quinta-feira, outubro 16, 2008

Cartas de Marcelo Caetano no exílio e leiloadas dia 25 "arrasam" Freitas do Amaral

No dia 25, no Hotel Fénix, em Lisboa, é leiloado um lote de cartas que Marcelo Caetano, exilado no Brasil depois do 25 de Abril, escreveu a um destinatário chamado António e à sua mãe

"Querido António", "caro António". Marcelo Caetano manteve durante vários anos uma correspondência regular com um jovem adulto, de direita, e com a sua mãe. Com o filho, Caetano discorre sobre a política e a sua mágoa com o país, com os partidos de direita - omnipresente nas cartas é o "desgosto" com o seu antigo discípulo Freitas do Amaral, então líder do CDS, referido imensas vezes.

"O Diogo era devoto de Salazar, amigo do presidente Tomás, de quem um tio era ajudante, ao ponto de ir preparar os seus exames para o Palácio de Belém! A revolução dos cravos foi sobretudo a derrocada do carácter dos portugueses. Que homem!" A carta em que Marcelo Caetano fala assim do seu antigo discípulo, Diogo Freitas do Amaral, é escrita a 13 de Abril de 1977, nove meses antes de o então presidente do CDS assinar o acordo com o PS de Mário Soares para o Governo.

O contexto é a expulsão de Galvão de Melo do CDS, que o ex-presidente do Conselho considera não ser justificada. "Não sei o que pensas do CDS", escreve Caetano a António, "para mim tem sido um desapontamento, como para a maioria das pessoas minhas conhecidas que a princípio acreditaram nele. E as atitudes do meu antigo discípulo - assistente Diogo do Amaral - na política e em relação a mim foram um dos maiores desgostos que neste período sofri." Continua Marcelo, invocando os "favores" de Salazar para com o pai de Freitas do Amaral: "O Galvão de Melo não será muito boa peça, mas o que ele disse não justificava de modo nenhum a reacção do CDS, presidido por um filho de um antigo secretário de Salazar que este beneficiou largamente."

Dias mais tarde, a 28 de Abril de 1977, Marcelo escreve novamente a António e concede, relativamente ao CDS, que "na verdade, no desgraçado panorama da política portuguesa actual, não há melhor".

"Quanto ao CDS, compreendo muito bem a tua posição (...). As minhas razões de desconsolo com o partido e de indignação com o presidente são pessoais. E infelizmente justificadíssimas. No ano passado estive muito mal de saúde com o desgosto que me deu o sr. Diogo do Amaral. Mas isso é coisa minha e vocês têm de se agarrar ao que houver de menos mau." Um mês depois, a 25 de Maio de 1977, em nova carta, o diagnóstico do ex-presidente do Conselho no exílio sobre a direita portuguesa será genericamente arrasador. "O que me impressiona no panorama político português actual é não ver ninguém com qualidades morais de liderança do País e sobretudo da chamada direita. Infelizmente conheço muito bem os Kaúlzas e os Adrianos Moreiras que tudo sacrificam à ambição do mando e tive um enorme desapontamento com o Diogo do Amaral. Do Galvão de Melo, simpatiquíssimo desmiolado que durante anos conheci fiel sustentáculo do salazarismo, nem se fala."

A 20 de Fevereiro de 1978, Marcelo sente-se aterrado com o pluripartidarismo. "Quanto à política portuguesa, ela só confirma o que durante anos dissemos sobre o regime de partidos nesse país. Há-de ser cada vez pior." Mas em 8 de Junho seguinte tem a "impressão de que a direita se está fragmentando inconvenientemente" e faz planos estratégicos. "Tudo haveria a ganhar em fundir o MIRN e a Democracia Cristã com nova chefia, embora os antigos chefes ficassem a apoiar. Assim, nenhum dos grupos poderá ganhar dimensão e força suficiente para se impor. Um novo partido, com gente nova à frente, estou convencido de que obteria grande êxito. O que aqui chega é um grande desencanto com o CDS e um veemente desejo de aparecimento de um partido moderno e eficaz que faça frente à esquerda. Muita gente actualmente inscrita no PSD também se juntaria a esse partido."

