quarta-feira, maio 10, 2006

Fotos de Júlio Carvalho


Alegados favorecimentos a Fátima

Reconhecimento público

Uma das virtudes dos homens livres e honestos consiste no gesto de reconhecerem até que ponto um pequeno desentendimento pode representar um mero debate civilizado e não um “tanque público” de lavagem de “roupa suja”.
José Carlos Pereira (JCP), autor do DIÁRIO DE FELGUEIRAS, teve, há dias, um pequeno desentendimento com o seu colega Sérgio Martins, responsável pela equipa de colaboradores do “Felgueiras 2005”. Não obstante o referido desentendimento – que não foi factor de qualquer inimizade, a nível institucional ou pessoal – tem de reconhecer a nobreza do gesto cometido por Sérgio Martins, ao retirar do seu blogue um calunioso comentário em relação à pessoa de JCP e ao dar conhecimento pessoal do texto difamatório à pessoa visada. Comentário esse assinado por um cobarde anónimo.
A diferença entre nós – JCP e Sérgio Martins – e o dito cobarde está no facto de os dois primeiros darem a cara, defendendo com frontalidade as suas ideias e a eventual diferença em relação à opinião dos outros, e o terceiro refugiar-se no anonimato.
Foi com este método – de cartas anónimas – que, ao longo dos anos, se difamaram, em Felgueiras, magistrados, sindicalistas, políticos e funcionários públicos. Felizmente que a Internet, grande alcance para o desenvolvimento da Humanidade, tornou-se um meio poderoso para a democratização das sociedades.
O DIÁRIO DE FELGUEIRAS sabe muito bem de onde vêm esses métodos caluniosos – quem as faz tem tanto de mestre que não consegue disfarçar o seu estilo linguístico, tosco. O JCP não se sente nada incomodado com o comentário, a partir desse tal “escritório de maledicência” - como semre; apenas vem registar a atitude digna de Sérgio Martins.

terça-feira, maio 09, 2006

Coluna social, da revista "CARAS"

Fátima e Narciso - amigos como antes...
A revista "CARAS", deste mês, dá conta do encontro de Fátima Felgueiras com Narciso Miranda, num cabeleireiro de Matosinhos.
É óbvio que não vamos reproduzir aqui o texto integral da coluna social, a não ser as duas fotos e a seguinte frase de Fátima Felgueiras: "Sou vaidosa q.b. O ser cuidada e gostar de me sentir bem é uma virtude, mas sou extremamente prática".
São estilos de vida!...

segunda-feira, maio 08, 2006

Chapéus há muitos! (II)

