quinta-feira, junho 08, 2006

Caminhada no deserto

A nova Comissão Política Concelhia do PS/Felgueiras, recentemente eleita e liderada por Eduardo Bragança, reúne-se hoje pela primeira vez, encontro em que deverá ser eleito o novo Secretariado.
Como se sabe, o PS foi poder em Felgueiras durante três décadas, tendo interrompido esse longo percurso nas últimas eleições autárquicas, que, diga-se com inteira justiça, decorreram em circunstâncias muito atípicas – marcadas pelo mediatismo, premeditado, de Fátima Felgueiras, que regressou a Portugal a escassas três semanas do acto eleitoral, e do movimento “Sempre Presente”, o que, de certa forma, constituiu algo de inédito em Portugal. É que, depois da fuga de Fátima Felgueiras para o Brasil, em Maio de 2003, a autarca tornou a cometer outra “fuga” dentro do próprio sistema político português, ao arranjar uma alternativa ao facto de não lhe ser possível concorrer pelo PS, que a expulsou e renega a sua participação na política através de candidaturas do partido.
Como se sabe também, José Campos, o independente que em Fevereiro de 2005 foi escolhido como o “candidato natural” do PS/Felgueiras às autárquicas de Outubro passado, numa eleição interna – entre militantes e autarcas do PS –, acabou por ser traído em todas as frentes do partido, excepto por parte da Distrital socialista, então liderada por Francisco Assis: a actuação do PS nacional, que deixou de prestar solidariedade à candidatura de Campos; a infausta presença de Almeida Santos, que contribuiu para o desastre eleitoral; a atitude da então Concelhia, que veio a retirar o apoio ao candidato; a posição dos candidatos do PS às Juntas de Freguesia, que, no dia do regresso de Fátima Felgueiras, pareciam samurais em desesperada busca na escolha de um chefe; e a atitude do eleitorado, que, face ao mediatismo lançado a três semanas das eleições, votaram no movimento “Sempre Presente”.
A nova Comissão Política do PS/Felgueiras diz que está “a arrumar a casa”. O concelho, de facto, sente essa necessidade; veremos até que grau de subjectividade, ou não, contém esta expressão.
O PS/Felgueiras, relegado para terceira força política no concelho, conseguirá reconquistar o seu espaço quanto mais a atitude de os novos dirigentes se pautar por uma gradual “separação das águas” em relação ao movimento “Sempre Presente”, missão que terá de ocorrer conforme os desígnios de cada “tempo útil” da evolução política local, ou seja sem grandes recuos, sem estagnação ou renovadas cumplicidades, mas, também, por outro lado, sem grandes rupturas. A recente expulsão dos militantes do PS/Felgueiras que integraram as listas do movimento “Sempre Presente” foi, inquestionavelmente, um desses “tempos úteis” em que o partido se reconstrói, se auto-define. Até à sua plena autonomia política.
Até lá, ainda faltam três anos e meio e um novo mandato da Concelhia. Se os socialistas locais concertarem esforços no sentido dessa identidade política de uma forma inteligente e coerente poderá vir a reocupar o poder em Felgueiras e poderá arrastar, mais tarde ou mais cedo, o PSD para necessidade de participar na “caminhada no deserto”, já que o partido laranja em Felgueiras, actualmente, começa a comportar-se como um “comboio a três velocidades”.
Sobre o PSD, voltaremos ao assunto.

Investigação (Cartoon, de José Paulo)

Mulher presidente da Câmara nomeia marido para chefe de gabinete

Os autarcas do PS do concelho das Lajes do Pico, contestaram a nomeação pela presidente da Câmara do seu marido para chefe de gabinete, mas Sara Santos assegurou que a escolha é “perfeitamente legal”.
Sara Santos confirmou a nomeação do seu marido que deverá receber a quantia de 35 mil euros anuais e salientou que esta escolha está dentro da legalidade, sendo totalmente da sua responsabilidade aquela nomeação.

terça-feira, junho 06, 2006

Felgueiras: um ponto de vista diferente!