Este conjunto de 15 cartas e seis bilhetes, até agora desconhecidos do público, vai a leilão no dia 25, no Hotel Fénix, às 15.00, por iniciativa de Nuno Gonçalves, leiloeiro e livreiro.

O mistério da carta quase indecifrável de Salazar

Entre as várias peças que agora vão à praça está um bilhete de Salazar dirigido a Urbano Rodrigues

A letra de Oliveira Salazar é praticamente ilegível. Nuno Gonçalves vai levar a leilão no dia 25 deste mês, no Hotel Fénix, uma carta de Salazar, com a chancela do gabinete do presidente do Conselho, dirigida a um "senhor Urbano Rodrigues", jornalista. Está datada de 17 de Novembro de 1950.

É muito difícil conseguiu desbravar o conteúdo da comunicação de Oliveira Salazar ao jornalista Urbano Rodrigues. Aparentemente, e tanto quanto é possível decifrar, trata-se de uma reacção do chefe do Governo, satisfeita, a um artigo de jornal escrito por Urbano Rodrigues. A base de licitação deste conjunto de cartões do então "presidente do Conselho" são cem euros.

Mas existem muitas outras preciosidades apresentadas neste leilão: um álbum fotográfico de viagem de Hermenegildo Capelo, o oficial da Marinha Portuguesa que foi explorador em África e que participou com Roberto Ivens na travessia entre Angola e a costa do Índico; uma colecção completa da Ilustração Portuguesa.

Uma das peças mais notáveis que vão a leilão - e que estará em exposição a partir do dia 24, sexta-feira, das 15.00 às 23.00 - é um exemplar da revista de arte portuguesa KWY, que até hoje nunca foi a leilão. A KWY foi criada em Paris por Lourdes Castro e René Bertholo, que eram editores, impressores e distribuidores. Impressa em serigrafia, a revista durou 12 números, publicados em seis anos, e teve, entre os seus variadíssimos colaboradores, a pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. A base de licitação do exemplar é de 25 mil euros.

Num leilão com 542 lotes, há muitíssimo mais por onde "pegar". Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro, cartas de Miguel Bombarda (o médico psiquiatra republicano que foi assassinado por um doente no dia 5 de Outubro de 1910) a Ana de Castro Osório, em que tece elogios à acção propagandista de Ana de Castro Osório, em defesa da condição feminina. Também vão a leilão cartas de Manuel Arriaga a Ana de Castro Osório, datadas de 1906, em que o futuro presidente da República acusa a recepção do livro Às Mulheres Portuguesas, fazendo considerações em defesa do feminismo.
Diário de Notícias, de hoje

quarta-feira, outubro 15, 2008

Estimados leitores:
O prestigiado especialista de investigação criminal Dr. Barra da Costa deu-nos conhecimento, ontem, por e-mail, de uma carta que dirigiu ao Sr. Ministro da Justiça, com data do dia 7 do mês corrente, enviando-nos o teor da mesma, com documentação anexa.
Considerando tratar-se de assunto de interesse público, e sem tomarmos partido por nenhuma das partes que se opõem num processo judicial, o DIÁRIO DE FELGUEIRAS publica essa mesma carta bem como os referidos anexos.
Agradecemos ao Dr. Barra da Costa o envio da informação.
José Carlos Pereira