Meu caro senhor
Sérgio Martins:
Antecipadamente, desde já, queira aceitar os meus respeitosos cumprimentos.
Não estranhe por só hoje responder ao post que no sábado colocou no seu blogue, intitulado ""Sérgios" há muitos, mas..." . Só hoje o pude fazer, devido a compromissos particulares e inadiáveis.
Não é meu hábito alimentar polémicas deste género , ao contrário do senhor, que insiste em querer manter comigo uma quezília desnecessária e desprovida de qualquer razão de ser, para desgosto dos que acreditam que a exposição de ideias é um valor democrático e cultural, e para gosto de alguns, que veêm no uso da liberdade de expressão uma desonra a certos poderes instalados.
Tal como frisei no meu post anterior, prezo uma boa diplomacia institucional entre o meu e o seu blogue, não obstante, a nível pessoal, nunca nos ter sido proporcionada a oportunidade para aprofundarmos a nossa relação. Como é costume dizer-se, conhecemo-nos apenas de “vista”, embora já tivêssemos trocado cumprimentos. Em todo o caso, valorizo a pessoa do senhor pela participação, exposição e debate de ideias, de que Felgueiras ainda tanto carece. Louvo-o por isso. Devo reconhecer que o senhor, no seu blogue, presta um bom serviço à Democracia em Felgueiras, pois aborda assuntos deveras importantes para o concelho que alguns – entre os quais, há os que lhe são politicamente próximos e estão em melhor posição política e social para o fazer – evitam abordar, para não terem problemas com os poderes que se julgam absolutos. Contudo, não pode menosprezar o modesto valor da intervenção pública de outras pessoas, como no meu caso – autor do blogue DIÁRIO DE FELGUEIRAS. Digo modesto valor, porque nunca quis assumir o papel elitista de mestre ou de educador cívico.
O senhor Sérgio Martins tem de ter a humildade bastante para reconhcer que errou – errar é humano –, ao reagir como está a reagir na sequência do cartoon colocado pelo DIÁRIO DE FELGUEIRAS intitulado “Bancarrota”, principalmente agora – neste seu segundo post. Devo-lhe confessar que me desgostou o seu gesto, não porque ficasse particular ou moralmente beliscado com isso, mas porque verifico que o senhor já começa a correr o sério risco de perder qualidades, ou seja, de desbaratar o serviço de interesse público que o seu blogue ainda representa para todos os felgueirenses de boa vontade. Neste seu segundo post, entre alguns argumentos factuais, que até poderei aceitar, privilegiou a atitude menos feliz de fazer juízos de intenções em relação à minha pessoa, principalmente ao dizer: “O senhor tem o hábito da peserguição, de que é perseguido e que está tudo contra si. Não neste caso, e muito menos da minha pessoa. Razão terá, que a tem, em relação a outros”.
A primeira oração da primeira frase, gramaticalmente, é ambígua, pois não sei se entre as palavras “perseguição” e “ de que”, pretende colocar dois pontos ou travessão ou, ainda, colocar parêntesis entre “de que” e o final da frase, para que a segunda oração reforce a ideia da primeira, ou vice-versa. Se pretende colocar efectivamente a vírgula, para que a primeira oração seja lida em forma de elipse, o caso é mais grave e configura crime por ofensa caluniosa.
Quem fala em perseguição é o senhor Sérgio Martins! O senhor não me conhece o suficiente para falar assim dessa maneira. Eu não disse e nem sequer insinuei que o teor do seu primeiro post tinha qualquer intenção persecutória. Não, senhor. Ao contrário do que diz, eu não tenho a mania da perseguição, nem acho que todos estão contra mim. O seu partido – o PSD – reconhece que, de facto, sou perseguido e ajudou a denunciar o caso. Até o Paulo Ribeiro, meu bom amigo, referiu isso no “Felgueiras 2005”. Mas com que raio vem agora o senhor Martins com esse paleio?
Se eu não conhecesse bem Felgueiras pensaria que o senhor está a tomar presunção e água benta em demasia, mas reconheço que o seu primeiro post não é, de forma alguma, um gesto egocêntrico, de ingenuidade ou de perseguição ao autor do DIÁRIO DE FELGUEIRAS. Não. Não, senhor. Trata-se, isso sim, de uma inequívoca demonstração de susto e de pavor.
Já que o senhor enveredou pela atitude de ajuizar as minhas intenções e fazer comentários sem nexo algum, devo dizer, se é frontalidade que me pede, que o senhor anda, de facto, muito aborrecido, porque um ilustre advogado da nossa praça, com influência política no meio, deixou de cumprimentar o senhor, há cerca de meio ano para cá, por ser o autor do blogue “Felgueiras 2005”, onde, muito natural e civilizadamente, sem ofender quem quer que seja, tem uma equipa de colaboradores que expõe ideias e provoca o debate desejável. Soube isso ontem por um seu companheiro de partido, onde o senhor desabafou o incidente. Há dias, o senhor Martins passou por essa ilustre figura, disse-lhe “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”, e o homem não lhe respondeu.
Ora bem, meu caro. Coração ao alto! Agora não há volta a dar-lhe. Fugir para trás ou para os lados é um acto suicida. Não faça disso um drama, nem faça nada, porque, quase sempre, a “emenda é pior que o soneto”. E, no mesmo sentido, não queira, o senhor, que seja eu a pagar-lhe as favas, melhor dizendo, não me escolha como alvo ou instrumento – qual bode expiatório – para conseguir uma reconciliação com o dito ilustre, apontando-me, a mim, as espingardas. O senhor, no seu desconfotável estado de espírito, pode tentar todos os meios e feitios para lhe agradar – até lhe pode descobrir o caminho marítimo para a Lua –, mas o certo é que as pessoas que não respeitam outras apenas pelo simples facto de usarem a liberdade de expressão, mais tarde ou mais cedo, tentarão fazer estragos às suas potenciais vítimas. Quem usar ter opiniões que lhes desagradam, uma única vez que seja, passará a ser considerado, no vocabulário deles, “canalha” toda a vida. Pode até, um dia, tornar a cumprimentá-lo, mas, na primeira oportunidade, pode crer, meu caro Sérgio, espeta-lhe a “facada” por trás. É melhor que não o cumprimente; assim o senhor fica mais alerta, pois já sabe o que dele pode esperar: tudo, menos coisa boa.
Como vê, senhor Martins, falou em perseguição; aí tem, e não da minha parte. É este o preço pelo uso da liberdade de expressão em Felgueiras. No início, românticos ou ingénuos, pensámos que dar opinião é participar e construir uma sociedade melhor; depois, vemos como se torna difícil e cada vez mais penoso suportar a pena que reproduz as nossas ideias, as nossas preocupações, os nossos sonhos e projectos. Porque “eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida”. Aqui há tempos, o senhor Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, apelava à participação dos cidadãos na vida política portuguesa. Tão romântico ou ingénuo é D. José como nós somos, ao acreditar que é assim tão puro o nosso regime democrático. Vivemos, de facto, em Democracia, mas ainda não vivemos a Democaria. E em Felgueiras é aquilo que se vê: uma dura e cruel realidade para quem usa pensar.
Mas é por acreditar na Democracia que aqui estou, consigo – estamos, de mãos dadas – neste “entretimento”, que é contribuir para a exposição de ideias, ajudando a provocar o debate político e democrático em Felgueiras. Não estamos aqui para emitir desabafos ou arrufos de estado de espírito, pois não?
Da minha parte, senhor Sérgio Martins, pode contar comigo – para a solidariedade que vier a precisar, ou seja, para o que “der e vier”. Sem pretender fazer o papel de mestre ou de libertador, reafirmo a minha solidariedade. De resto, vá contando consigo mesmo e com poucos mais... Mas eu, mais uma vez lhe digo, estarei consigo e ajudá-lo-ei no que for necessário nesta sua bonita atitude de comunicar, informar, debater, enfim, contribuir para a democratização e transparência dos procedimentos públicos, pois, como deverá concordar comigo, a maturidade de um regime democrático e de Direito não se recebe; conquista-se no quotidiano de todos nós.
Do fundo do coração, não lhe desejo o mal pelo que estou a passar, mas, infelizmente, isto, em Felgueiras, toca a todos. Não é verdade?
Sem mais nada, aceite o convite de boa fraternidade entre ambos e reitero os cumprimentos formulados.
JCP