Alberto Castro,
professor universitário

A caracterização da situação económica portuguesa é, normalmente, feita por recurso a um conjunto de indicadores, utilizados recorrentemente pela generalidade das organizações internacionais, o que permite, além do mais, uma comparação entre os diversos países. Mesmo o leitor sem formação económica já estará, hoje em dia, mais ou menos familiarizado com noções como importações, exportações, inflação e desemprego e terá uma ideia aproximada do que é o défice orçamental ou o saldo da balança comercial. E o que esses indicadores nos dizem é que a situação atravessa não é particularmente famosa, com as debilidades e os aspectos negativos a sobrelevarem os positivos e as potencialidades.
Tenho para mim, contudo, que são as estatísticas relativas à qualificação da mão-de-obra e, em particular, as que evidenciam o nível de escolaridade da população portuguesa que traçam o cenário mais dramático. Quando está em causa a evolução para a chamada "sociedade do conhecimento" perturba ver Portugal apresentar níveis terceiro-mundistas no que diz respeito a pessoas com, pelo menos, 9 anos de escolaridade e a abandono escolar. É certo que há saber de experiência feito e que, até por razões de auto-estima, se justifica avaliar e certificar esse tipo de competências, como o actual governo pretende fazer. Mas há saber de saber feito que condiciona todo o outro tipo de aprendizagem, quer em termos dos níveis de complexidade que é possível entender quer em termos do ritmo a que a apreensão de novos conhecimentos se processa. Ao ritmo a que vamos, é mais provável que dentro de 20 anos estejamos no grupo dos países em vias de subdesenvolvimento do que na cauda dos países desenvolvidos.
Como acontece em quase tudo, também aqui a situação do país está longe de ser homogénea. Há regiões que apresentam índices relativamente aceitáveis, enquanto outras têm níveis de escolaridade e qualificação da população absolutamente deprimentes. Entre estas últimas encontram-se vários concelhos da Região Norte como, por exemplo, Felgueiras. Quando a base de conhecimentos e competências são essas torna-se extremamente difícil conseguir escapar a modelos produtivos que não estejam assentes em baixos salários. O facto de os empresários também terem, eles próprios, baixíssimos níveis de educação só agrava o problema, tornando-os pouco sensíveis e aptos a lidar com a sofisticação dos modelos de negócio para que seria desejável evoluir.
Como seria de prever são estas as regiões mais vulneráveis à intensificação da concorrência internacional proveniente de países de mão-de-obra barata. Confrontados com o encerramento de unidades produtivas e o aumento do desemprego, os trabalhadores tornam-se presa fácil de mercadores (não justificam o nome de empresários) que aproveitam essa debilidade e a ausência de perspectivas para perpetuarem, muitas das vezes no limiar da legalidade, o modelo económico dos baixos salários. O caso trazido para as primeiras páginas pela reportagem do "Expresso" é, a todos os títulos, ilustrativo do que se acabou de caracterizar. A histeria politicamente correcta sobre a penosidade do trabalho infantil que existiria neste caso apenas contribui para que não se olhe para o cerne do problema. Em vez de pôr a ênfase na dimensão legal que, obviamente, existe (desde os pais que trabalham estando com subsídio de desemprego, até ao excesso de horas que os jovens trabalhariam, passando pela sua exploração por intermediários sem escrúpulos) e na paranóia fiscalizadora/assistencialista que se limita a adiar o problema, parece-me mais útil procurar soluções que envolvam a sociedade civil e que, do lado do Estado, assentem em incentivos mais do que na repressão. Estou a pensar na responsabilidade social das empresas. Viu-se como actuou, de imediato, a Inditex. E por que não haver um pacto, de conteúdo semelhante, por parte das associações empresariais portuguesas? Certamente teria um impacto positivo na imagem do país (conviria, nesse caso, mandar a notícia a Jack Welch…). Estou a pensar num modelo de ensino que faça a ponte com a estreiteza de visão de quem tem uma escolaridade reduzida e no aprofundamento dos contratos com as famílias que lhes assegure o rendimento de que carecem, por contrapartida do aproveitamento escolar dos menores. Estou a pensar na identificação das instituições da sociedade civil a quem a gestão deste processo pudesse ser confiada. Estou a pensar na possibilidade, como o Governo agora propôs para os funcionários públicos, de se poder acumular uma parte do subsídio de desemprego com rendimentos do trabalho, o que premiava quem diligenciasse para encontrar emprego e diminuiria a concorrência desleal das empresas que recorrem à economia paralela. Estou a pensar, enfim, em soluções que pensassem para a frente e não se limitassem a projectar uma lógica de pensamento único, de matriz urbana, sobre problemas, sociedades e espaços que pouco têm a ver com essas referências. Voltarei ao assunto.