Excelentíssimo Senhor
Ministro da Justiça

Excelência

Na quinta-feira, 7 de Outubro de 2004, escrevi na então «minha» página semanal do jornal 24horas o texto que junto como «anexo A».
Passadas algumas semanas sobre essa denúncia pública a visada EMEL, Empresa Municipal de Estacionamento de Loures, apresentou queixa no Tribunal de Loures.
Acerca dos factos, entre outra documentação, foi elaborada uma participação de duas páginas - «anexo B» - pela Polícia de Segurança Pública de Loures, que na altura chamei à sede da dita EMEL em meu socorro e para desempenhar a sua legítima função de autoridade pública.
Acerca desta matéria e atenta a danosidade social produzida pela EMEL permiti-me juntar aos autos em apreço - 3492/04.5TALRS - alguns documentos que estavam afixados pela cidade de Loures, em locais e repartições públicos, e lojas de comércio, bem como abaixo-assinados enviados à Câmara Municipal de Loures e que me foram entretanto entregues por cidadãos anónimos, comerciantes e entidades colectivas - «anexos C, D, E, F».
Em consequência o caso foi julgado no 4º Juízo Criminal do Tribunal de Loures, presidido pela Meritíssima Juiz Ana Clara de Jesus Silva Serra Baptista. O signatário saiu absolvido das acusações que lhe tinham sido imputadas.
Prevendo este desfecho lógico, alguns funcionários da EMEL apresentaram no mesmo tribunal outra participação contra o signatário, tentando lavar uma honra que demorou muitas outras semanas a ser ofendida.
Em consequência dessa revanche resultou o processo 18/05.7TALRS, no final do qual o signatário veio a ser condenado no 2º juízo criminal de Loures pela juíza Maria Orlanda Pedro Silva Marques e, já agora e por ser verdade, pela procuradora-adjunta Maria Fernanda Jesus Tomé, na falta de coragem para estar presente do acusador inicial Rui Miguel Pereira Cardoso[1].
Sobre esse escarro jurídico já vários apontamentos foram publicados, designadamente no jornal Jornal de Notícias, nos dias 12.07. e 16.08, ambos do corrente ano – «Anexos G e H» - pelo que me dispenso de fazer qualquer outra consideração.
Aliás, não reconheço a este conjunto – à EMEL, atacando em matilha, e ao tribunal que me condenou pelas razões que são públicas e nada têm a ver com os falsos factos denunciados – qualquer autoridade, moral, mental e muito menos profissional para me atingirem na minha honra e dignidade pela forma como o quiseram e fizeram.
Por isso entro directamente no assunto que me traz a Vossa Excelência enquanto responsável pela Justiça.
Assim,
O tribunal de Loures, notificou-me nesta data por envio simples de correspondência – uma prática que resultou, por exemplo, quando foi preciso levar-me a julgamento sem sequer me notificar para a possibilidade de requerer a abertura de instrução - uma liquidação relativa aos autos em apreço - «Anexo I» .
O valor indicado para o total a pagar de custas é de 241,92 €.
Acontece que o mal que me foi feito não se resolverá nunca com operações desta natureza. Na verdade, o valor certo é de 480 €, isto porque fui também condenado em 5 UC. E se uma UC são 96€... viva a matemática já que o direito morreu.
Entendo perfeitamente, como sempre entendi, que vergonhas como as que acabei de relatar pesam na consciência, mas não é tentando comprar o meu silêncio e a minha revolta que se repõe a verdade dos factos. Primeiro, porque não me vendo, pelo menos por um preço destes; segundo, porque também não me sinto culpado da falta de inteligência de alguns para avaliar do sentido e alcance da minha condenação, por injusta.
Agradeço, por isso, através de Vossa Excelência, que os serviços competentes (!) me enviem uma nota para efectuar a liquidação que me é devida. Que pagarei, porque eu nunca quis ser perdoado, mesmo pelos erros que não cometo. Mas, que não reste a mais pequena dúvida de que cada um pagará os seus. Não será sem fundamento que o signatário vai esquecer que foi educado no princípio de que «quem não quer ser lobo não lhe veste a pele».
Finalmente,
não lhe peço JUSTIÇA, Senhor Ministro da Justiça.
Pela simples razão de que não tenho culpa de ter nascido neste paraíso criminal em que se transformou Portugal. Mas sempre lhe exijo – ainda tenho esse direito? - uma pátria que me mereça, a mim e a muitos outros cidadãos que querem continuar a temer mais a morte do que a injustiça.

