








Se o leitor um dia for a tribunal, disporá, para defender os seus interesses, das suas provas, documentais e testemunhais, e dos argumentos do seu advogado, a quem pagará para argumentar (ou tão-só esbracejar) a seu favor. Os argumentos do seu advogado são, pois, interessados e parciais, e ninguém o culpará se ele puxar a brasa à sua (de si, leitor, e dos seus, dele, honorários) sardinha e desdenhar das razões, justas que sejam, que não o favoreçam. Já se o leitor tiver dinheiro bastante, pode ir mais longe: pode comprar a imparcialidade e a independência de um "jurista ilustre" (sim, a imparcialidade e a independência também estão à venda) com títulos que lhe permitam falar "ex cathedra" e de voz suficientemente grossa para impressionar o juiz, supostamente timorato, e influenciá-lo a seu favor em alguma "questão técnica". É o chamado "parecer jurídico", expressão máxima, em Direito, do princípio medieval da autoridade.
O "parecer jurídico" é, na verdade, um testemunho pago, não sobre matéria de facto mas sobre matéria de Direito, e, independentemente do mérito técnico que tenha, está ferido, por ser pago e ser "ad hoc", de um fundamental demérito moral. Só que estamos a falar de "Justiça" (assim mesmo, com maiúscula) e não de moral, não é?





Cartoon, do blog "Pitecos"
Um movimento de cidadãos tem como intenção o desejo de intervenção cívica, mas sem apetência pelo poder político. As estruturas políticas têm como princípios orientadores políticas de direita ou de esquerda. A esquerda põe a dignidade do ser humano no centro de tudo. Para a direita o que está no centro é uma ideia de meritocracia. A direita valoriza o empreendorismo e a capacidade de procurar a excelência. Este movimento, MSP, valoriza o egoísmo, o centralismo e o egocentrismo, pois resultou da necessidade de criação de condições “legais” para contornar os impedimentos judiciais que pendiam na altura. Há um egocentrismo perigoso em democracia.
Ao transformar o MSP numa associação de cidadãos em defesa da intervenção cívica e política está a esboroar-se a oportunidade de em conjunto com os partidos políticos criar uma plataforma de entendimento e de parcerias onde o único beneficiado seria o concelho de Felgueiras. O que se pretende fazer é promover o abespinhamento, a intriga, a afronta aos partidos políticos, louvável seria proceder-se a uma catarse da política em Felgueiras pois só assim se pode com nobreza e dignidade perscrutar Felgueiras.
Análise do Diário de Felgueiras:
O editor do Diário de Felgueiras, José Carlos Pereira, é amigo pessoal do director e do subdirector do jornal Expresso de Felgueiras, Armindo Mendes e Miguel Carvalho, respectivamente, bem como é amigo pessoal de Inácio Lemos, autor do artigo de opinião que ora publicamos, que, segundo o seu signatário, terá sido censurado pela direcção do referido quinzenário.
Como tal, torna-se-nos muito doloroso tomar partido por uma das partes, pelo que, simplesmente, faremos o nosso comentário dentro dos parâmetros da mais elementar cordialidade, de forma a não colocarmos em risco a nossa amizade com quem, eventual e injustamente, se possa sentir ofendido pela franqueza da nossa opinião. Acima de tudo, compete-nos privilegiar a cultura democrática, que tanto tem andado arredada do nosso concelho, para infelicidade dos nossos vindouros.
Sinceramente, se é que o pretexto para a exclusão do artigo de opinião “A alegoria do mercado” se deveu à linguagem “agressiva” de Inácio Lemos, previnam-se os autores do pensamento e das artes, pois estamos em crer que todos os povos do mundo terão que banir da história da imprensa muitos dos seus textos de opinião e até de reportagem, a começar por Baptista Bastos – artilheiro das escritas –, o que seria, certamente, o espúrio acto de toda a civilização democrática, só possível, actualmente, na China, em Cuba, Coreia do Norte e afins.
Sem pretendermos meter “a foice em seara alheia”, podemos admitir que o máximo que o jornal poderia fazer era solicitar a substituição dos alegados termos agressivos, o que, mesmo assim afigurar-se-ia complicado no plano da ética democrática e da liberdade de expressão. Em todo o caso, na nossa humilde opinião, não há ofensas no texto, porque as alusões menos favoráveis, em termos de apreciação, visam um sujeito comum, que é o movimento Sempre Presente, uma entidade figurada. Quanto ao sujeito pessoal (o único do texto), ele é Fátima Felgueiras, a quem Inácio Lemos se refere nestes termos: “é uma mulher com preparação, inteligente, dinâmica, trabalhadora e séria, mas não me revejo na sua mundividência”.
Com efeito, pugnando pela nossa independência e imparcialidade neste incidente, e reiterando a amizade que nos une às partes envolvidas, consideramos que o Expresso de Felgueiras terá cometido um erro de apreciação, por excesso de zelo. Não ousamos suspeitar outra coisa… ~
O Diário Felgueiras não possui o monopólio da cultura democrática, mas não podia deixar de fazer este apontamento. Aliás, desde a primeira hora, a causa da nossa existência prende-se, essencialmente, com a defesa intransigente da liberdade de expressão, referida no nosso estatuto editorial.