"A Meu Ver"


A pedido do Instituto Português de Fotografia divulgamos a sesuinte notícia:
"(...) Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."
Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos"
O jornalista Carlos Pinto Coelho será o nosso próximo convidado que no dia 7 de Junho (quarta-feira), pelas 21,30 horas, virá até ao Instituto Português de Fotografia - Porto apresentar-nos o seu último livro:

"A Meu Ver"
Editado pela ASA, com prefácio de Gérard Castello-Lopes e direcção gráfica de Armando Alves, este livro contém dezenas de fotografias que o prestigiado jornalista fez em países da Europa, África, Ásia e Américas. Essas fotografias foram vistas e seleccionadas por grandes nomes da cultura de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, que escreveram textos inéditos para as imagens da sua preferência. Assim se juntaram poetas e ficcionistas, realizadores de cinema, jornalistas, artistas plásticos, políticos, fotógrafos, actores e cartoonistas, O resultado é um surpreendente e cativante cruzamento de criações literárias e artísticas.

José Campos deve regressar, ou não?

Dentro de poucos dias expira o prazo da suspensão de José Campos enquanto vereador municipal, procedimento que requereu logo após a sua tomada de posse no cargo.
Que faria o caro leitor se se encontrasse, a nível político, na situação em que se encontra, politicamente, José Campos? “Pegaria” no único lugar de vereação do PS, ou não?
O DIÁRIO DE FELGUEIRAS deixa o assunto para análise dos leitores.
Mande a sua opinião para o seguinte e-mail:

segunda-feira, junho 05, 2006

P.e Nuno Serras Pereira publica "O Triunfo da Vida"

A pedido da DIEL-Editores e Livreiros, Lda, divulgamos a seguinte notícia:
"No dia 1 de Junho foi lançado o novo livro do Pe. Nuno Serras Pereira no Auditório do ISLA, em Lisboa, tendo sido apresentado por Pedro Vassalo perante inúmera assistência. A obra intitula-se "O Triunfo da Vida".
Fernando Castro aproveitou a oportunidade para tecer algumas considerações sobre as novas leis que atingem as famílias e a necessidade de coordenar as várias políticas nesta área, sublinhando que as até agora prosseguidas pelo Estado não poderão atingir os objectivos dum aumento significativo da natalidade, sendo o aborto um combate a continuar bem como a lei da PMA, por serem contra a dignidade humana.A DIEL - Editores e Livreiros, Lda, tem agora ao seu dispôr alguns exemplares desta obra, da editora CRUCIFIXUS, que vai começar a distribuir na revenda".
Site da DIEL - http://www.dielnet.com
Recorde-se que o P.e Nuno Serras Pereira esteve no centro da polémica há cerca de um ano, quando publicou anúncios em jornais nacionais a informar que recusar-se-ia dar a comunhão aos católicos que publicamente defendessem a legalização do aborto e usassem métodos contraceptivos não aprovados pela Igreja Católica.
O DIÁRIO DE FELGUEIRAS entende dar esta notícia porque uma das suas apostas é promover o debate de ideias, neste caso sobre aspectos doutrinários religiosos.

