segunda-feira, outubro 09, 2006

No chão do medo tombam os vencidos

Anna Politkovskaia,
assassinada a soldo do
poder instituído na Rússia

Tentaram calar uma voz, mas jamais o conseguirão!...


Os poderes instituídos na Rússia de Vladimir Putin, dita democrática e em crescente modelo ocidental, ordenaram o assassínio de Anna Politkovskaia, jornalista daquele país, premiada internacionalmente por denunciar a violação dos Direitos do Homem, perpretada contra civis no âmbito da guerra na Tchetchénia, como assassínios indiscriminados, prisões arbitrárias, espancamentos e torturas várias.


Desta forma, a Rússia de Vladimir Putin junta-se à França de François Mitterrand (o falecido presidente francês foi suspeito de ter ordenado a morte de um jornalista) e à Itália de Giullio Andreotti (ex-presidente da Itália, que foi condenado por ter, também, mandado matar um jornalista, que o envolvia no “caso Aldo Moro”, embora não esteja a cumprir pena, devido à sua idade avançada).


Quando estes casos acontecem em democracia tornam-se muito mais dramáticos, mais graves ainda, do que quando se verificam em regimes de ditadura, como, por exemplo, no Chile de Pinochet, em que, apesar das dificuldades, a contestação a estes bárbaros actos gozava de maior solidariedade entre as pessoas, que os denunciavam com maior veemência. Isto, para dizer que as actuais democracias, tais como as conhecemos, ainda não têm a cura total para a censura e perseguição, mormente política.

O DF não acredita que os autores materiais e morais do homicídio desta corajosa jornalista sejam algum dia julgados e, muito menos, condenados, porque estas acções criminosas, protegidas pelo aparelho de Estado, têm o alto patrocínio dos macabros mandantes, que já estamos a ver quem são, directa ou indirectamente.

Nesta hora, de exultação à liberdade de expressão, o DF dedica a Anna Politkovskaia "Vejam Bem" (clique aqui, para ouvir), poema e canção de Zeca Afonso, autor do verso que colocámos em epígrafe - "No chão do medo tombam os vencidos" (Vampiros).

"Porque os outros se calam mas tu não"

Anna Politkovskaia

PORQUE



Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.



Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.



Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.



Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, outubro 08, 2006

CAF soma e segue - ÁGUAS SANTAS - 0 / CAF - 3

O CAF - Clube Académico de Felgueiras, venceu, hoje, por 3-0, o Águas Santas (Maia), em casa deste.

Desta forma, o clube felgueirense continua a comandar a tabela classificativa da Série 2 do Campeonato da II Divisão da AF Porto, com 12 pontos, tendo já facturado 11 golos, contra zero sofridos.

Esta foi a quarta jornada do campeonato, onde o CAF ainda não conheceu nenhuma derrota ou empate.

No próximo domingo, vai disputar o Croca (Penafiel), em casa, mas não se sabe onde irá realizar o jogo, devido ao impasse criado com as movimentações de terra no Estádio Municipal Dr. Machado de Matos.

Gestão de aterro sanitário em debate

A Assembleia Municipal de Felgueiras vai reunir-se, amanhã, em sessão extraordinária, em cuja ordem de trabalhos constam seis pontos a serem debatidos e analisados pelas bancadas, onde os partidos da Oposição - PS e PSD - ao movimento "Sempre Presente" detêm a maioria parlamentar no hemiciclo.

Todos os pontos, por proposta do movimento que reelegeu Fátima Felgueiras deverão recolher a posição favorável de todas as forças partidárias.

Entre os seis assuntos, destaque-se a proposta no que diz respeito à empresa municipal que vai gerir o aterro sanitário de resíduos da indústria de calçado instalado na freguesia de Sendim.

Trata-se da EMAFEL - Empresa Pública Municipal de Ambiente em Felgueiras, recentemente aprovada em Assembleia Municipal, que agora irá tomar corpo, como empresa municipal, com investimentos de capitais maioritariamente públicos (51%).

sábado, outubro 07, 2006

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Humor inglês
Este cartoon foi por nós trabalhado
a partir da digitalização de uma foto,
em papel de jornal, do JN de hoje.

"Gosto de estragar os jogos de interesses"

Mário de Oliveira em 25 de Abril 1974,
na casa de seus pais, a ser entrevistado
pelo então jornalista do JN Aurélio Cunha
(o DF retirou esta foto do site do padre Mário)


JN, 07 de Outubro de 2006

Ficou na história, no início da década de 70, como "padre Mário da Lixa", graças à sua reiterada atitude, à frente da paróquia de Macieira da Lixa (Felgueiras), de denunciar, nas homilias, a guerra colonial, a ditadura e as injustiças.

Na altura acorriam à localidade multidões de pessoas de todo o país, em autocarros, só para ouvir Mário de Oliveira. A ousadia valeu-lhe duas prisões preventivas, em Caxias, de sete e 11 meses. Na Guiné-Bissau, fora expulso de capelão militar, por pregar a independência das ex-colónias. Por ironia do destino, caberia a D. António Ferreira Gomes, regressado a Portugal após o célebre exílio, exonerar o pároco, por imperativos do Estado Novo. A Igreja nunca mais nomeou para qualquer missão este padre "celibatário por opção, longe dos templos e dos altares".