Loures, 13 de Outubro de 2008

José Martins Barra da Costa

[1] Como diria o ilustre P.G.R., Dr. Pinto Monteiro, já em finais de 2007 ao jornal Correio da Manhã, “no Ministério Público quem investiga tem de acompanhar o julgamento. Uma sala de audiências é um espelho para o público em geral e, portanto, não pode aparecer alguém mal preparado”.

ANEXO A
(Barra da Costa, 24horas, 13.7.2004)
O BANDO DA EMEL

EMEL é o conjunto das iniciais das palavras Empresa Municipal de Estacionamento de Loures. Bandos são grupos de dimensão reduzida que não se integram no meio social, caracterizando-se pela partilha de padrões de comportamento (linguagem, símbolos e artefactos) e prática de desvios que suscitam a reacção da opinião pública e das autoridades, podendo apresentar síndroma pré-militar e ódio aos trabalhadores.
Neste caso, de manhã à noite, faça chuva ou sol, ora escondidos nos umbrais, ora dobrando as esquinas pela calada, percorrem com pés de veludo as calçadas, armados de vícios antigos, prontos a chupar o sangue dos condutores que estacionam a viatura e se esquecem de meter a moeda no parcómetro. Facultada a oportunidade, é vê-los avançar com ar sisudo e instalar o bloqueador na roda, para logo fugirem rápidos, deixando colado no vidro o aviso da cor de sangue fresco. Nada os prende à humanidade dos que produzem mais-valia. São os mordomos da Câmara, que os fez senhores à força, e de quem até a Polícia tem medo. Mandadores sem lei, dançam ainda sobre o gozo do sofrimento alheio depois de atraírem a vítima ao interior dos seus balcões efeminados.
Dezassete minutos foi quanto demorou esta semana um pai desde que estacionou o carro para receber a receita do médico até voltar da farmácia, após aviar o receituário para a filha. Mas como não meteu o dízimo, foi bloqueado. Protestou contra a indignidade do exagero. E por isso teve direito a um tempo de terror suplementar. E a criança acabou hospitalizada, porque o remédio chegou tarde demais. Como testemunha o registo 895/04 da PSP local.
As autarquias que resolveram “capitalizar” através destes métodos bem podem limpar as mãos à parede. A História ensina, aliás, que o cumprimento de certas leis não termina com o problema de consciência dos que se acobardam e se vendem à sua doutrina.
ANEXO G
(Barra da Costa, JN, 12.7.2008)
VIOLÊNCIA E TRIBUNAIS

No exercício da autoridade até há pouco só os polícias eram agredidos fisicamente. Com os episódios recentes das agressões a magistrados em funções, que igualmente repudio, o problema chegou aos tribunais.
Mas, há outros tipos de violência. Não falo do juiz Caldeira ou do delegado Melo dos tribunais plenários, num tempo de magistratura pouco democrática, em que alguns mais omnipotentes e «irresponsáveis» até assistiam ao espancamento dos réus pela polícia na sala de audiências.
Falo daqueles e daquelas que, hoje como dantes, não respondem perante ninguém. Porque ainda há quem chegue a julgamento sem que a acusação lhe tenha sido notificada, logo, sem ter podido exercer o direito de requerer a abertura de instrução. E há a advogada da comarca que sabe da nulidade insanável, que o réu não cala (conforme gravações), mas acobarda-se para que a juíza lhe deixe um dia vencer uma causa. E o procurador que atira a pedra e esconde a mão, deixando a uma colega o papel de advogada de acusação, quando, afinal, o MP nem é parte. E a juíza que sentenciou antes mesmo do julgamento acabar e impede o réu de falar no final das alegações, cortando-lhe o direito ao contraditório. E o inocente condenado por convicção, não pela prática do eventual crime de que é acusado mas por denunciar estas vergonhas no jornal ou na TV.
Esta violência não é física, mas estrutural (e dói mais do que uma bofetada). Uma e outra só se resolvem quando alguém reconhecer que não se pode ser complacente com bandidos. De qualquer tipo.
ANEXO H
(Barra da Costa, JN, 16.8.2008)
AS MOSCAS