Editorial

Infelizmente, acaba de encerrar em Felgueiras mais uma unidade fabril do sector do calçado, que empregava 140 trabalhadores.
Em conversa com um sindicalista, este desabafou comigo o seguinte: “É lamentável que os autarcas e partidos de Felgueiras não tivessem estado presentes junto dos trabalhadores, nesta hora tão difícil, para demonstrarem a sua solidariedade e para tentarem encontrar as indispensáveis soluções para o flagelo do desemprego, que ameaça aumentar neste concelho”.
Eduardo Bragança, líder da Concelhia do PS, disse-me que uma delegação de socialistas locais esteve reunida, hoje, com os trabalhadores, à porta da fábrica, mostrando a sua preocupação quanto à situação dramática vivida.
No que à Câmara Municipal diz respeito, nenhum representante do poder político manifestou qualquer sentimento pela sorte daqueles 140 trabalhadores – homens e mulheres amargurados quanto ao futuro (incerto) das suas vidas profissionais. Mas, aquando da campanha eleitoral para as autárquicas de Outubro, o movimento “Sempre Presente” deslocou-se ao interior daquela firma e lá se desdobrou em abraços e beijinhos.
Estes “pequenos” pormenores demonstram bem que a maioria da classe política em Portugal não imagina sequer o palco que ocupa. Não tem consciência social.
Há meses, um vereador local em início de carreira política disse, na Longra, que desconhecia que aquela vila tinha uma sala de espectáculos. O facto de um autarca municipal não saber que uma povoação tem uma sala de espectáculos como a da Casa do Povo da Longa, não obstante nela ter decorrido uma parte importante da história da cultura felgueirense (de muitos décadas), não é impeditivo de possuir boas e nobres ideias políticas para o concelho. Porém, e poderá não ser o caso do tal vereador, tal demonstra que a classe política portuguesa não conhece bem o “planeta” em que habita.
Indo mais longe, a nossa classe política necessita fazer “formação contínua” quanto às atribuições e competências que lhe são confiadas pelo voto popular, mais no que diz respeito às grandes questões sociais das populações.
Sem dúvida que o neo-realismo, como corrente artística que foi, não obstante ter estado ao serviço da propaganda do comunismo pró-soviético, hoje, seria de primordial importância nos manuais de aprendizagem daqueles que em Portugal aspiram a ocupar o poder político, sob pena de, não o fazendo, virem a ser apelidados de “aprendizes de feiticeiro”.

sábado, junho 03, 2006

Acta da primeira reunião

ACTA DA PRIMEIRA REUNIÃO DOS BLOGERS DE FELGUEIRAS

Estava agendada para o dia três do mês de Junho do ano dois mil e seis, pelas nove horas e trinta minutos, no Café BC, sito na Rua Agostinho Ribeiro, na cidade de Felgueiras, a primeira reunião dos blogers de Felgueiras.
Ao encontro compareceram apenas três autores de blogues: Armando Esse (AE), responsável do blogue “A Fábrica”, José Carlos Pereira (JCP), do “Diário de Felgueiras”, e Sérgio Martins (SM), do “Felgueiras 2005”. Entre os faltosos, Inácio Lemos, de “A Rosa”, Hélder Quintela e Paulo da Cunha Ribeiro, colaboradores do “Felgueiras 2005”, justificaram as faltas.
Todos os participantes chegaram atrasados ao encontro, inclusive o primeiro: JCP chegou pelas nove horas e trinta e cinco minutos; SM pelas nove horas e cinquenta minutos; e AE pelas dez horas.
Na reunião foram abordados vários e importantes assuntos, excepto sobre a vida alheia. Primeiramente, falou-se do impacto que os blogues têm na comunidade felgueirense, principalmente ao nível da informação e do debate de ideias. Os presentes frisaram que os blogues de Felgueiras são a única janela plenamente livre no nosso concelho. Concordou-se, por unanimidade, que outros encontros deverão realizar-se, se possível, alargados a todos os responsáveis e participantes em blogues de Felgueiras decentes e não anónimos, no sentido de, num futuro breve, serem realizados fóruns, conferências e debates sobre assuntos que directamente dizem respeito ao nosso concelho. Mais ficou acordado que os cidadãos com cargos políticos e partidários não irão fazer parte dos nossos projectos.
Sobre o que mais foi dito nesta reunião daremos conhecimento aos participantes da próxima reunião, a agendar oportunamente.
E mais não havendo nada a tratar, a reunião foi encerrada pelas onze horas e trinta e quatro minutos, tendo sido aprovada a minuta (verbal) da respectiva acta por unanimidade. Eu, JCP, fiquei incumbido de a redigir e assinar.

José Carlos Pereira

Que pergunta inconveniente!!!

"Há alguém do Ministério Público que dê a cara (e o nome) pelo que escreve na blogosfera?" - Esta é a pergunta nada inocente e muito inconveniente feita no blogue "Glória Fácil" e citada pela prestigiada Câmara Cooperativa.