PS. – Esta “polémica”, levantada pelo senhor Sérgio Martins, termina aqui. Não responderei a outros eventuais posts sobre o assunto em epígrafe.

sábado, maio 06, 2006

Chapéus há muitos!

O nosso respeitado colega Sérgio Martins, autor do blogue "Felgueiras 2005", no seu post Atenção!, informa, muito assustado, os seus leitores de que não é o autor do cartoon Bancarrota, publicado pelo DIÁRIO DE FELGUEIRAS e assinado por outro Sérgio, nosso leitor.
Não vamos comentar o gesto, para uma boa diplomacia institucional, dizendo apenas que a explicação dada não tem qualquer fundamento, não tem razão de ser, tanto mais que o "nosso" Sérgio já assinou outros cartoons. E como dizia o Vasco, "chapéus há muitos"!
Por outro lado, nunca atribuímos a autoria das mensagens a quem quer que seja. Com todos os erros e defeitos que possamos ter, sempre primámos pela frontalidade. Aliás, o autor do DF assume a responsabilidade do teor publicado.
Mais grave, porém, foi o tom prosódico que Sérgio Martins colocou na palavra "Atenção!", dando a impressão de estarmos perante um crime. A inteligência não está em quem fez o cartoon, mas em quem o interpreta. Quem tomar as dores pelo seu teor está a reconhecer a criatividade do autor.
Sejamos inteligentes!

