sexta-feira, abril 27, 2007

Longra leva à cena “O Incorruptível”, de Hélder Costa


Vai ser levada à cena, amanhã, sábado, pelas 21,30 horas, na sala de espectáculos da Casa do Povo da Longra (CP Longra), a peça de teatro “O Incorruptível”, do conhecido encenador Hélder Costa, pelo actor profissional Gil Filipe.

Hélder Costa, sobre esta peça, refere: "Trata-se de uma sátira sobre o mundo contemporâneo através de um personagem único: um politico que quer ser corrupto, que tem a infelicidade de ninguém o convidar para esses altíssimos negócios, assim se transformando – contra sua vontade e sofrendo o desprezo de familiares, amigos e correligionários - num incorruptível."

Algures neste "jardim à beira mar plantado" acontece o drama, o horror, a tragédia de um político profissional que não consegue ser corrupto.

O preço do bilhete é 3 euros apenas; grátis para menores até aos 12 anos.

Este evento integra-se no programa da semana cultural “Viver em Liberdade”, promovida pela CP Longra e comemorativa da Revolução dos Cravos.

Amanhã, de tarde, haverá lugar a um debate sobre a Guerra Colonial, em que participarão Jorge Ribeiro (ex-jornalista do JN e autor de romances de guerra), padre Mário de Oliveira (ex-capelão militar), Paulo Esperança (ex-activista estudantil, membro da Associação José Afonso e do Tribunal Mundial sobre o Iraque), Anquives de Carvalho (da Associação dos Deficientes das Forças Armadas) e Aurora Brochado (artista plástica), entre outros.

No dia 1 de Maio, último dia de festas, realizar-se-á, de tarde, uma sessão de trabalho para crianças, com Fausto Quintas (escritor).

Foi um grande espectáculo musical, de 3 horas, o da Vila da Longra no dia 25 de Abril



O grupo de fados e baladas "Memórias de Coimbra"















Paulo Alão, antigo colega e amigo de Zeca e Adriano



Parte da exposição de Aurora Brochado

Foi uma tarde maravilhosa, a da do Dia da Liberdade na Vila da Longra, em Felgueiras!


A Casa do Povo abriu, nesse dia, a semana cultural “Viver em Liberdade”, recheada de iniciativas, que só terminam no dia 1 de Maio.


Pelas 16 horas, no Salão Nobre da Casa do Povo, foi inaugurada uma exposição (instalação) de Aurora Brochado inspirada na Guerra Colonial, acto ao qual aderiram muitas pessoas, entre as quais muitos jovens. Aurora Brochado é uma jovem de Felgueiras, licenciada em Artes Plásticas. Trata-se de uma instalação de arte contemporânea com serigrafias, litografias e em vinil. Vale a pena ir visitá-la!


Meia hora depois, assistiu-se a um espectáculo musical de grande qualidade, que foi um verdadeiro Tributo à Canção de Coimbra, evento que contou com meia casa, o que, para a direcção da Casa do Povo, foi um bom objectivo alcançado.


Cristiana Rodrigues iniciou o espectáculo ao declamar o texto “Rosas Vermelhas”, de Manuel Alegre, seguindo-se o grupo de fados e baladas da Casa do Povo da Longra. O grupo de estudantes da Escola Superior Tecnologia e Gestão de Felgueiras entrou de seguida, tendo interpretado temas de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Carlos Paredes.


Como figura de cartaz, o grupo “Memórias de Coimbra” enriqueceu muito o espectáculo, que, ao todo, durou três horas, com os presentes a não arredarem pé.


Foi, de facto, um Tributo à Canção de Coimbra. O grupo de antigos estudantes e cantores de Coimbra – Paulo Alão, Fernando Silva, Carlos Alberto Pereira, Adelino Miguel e Mário Gouveia – encantaram, tendo tocado cerca de 15 temas, de Edmundo de Bettencourt, temas da família Paredes – Gonçalo Paredes (avô), Artur Paredes (pai) e Carlos Paredes (filho) –, Luiz Goes, Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, entre outros.


Paulo Alão, um dos cinco elementos do grupo de fados, foi colega e amigo de Adriano e José Afonso, tendo-os acompanhado em espectáculos e gravado até com eles temas musicais. No espectáculo, emocionou-se ao falar destes seus dois bons amigos.