Mesmo após a recente libertação pelo tribunal de Loures de um evadido, o ministro da Justiça defendeu que os dados não justificavam alterações ao último Código de Processo Penal (CPP).
Rui Cardoso, o sindicalista do MP que logo depois da publicação do CPP apareceu no telhado do dito tribunal a dizer que a segurança da comunidade fora colocada em causa, afrontou de novo o ministro atirando que há investigações comprometidas pelo atraso nas perícias.
Eu argumento que, qualquer que seja o CPP, a legalidade formal dos tribunais não se altera. A sua legitimidade substantiva é que se esvazia quando os cidadãos deixam de confiar num órgão que viola o Direito que os rege.
Quando o procurador Rui atira a pedra a um arguido (que nem teve direito a requerer a abertura de instrução) e esconde a mão, isto é, acusa e depois não comparece no julgamento, não é o CPP que anda mal. Quando Fernanda Tomé toma as dores do colega e se transforma em «advogada de acusação» contra o réu, cujo «crime» fora colocar no lugar um grupo conhecido por actuar em matilha - leia-se EMEL – não é o CPP que anda mal. Quando Orlanda Marques aceita que o MP seja parte e tenha um interesse contraposto ao réu, não pelos factos em julgamento, mas porque este afronta nos media algumas moscas, não é o CPP que anda mal. Quando a condenação resulta apenas da convicção da juíza e da credibilidade que esta nega ao réu, não é o CPP que anda mal. Mal anda quem não ouve o PGR: uma sala de audiências é um espelho para o público.

sábado, outubro 11, 2008

"A verdade sou eu", disse Fátima Felgueiras que garante não ter razões para se arrepender

Política, política e mais política. Fátima Felgueiras diz que as acusações de corrupção, peculato e abuso de poder de que foi alvo "não fazem qualquer sentido" e que tudo não passou de "uma tramóia política assente em mentiras e monstruosidades", que terá sido montada para ludibriar a justiça e com o único objectivo de a derrubar. "São matérias que habitualmente não são debatidas nos tribunais e, por isso, sempre estive convencida de que não chegaria aqui", disse ontem a autarca na última sessão do julgamento do caso do "saco azul" do Partido Socialista (PS), referindo-se ao facto de ter sido obrigada a sentar-se no banco dos réus.
A sessão estava exclusivamente destinada a dar a palavra final aos arguidos e Fátima Felgueiras não perdeu a oportunidade para dizer o que lhe vai na alma. Mais que rebater os factos ou contraditar os elementos da acusação, optou por um longo discurso de contornos políticos, ao longo do qual procurou desenvolver a tese da conspiração. No final, disse acreditar que "a decisão final só pode ser de total absolvição", até porque, concluiu: "Sobre os factos não pode haver duas versões, e a verdade sou eu".
Convicta de que a acção política não se pode perspectivar pelas mesmas regras e códigos que orientam a Justiça - daí afirmar a sua perplexidade perante a acusação -, procurou realçar a ideia de que os factos que lhe são imputados foram sempre praticados "no exercício do cargo e no interesse de Felgueiras e dos felgueirenses". Por isso, afirmou: "Não posso sentir ou mostrar qualquer arrependimento", acrescentando ter até "muito orgulho" por aquilo que tinha feito ao longo dos anos.
Segundo a tese desenvolvida pela autarca, a "falsa e mentirosa tramóia em que envolveram a justiça" terá sido "montada por Horácio Costa com a cobertura do cunhado, António Bra-gança, do irmão, Orlando Costa, e de Joaquim Freitas", todos movidos pela "sede de poder" e "sem olhar a
meios". Horácio Costa e Joaquim Freitas, recorde-se, foram os titulares da conta bancária que alimentou as finanças paralelas do PS local, enquanto Bragança desempenhou funções de chefe de gabinete de Fátima Felgueiras e Orlando Costa tinha assento na assembleia municipal.
Explicando que Horácio Costa tinha chegado à câmara através "de uma cunha do Bragança", que lhe pe-
diu para o "colocar como chefe da polícia municipal", Fátima Felgueiras desenvolveu a tese de que tudo fez para chegar depois ao lugar de presidente da câmara, pretendendo derrubá-la através das "calúnias e falsidades" com que foi "alimentando a teoria do escândalo", tanto na comunicação social como junto da Polícia Judiciária. "A PJ foi obrigada a investigar sobre matérias que não conhece, que não estava preparada", disse, acrescentando que "foi permanentemente enganada [a PJ] por uma versão falsa que lhe ia sendo dada a conta-gotas", de forma que, "quando foi investigar, já ia com a versão feita".
Segundo Fátima Felgueiras, a estratégia acabaria por dar resultados, porque ela era uma figura com destaque nacional e a imprensa estava predisposta "ao escândalo e ao estardalhaço". "Fizeram disto um me-
diatismo enorme pelo facto de eu ser mulher, de ser presidente da câmara e ser dirigente nacional", disse. E acrescentou: "Eu era, de facto, uma autarca-modelo, e acho que ainda hoje o sou, o que levava a que fosse também uma promoção para os membros do Governo virem cá a Felgueiras" .
A leitura da sentença ficou marcada para o dia 7 de Novembro.
Público, de hoje

