou marcada para o dia 7 de Novembro.
Público, de hoje