Comemorações do 25 de Abril


O Núcleo do Norte da Associação José Afonso participou, no dia 25 de Abril, no desfile da Liberdade no Porto, que é promovido anualmente por várias organizações.

quinta-feira, abril 26, 2007

PS homenageou nove militantes



O PS/Felgueiras, pela primeira vez na sua história, homenageou os militantes vivos mais antigos, com 25 anos ou mais de filiação partidária, que, actualmente, são nove.
O acto decorreu no anual jantar comemorativo do 25 de Abril, que juntou largas centenas de pessoas, em que se comemorou também o 1.º aniversário da actual direcção partidária, liderada por Eduardo Bragança.
No evento, foi dada a palavra a todos quantos se quiseram inscrever: discursaram dirigentes, militantes, simpatizantes, independentes e autarcas.

sexta-feira, abril 20, 2007

Correio dos leitores

BOMBEIROS DA LIXA ESTÃO A RECUPERAR DE ACIDENTE…MAS PRECISAM DE AJUDA…

São muitas as pessoas que se têm preocupado e que têm acompanhado a recuperação dos Bombeiros que sofreram o acidente na Rotunda da Av. da Republica, na Lixa, mesmo junto ao Quartel, desde pessoas que ocupam cargos políticos, desempenham funções públicas, colegas de outras Corporações e mesmo pessoas anónimas.


Os 6 Bombeiros feridos estão bem e a recuperar das mazelas sofridas.


Contudo, há sempre gente com cargos e em lugares de destaque como responsáveis pelas Instituições pertencentes à Protecção Civil, que ao que sei nem se dignaram sequer fazer um telefonema, nem tão pouco a escrever duas linhas a esta Corporação para se inteirarem da situação. Concerteza não foi por falta de informação do ocorrido, pois este acidente chegou a ser notícia de abertura nos telejornais, infelizmente.


Tenho notado que, quando são precisos os serviços dos Bombeiros Voluntários da Lixa, esses notáveis, sabem sempre a que porta bater para serem servidos.


Com a devida vénia, eu informo-os do ponto da situação então:

- Seis Bombeiros da Lixa ficaram feridos num acidente, quando regressavam de uma instrução prática para melhorar a sua qualidade de prestação de socorro.

- Uma viatura, quase nova, específica para o combate a fogos florestais, está inoperacional e a sua recuperação é possível mas dispendiosa.

- A época dos fogos florestais está à porta, e os Bombeiros da Lixa têm menos uma viatura, o que dificulta o seu trabalho e acção.

- Sei que a Direcção e Comando dos Bombeiros da Lixa, estão a reunir esforços para avançar com a recuperação da viatura mas também sei que vão precisar de ajuda monetária, de valor significativo.

- Quando o “azar” bater à porta, e aos Bombeiros que a população vai pedir ajuda.
Já agora eu pergunto:

Já não é tempo de “irmos” ao encontro daquela Corporação e todos juntos ajudarmos a resolver este problema que afinal a todos nós diz respeito?


Aqui deixo o meu parecer, na esperança que esta “amnésia” não continue.
Ficam também estas reflexões:

Lembra-te que nunca podes alterar aquilo que te acontece.
Se não gostas de certas coisas na tua vida, procura primeiro mudar o modo como olhas para elas.”

(Lisa Engelhardt)


“O trabalho voluntário não é só uma bênção para quem o recebe, mas também uma enorme fonte de satisfação e crescimento para quem o dá.
Procura ajudar os outros e faz do teu pequeno mundo um melhor local para se viver.”