domingo, setembro 28, 2008

PSD/Felgueiras denuncia, em comunicado, estado dos equipamentos escolares do concelho

COMUNICADO

Convictos de que a educação é um poderoso motor do desenvolvimento social, constatamos, e julgamos que é do conhecimento geral, que a educação em Felgueiras sofre de várias lacunas e que a autarquia nos últimos anos não investiu devidamente nesta área.
As escolas do 1º ciclo, na generalidade, não oferecem condições: são antigas e degradadas, têm falta de segurança, não oferecem conforto nem espaços para a prática desportiva, para refeições, bibliotecas e faltam funcionários.
As escolas do 2º e 3º ciclos e Secundárias estão completamente sobrelotadas com taxas de ocupação na ordem dos 150%. A última escola que se construí foi há 7 anos, apesar de muitas promessas sobre a construção de novas escolas. Esta situação revela falta de planeamento da autarquia que não soube ou não foi capaz de captar investimento junto do poder central.
A situação é problemática, mas ficámos estupefactos ao saber que na Escola E.B. 2,3 D. Manuel Faria e Sousa algumas turmas vão ser instaladas em contentores e há aulas leccionadas ao ar livre por falta de espaço.
O que mais nos indigna é que os concelhos vizinhos não sofrem destes constrangimentos porque a educação é uma prioridade, tal como em outras áreas.
Não podemos admitir que as Actividades de Enriquecimento Curricular ainda não estejam a funcionar, que a autarquia não esteja a cumprir a legislação sobre subsídios escolares no 1º ciclo, em claro prejuízo das famílias, que haja pais a pagar 140€ para terem filhos em creches públicas de menor qualidade que as privadas e mais caras. Não podemos admitir a incapacidade da câmara nos últimos 2 anos em garantir aulas de Inglês para todos, famílias a pagar no pré-escolar o apoio à família com pouca qualidade de serviços e sem direito a actividade física nas piscinas municipais.
Lamentamos que a Presidente se desloque ao concelho vizinho de Lousada para assistir à inauguração de Centros Escolares por parte do Primeiro-Ministro e da Ministra da Educação, mas compreendemos que a sua febre de inaugurações é grande porque não tem nenhuma obra para inaugurar no nosso concelho. Enquanto outros concelhos modernizaram escolas, construíram Centros Escolares e os inauguraram, em Felgueiras está tudo atrasado.
O PSD aprovou o Orçamento para permitir as candidaturas ao QREN para as novas escolas e para defender as freguesias. Recentemente viabilizou a contracção de um empréstimo que permita a construção destas escolas, com reservas, não pelas escolas, mas pela falta de capacidade política da Presidente em concretizar obra e porque temos muitos exemplos em como a autarquia gasta muito e mal! Se há matéria que preocupa o PSD e em que temos sido colaborantes é na Educação.
Não chega prometer mais escolas e mais equipamentos, é necessário criar as condições para que os nossos filhos tenham uma educação e formação compatíveis com os níveis de exigência dos nossos dias, porque se os que a têm sentem dificuldades em resolver os respectivos problemas, nomeadamente emprego, muito mais sentem os que não a têm.
È, por isso, fundamental apostar na melhoria dos transportes escolares e o reforço das condições de segurança dos nossos alunos, o apoio à realização de actividades das escolas, apoio com meios materiais e equipamentos, aposta clara no apoio às famílias fornecendo os matérias e livros aos alunos do 1º ciclo, reforço do número de funcionários nas escolas para garantir a segurança das escolas. Só assim a câmara se poderá transformar num parceiro das escolas e promover melhor educação para os felgueirenses.