Mário de Oliveira, hoje com 69 anos, recorda "D. António foi muito pressionado por colegas meus e pelo núncio apostólico, porque em causa estava a Concordata, que reconhecia plena liberdade aos párocos no exercício da sua pastoral e, como tal, o Tribunal Plenário acabava por me absolver. Não me podendo condenar, o Estado Novo terá imposto a D. António: 'Ou põe este indivíduo na ordem ou renunciamos à Concordata'". Em 1975, sem deixar o ministério presbiteral, Mário de Oliveira passou a exercer a profissão de jornalista, da qual está reformado, embora ainda dirija o jornal "Fraternizar", que difunde a Teologia da Libertação. "Aprofundei-a na cadeia, onde, na troca de ideias com os outros presos políticos, tomei conhecimento de autores marxistas, que não tinham sido dados no seminário", afirma.

Há dois anos, voltou a morar na Lixa, numa casinha alugada, com três divisões, muito humilde, "tal como Jesus de Nazaré". Manteve sempre uma Comunidade Cristã de Base e, neste âmbito teológico, acompanha "As Formigas de Macieira da Lixa", associação que tem projectado o Barracão da Cultura. Porque, segundo diz, as "pessoas não precisam de missas, mas de cultura. A componente social, para idosos e deficientes, também faz parte do projecto".

Autor de extensa obra teológica, desde 1970, o padre Mário publicou, em 1999, "Fátima, Nunca Mais", polémico livro que já vai na 11.ª edição. Continua a sustentar que "Fátima é uma montagem do clero da altura e da zona para tentar recuperar os privilégios que tinha perdido com a implantação da I República".

"Comporto-me na sociedade e na Igreja como um menino que está sempre a estragar os joguinhos de interesses", garante Mário de Oliveira. E conclui "Sou um homem que toma partido, mas não tem partido. A verdadeira democracia seria o 'governo do povo', o povo no poder. O que temos é um povo a votar em políticos profissionais, que, depois, se esquecem dele".

sexta-feira, outubro 06, 2006

CAF comanda tabela da Série 2 da II Divisão da AF Porto

O CAF - Clube Académico de Felgueiras, venceu, ontem, o Zezerense, por 3-0, em casa emprestada, no campo do Barrosas.
Este jogo, calendarizado para a primeira jornada do campeonato da Série 2 da II Divisão Distrital da AF Porto, acabou por realizar-se ontem, jogo em atraso devido ao estado do piso do Estádio Municipal Dr. Machado de Matos.
O CAF, à terceira jornada, chega ao comando da tabela classificativa, com 9 pontos - apenas vitórias, com 8 golos marcados e nehum sofrido.



Mensagem de Cavaco "é da extrema importância para os tribunais" - considera Maria José Morgado

Que comentário lhe merece o discurso do presidente da República sobre o combate à corrupção?
Esta foi uma mensagem inédita de extrema importância, para a sociedade, políticos e em especial para os tribunais.

Em especial para os tribunais...
Sim, interpreto esta mensagem em relação aos magistrados como um apelo para que consigamos melhores investigações, melhores decisões e melhores respostas. Esta mensagem contém ainda o princípio de que o combate à corrupção não é nem de Esquerda nem de Direita, que é matéria de interesse público. Esta mensagem, vinda do presidente da República, significa que o discurso sobre o combate à corrupção deixa de ser marginal para passar a ser oficial.

Tem havido progressos relativos a este combate?
Não me parece que tenha havido grandes progressos, quer por razões de quadro legal insuficiente quer pelos métodos de trabalho ao nível operacional. Deveria haver melhor coordenação das investigações, melhor coordenação entre o Ministério Público e as polícias, melhor coordenação internacional.

O que pensa das propostas de João Cravinho?
São boas, poderiam reforçar a detecção precoce. Concordo em acabar com a distinção entre corrupção por acto lícito ou ilícito. Corrupção é corrupção. O acesso a todos os documentos da Administração Pública reforçaria a transparência e tal até deveria ser incluído no Simplex.


quinta-feira, outubro 05, 2006

Que grande puxão de orelhas!...

Vídeos sobre o discurso de Cavaco Silva




Vídeo 2

Trabalhadores da Câmara reuniram na rua



Dezenas de funcionários da Câmara de Felgueiras afectos ao STAL (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local) convocados para um plenário sindical, tiveram que se reunir, ontem, na rua. O motivo, dizem responsáveis sindicais, o Executivo municipal, por despacho do vereador Bruno Carvalho, só autoriza plenários de trabalhadores nas instalações camarária em horário pós-laboral (17 horas) e no auditório da Biblioteca Municipal.

João Avelino, coordenador do STAL, disse, ao JN "A situação é inédita entre as autarquias do país e é uma violação à liberdade e direito sindicais, bem como aos direitos do Código Laboral e aos consagrados na Constituição. Segundo a lei, a entidade empregadora não pode recusar-se a ceder as instalações de trabalho dentro do horário laboral", disse,ao JM, o dirigente do STAL, João Avelino, acrescentando que foi "a segunda vez que reunimos na rua para debater e esclarecer os problemas que, actualmente, afligem os trabalhadores da Função Pública, como, por exemplo, a lei da mobilidade e do desempenho, a ADSE, carreira contributiva com vista à aposentação e o congelamento da progressão das carreiras".

"A Câmara de Felgueiras é a única do país que está a privar os seus trabalhadores de um direito constitucional. Desta forma, vamos levar este assunto às várias entidades do Estado e ire mos processar a autarquia junto do Tribunal Administrativo", rematou.

Bruno Carvalho, vereador responsável pelos Recursos Humanos, recusou prestar declarações sobre o assunto ao JN.











JN, de 05 de Outubro de 2006