(Daniel Grippo)


Lixa, 16 de Abril de 2007


José Carlos Lopes (Lixa)

domingo, abril 15, 2007

25 de Abril na Longra (Felgueiras)

Salazar é que está a dar

Fonte: semanário "Expresso"





O homem não bebia, não fumava e era bem apessoado. Penteado de risco ao lado, gravata, um perfil adunco disfarçado pelas sombras do olhar, entre o manhoso e o matreiro, o sagaz e o perspicaz. Manhoso é matreiro e sagaz é perspicaz. Apliquem-se adjectivos de significado único e finjam-se distintos e múltiplos, foi esse o truque de Salazar. Havia um Parlamento, era dele, era um Parlamento. Havia eleições, eram dele, eram eleições. No tempo dele não havia escândalo nem corrupção porque não havia quem os denunciasse nem imprensa que os publicasse, a PIDE e a Censura vigiavam, e o salazarismo passou como um período ideal, autoritariamente ideal, em que os homens políticos eram limpos e defendiam o império, governavam e não se governavam. E aquilo dos Ballets Rose murmurou-se nos corredores e salões como uma anedota distante, tão distante como África e as histórias das mulheres dos sobas ou as lendas das cabeças empaladas dos pretos. Os canibais andavam por aí, nas casas grandes e sanzalas do Restelo, do Estoril, de Sintra, dos lugares chiques onde moravam os ricos e poderosos. E Portugal era grande, assente sobre um povo escravo e analfabeto, trémulo e rapado. Sem ofensa. Um Portugal construído sobre pilares de medo em que se temia tudo, o padre que arrecadava confissões e adultérios, o marido que batia na mulher, o vizinho do lado que era pide, o colega de escola que batia nos outros e carteava um trunfo de pai-ministro, o polícia que usava a farda para comprar fiado. E como todos eram muito pobres, comprava-se açúcar amarelo a prestações, e Omo, e marmelada, e iogurte, e bolachas torradas, luxos. A taberna não fiava. No país das meias-tintas calçávamos meias-solas fiadas no sapateiro, e a vida era vivida a prestações e cobrada aos fins de mês, a data histórica do ano. Ao-fim-do-mês-pago, e as criadas contavam das patroas que dormiam com os credores para adoçar a dívida, uma prostituição muito consentida visto que as mulheres, naquele tempo, ou eram mães ou eram putas. As que não casavam era freiras ou madrinhas-de-guerra. As do regime eram do Movimento Nacional Feminino, instituição de caridade montada com laca de cabelo. As mães mandavam os meninos para a guerra nas colónias em barcos imensos e recebiam cabogramas anunciando a morte. Mais as lágrimas do Natal do Soldado que eram espectáculo de televisão. Para as minhas mulheres, mães, madrinhas, noivas e demais família um Natal muito feliz e com muitas propriedades. Os mais letrados riam-se muito dos soldadinhos de chumbo, broncos que nem sabiam soletrar prosperidades. O povinho era assim e não se lhe podia dar o voto, acabaria por estragá-lo, Deus e o Cardeal Cerejeira nos livrem. Os valentes soldados Silvas nunca mandavam propriedades para as filhas porque não tinham chegado a tê-las, rapazes de mama atirados para o mato com uma espingarda nas mãos por amor à pátria. A pátria devolvia o cadáver. Os que morreram nem chegaram a saber por que tinham morrido. E os que não morreram e ficaram sem olhos, sem mãos, sem pernas, sem juízo, nunca chegaram a ser lembrados pela pátria madrasta. As mães e viúvas de negro choravam nas campas dos cemitérios de aldeia, os homens tiravam respeitosamente o chapéu, e depois tudo se sepultava no esquecimento. Os filhos dos ricos e dos poderosos eram «dispensados» da tropa, e os filhos da burguesia fugiam para os cafés de Paris e o «estrangeiro». O fascismo nunca existiu. Alguns deles, alguns, foram dar com o rabo sentado na selva e começaram a perguntar: que faço eu aqui? Alguns deles tiveram a coragem de fazer uma revolução. Salazar morreu no conforto da cama e da manta e da governanta antes de constatar a heresia do 25 de Abril e o cheiro dos cravos. Os herdeiros foram para o Brasil dar aulas na universidade e os pides foram recuperados para a sociedade porque somos assim, um país de brandos costumes onde nunca há mortos e feridos e ninguém há-de escapar. A guerra de África? Aquilo era lá longe, e não havia televisão, nem fotografias, nem relatos dos massacres. Nem liberdade. E Salazar é que sabia, Salazar é que mandava. Nas escolas, nós, servos descendentes de reis e heróis do mar, de padeiras e assassinos, de sonhadores e magos, nós Pessoas geniais iguais umas às outras, gritávamos obedientes, Salazar, Salazar, Salazar! De mãozinha esticada. Aquilo fazia lembrar Hitler e a II Guerra de que o chefe nos tinha defendido, a honra de não ter combatido o nazismo com os Aliados e ter jogado com um pau de dois bicos, o coração nas Potências do Eixo, a cabeça na geografia atlântica. Era preciso poupar o cais e o apeadeiro chamados Portugal. Arlequim que serve a dois amos, eis a essência da nossa alma. E Vocelências que me desculpem, que já vou saindo desta crónica de cachaço rente ao chão e pela porta de serviço. Sem ofensa.