PSD Felgueiras
25 de Setembro de 2008

Felgueiras na Festa do Marisco, na Galiza


Felgueiras é o concelho que este ano vai representar Portugal, no próximo dia 4, na Festa do Marisco no município galego de Grove, que se realiza há 45 anos. Grove é uma península onde a pesca e a confecção do marisco são a maior actividade económica
Fátima Felgueiras, presidente da Câmara de Felgueiras, e José Rico, alcaide de Grove, promoveram, na passada quinta-feira, no monte de Santa Quitéria, um encontro com jornalistas e com representantes de vinhos verdes da região felgueirense.
“A Festa do Marisco é o maior encontro gastronómico de Espanha, o ano passado tivemos 180 mil visitantes. Todos os anos dedicamos um dia a Portugal. Este ano escolhemos Felgueiras, porque se trata de uma região donde saia bom vinho verde, que, na mesa, é sempre uma boa companhia para o marisco” – disse o alcaide
Fátima Felgueiras, reiterando as palavras do seu congénere, deu ênfase ao intercâmbio. “No âmbito da Rota do Românico, onde se insere o Mosteiro de Pombeiro, Felgueiras tem uma variedade de produtos que podem ser ainda mais divulgados: não só o pão-de-ló, mas os vinhos verdes, cavacas e lérias” – referiu a edil.

quinta-feira, julho 17, 2008

Convite

A organização das Comemorações do V Aniversário da Vila da Longra (Felgueiras) - levadas a efeito pela Casa do Povo local e pelas Juntas de Freguesia de Rande, Pedreira e Sernande -, tem a honra de propor a todas as famílias do concelho e de fora para possibilidade de passarem um serão de Verão muito agradável, no próximo sábado, dia 19, pelas 21,30 horas, na Sala de Espectáculos da Casa do Povo, em que a prestigiada banda Hyubris irá dar um magnífico concerto de música multifaceda, ou seja, de vários estilos. A entrada é livre.
Assim, e porque entendemos que há propósitos e estilos artístico-culturais alternativos (que não sejam a "pimbalhada" dominante), reiteramos o convite, deixando texto e cartaz alusivos.
Os cibernarnautas que que quiserem saber mais sobre esta banda, poderão consultar o blogue Jornal Vila da Longra (onde constam vídeos do grupo). O endereço é o seguinte:
http://jornalviladalongra.blogspot.com/
Deixamos também o endereço do site do grupo: http: http://www.hyubris.com/
A organização
Promete ser um grande espectáculo musical, de vários estilos, o concerto que a banda Hyubris vai dar no próximo sábado, pelas 21,30 horas, na Sala de Espectáculos da Casa do Povo da Longra, no âmbito das comemorações do quinto aniversário daquela vila, realizadas pela Casa do Povo local e as Juntas de Freguesia de Rande, Pedreira e Sernande. A entrada para o espectáculo é livre.
Apesar de não ser popularmente conhecida, esta banda, com um público mais urbano, é reconhecida pela crítica pelos seus aspectos inovadores na música. Tem cantado muitas vezes nas FNAC's; já participou em programas televisivos, como, por exemplo, "Portugal no Coração". A multiplicidade de temas e estilos, em que, entre outras vertentes estéticas, a "música tradicional portuguesa se confunde com a céltica" – como refere Paulo Delgado, porta-voz do grupo –, permite que a banda realize um espectáculo de duas horas sem que este se mostre fastidioso ao público. "Somos um grupo de inspiração céltica, mas, modestamente digo, temos tido a capacidade de a misturar com as mais diversas experiências musicais do globo" – conclui o porta-voz.
A banda formou-se há 10 anos, com a designação "Lupakajojo", que eram as iniciais dos seus integrantes. Juntos, exploravam o heavy-metal. Em 2001 operaram uma mudança e continuaram a aventura, mas deram um novo nome à banda, ''Hyubris', que, traduzindo do Grego, quer dizer: "desafio aos deuses''. Com a integração de Filipa Mota na banda, como vocalista, surgiu a flauta na sonoridade do grupo, constituído por cinco elementos masculinos e um feminino.
Esta é a segunda vez que os Hyubris actuam na Longra. A primeira foi a 3 de Fevereiro do ano passado, aquando da homenagem nacional a Zeca Afonso, em que o grupo se destacou com a sua versão da "Canção de Embalar".