Nota: Vai estrear no Villaret um Salazar, the Musical e a Casa de Garrett, o Teatro Nacional D. Maria II, vai estrear a 24 de Abril uma peça de um dramaturgo de Badajoz que teve a sua primeira encenação em Idanha-a-Nova chamada Férias com Salazar. Ou coisa assim. Como o livrinho da Garnier. Espero que se divirtam e vendam muitos bilhetes. Aproveitem que isto é que está a dar.

sábado, abril 14, 2007

Provas do "saco azul" andam desaparecidas




Terão desaparecido provas documentais no âmbito do processo do "saco azul" entregue pelo denunciante Horácio Costa, em Julho de 2000, na Polícia Judiciária (PJ). Ontem, no julgamento, o juiz e o procurador disseram que não possuem alguns documentos e, por isso, garantiram que vão contactar a PJ.



Ao JN, Horácio Costa disse que tem um auto de entrega de um envelope da Assembleia da República, um "post-it" com um manuscrito de Júlio Faria e uma pasta. O próprio Horácio e o seu advogado, segundo fonte policial, estiveram ontem na PJ de Braga a falar "sobre assuntos relacionados com o processo do saco azul".



Júlio Faria, antecessor de Fátima Felgueiras - na altura, presidente do F.C.Felgueiras -, não terá conseguido contrariar a tese do MP, que acredita que 12500 contos em cheque e 7500 em numerário, supostamente pagos pela Resin ao clube resultou de um retorno, proveniente da Associação de Municípios do Vale do Sousa e entregue a Horácio Costa. A defensora da Resin insistiu na tese de que nunca a empresa entregou tal numerário e que a quantia do cheque se reportava a um contrato de publicidade. Primeiro, o arguido disse que a Resin tinha pago os 20 mil; depois, a advogada disse que desconhecia quem terá dado os 7500 contos a Horácio.

sexta-feira, abril 13, 2007

Júlio Faria contradiz a versão de Fátima

"Sou pai e avô. Tenho uma boa folha de serviços à causa pública.É decepcionante acabar a minha carreira política desta forma", lamentou, ontem, Júlio Faria, antecessor de Fátima Felgueiras no cargo de presidente da Câmara Municial, no seu primeiro dia de interrogatório no tribunal que está a julgar o processo de "saco azul".
No interrogatório, o procurador Pinto Bronze esmiuçou pormenores que vieram a revelar contradições entre o depoimento de Faria e o da principal arguida, Fátima Felgueiras.
Horácio Costa e Joaquim de Freitas eram titulares de uma conta bancária, no BES, na campanha para as autárquicas de 1997 - a tal conta paralela do Partido Socialista que, alegadamente, era estaria relacionada com alegadas irregularidades na Câmara.
O MP, na tentativa de relacionar os arguidos Fátima e Júlio com o "saco azul", perguntou ao segundo se Horácio Costa, antes de ser vereador, era assessor municipal. Júlio respondeu que sim e que, por via dessa função, era chamado para tarefas partidárias, contradizendo, assim, Fátima Felgueiras. Porém, negou ter tido conhecimento da dita conta bancária. Mais à frente, o arguido disse que participou activamente na referida campanha eleitoral, ao contrário do depoimento da edil.
Júlio Faria confessou que o montante de mais de 32 mil contos, referente a uma indemnização ao proprietário do terreno da futura lixeira e pessoa ligada à Resin, foi "uma forma jurídica" para serem pagos futuros serviços à mesma empresa, que não tinha alvará.
O ex-autarca também admitiu ter sido baixado o preço da compra do terreno pela Câmara de 25 para 24 mil contos, "para não ter que ser ratificado pela Assembleia Municipal".