quinta-feira, junho 19, 2008

Movimento Salvar o Edifício da Câmara de Felgueiras | Primeira conferência de imprensa

Antecipadamente, desde já, endereço os meus respeitosos cumprimentos.
Na qualidade de 1.º subscritor do movimento cívico “Salvar o Edifício da Câmara de Felgueiras”, fundado há dias pelos cidadãos abaixo mencionados, venho convidar esse prestigiado Órgão de Informação para estar presente na primeira conferência de imprensa deste movimento, na próxima SEXTA-FEIRA, DIA 20, PELAS 19 HORAS, dada a gravidade da situação que actualmente se vive em Felgueiras.
Foi por decisão (infeliz) do Executivo da Câmara de Felgueiras proceder a uma desastrosa ampliação e profunda alteração do edifício dos Paços do Concelho, com 50 anos de existência, sendo este o verdadeiro ex-líbris da terra e um dos mais belos e singulares exemplares arquitectónicos da região. Estas obras, se não forem impedidas, irão descaracterizar e assassinar arquitectonicamente aquele monumento bem como a paisagem urbanística envolvente.
Como tal, urge uma tomada de posição dos felgueirenses, numa ampla acção de intervenção cívica, com mero espírito de cidadania, a favor do património púbico por excelência. É a hora de todos os felgueirenses, independentemente das opções ideológicas de cada um, darem as mãos para impedir que se cometa este autêntico crime de lesa-concelho.
Gostaria de referir e deixar bem claro que este movimento não tem qualquer conotação partidária e visa exclusivamente um único objectivo: não permitir a destruição dos Paços do Concelho. O movimento é composto por pessoas de várias sensibilidades políticas, independentes, intelectuais, médicos, empresários, funcionários públicos, operários, professores, sindicalistas, etc, etc… É, portanto, um movimento meramente cívico. Os membros fundadores são, entre outros: Francisco Cunha (médico), Júlio Antunes (metalúrgico), Rui Brochado (empregado de escritório), Santos Pinho (professor), José Carlos Pereira (escritor e jornalista), Manuel Teixeira (bancário), Paulo Ribeiro (empresário), Jorge Fonseca (empresário), Mário Pereira (topografo), Eduardo Teixeira (empresário), Luís Carlos Antunes (ourives), Teixeira Gomes (operário), Inácio Ribeiro (economista), Manuel Silvério (operário) e Cândido Gonçalves (professor).
Assim sendo, reitero o convite e os cumprimentos formulados.

O 1.º subscritor do movimento
“Salvar o Edifício da Câmara de Felgueiras”

(Francisco Cunha, Dr.)
Contactos: Telemóveis 967024470 e 918103632
E-mail: salvaredificiocamarafelgueiras@gmail.com