sexta-feira, maio 05, 2006

O cinema e a Justiça

Festival de Cinema no Porto – 5 de Maio a 1 de Junho de 2006

A Associação Jurídica do Porto (AJP) vai promover, entre hoje, dia 5, e 1 de Junho, um festival de cinema de forma a permitir e potenciar a discussão pública do conteúdo de filmes com especial relevância social e jurídica. A iniciativa visa proporcionar aos seus intervenientes vários olhares cruzados sobre temas que dizem respeito a todas as pessoas , independentemente da sua ligação ao direito. Nessa medida o modelo passa pela escolha de filmes com reconhecida valia cinematográfica, que depois irão ser analisados num pequeno texto (entre 15 a 20 páginas) por quatro especialistas de áreas distintas: um cinéfilo, um jurista, e dois especialistas de ciências sociais relacionadas com essa temática. Esses textos serão posteriormente publicados em livro, editado pela Coimbra Editora, intitulado “A Justiça no Cinema”, antecedidos de uma sinopse do argumento, ficha técnica do filme e cópia do respectivo cartaz.
Assim, a AJP tem a honra de convidar V. Exa. para assistir aos filmes e para participar no debate das questões associadas.
A exibição dos filmes terá lugar, na Sala Bebé do Cinema Batalha, sempre às 19h30, com intervalo p/ jantar no local e será seguida de um debate pelas 22h00, com os convidados e aberto à intervenção do público.

Programa:

05Maio06 - Vontade Indómita
Debate: Guilherme Figueiredo (cinéfilo) Vasco Morais Soares (arquitecto); Ricardo Pimenta (arquitecto), Manuel Pina (Jornalista)
11Maio06 - Match Point
Debate: Paula Faria (Professora universitária), Roma Torres (Psiquiatra), Almeida Pereira (Procurador da República) Gil Carvalho (coordenador PJ), Jorge Velhote (escritor)
18Maio06 - Mar Adentro
Debate: Luísa Neto (professora universitária); Lauro António (cineasta); Bento Amaral (enólogo); Laurinda Alves (jornalista); Padre Vasco (companhia de Jesus), Daniel Serrão (médico e professor universitário).
25Maio06 - O Júri
Debate: Cristina Xavier da Fonseca (magistrada judicial) Cristina Queirós (professora universitária), Teixeira Lopes (sociólogo), José Carlos Oliveira (cineasta)
1Junho06 - Relatório Minoritário
Debate: José Meirinhos (filósofo); Carlos Melo Ferreira (professor); Mouraz Lopes (magistrado judicial), Maia da Costa (Procurador Geral Adjunto)
Mais se informa que os bilhetes se encontram à venda no local, sendo:

- Geral = 3 euros
- Associados da AJP e do Cineclube do Porto e estudantes = 2 euros

Para qualquer esclarecimento adicional p.f. contacte: Tel. 220 159 476

Bancarrota (cartoon de Sérgio)

terça-feira, maio 02, 2006

Excerto do romance "Senhora do Santo Oculto" - Capítulo XXV

Tal como já noticiámos, há um felgueirense que tem escrito um romance de cariz político, intitulado "Senhora do Santo Oculto".
Convencemos o autor a deixar-nos publicar um "cheirinho" da obra.
Assim, trazemos à estampa o XXV capítulo.
O magistrado sossegou-os. Dedilhava as pontas do bigode, num gesto contínuo, que era um tique desde que o seu avô – um abastado lavrador da aldeia – deixou de amanhar as terras, devido a doença reumática. Afonso era um homem da última década do século XIX e tornara-se um incondicional seguidor do Estado Novo; sabia ler e escrever, tinha alguns conhecimentos de cultura geral, mas vivia condicionado à aldeia, da qual fora, anos a fio, seu regedor.
O magistrado, agora com cinquenta e oito anos, tinha bebido, de facto, do seu avô paterno a altivez do poder sobre os outros homens em nome da estabilidade do Estado e da ordem política nele instituída. E prosseguiu a conversa, naquela tarde sombria de Dezembro, espraiado que estava na sua cadeira de descanso, colocada na sala da biblioteca particular do solar, construído pelo seu bisavô Antero, que era casado com Etelvina, filha mais velha de D. António da Mata, homem dos mais abastados recursos da aldeia vizinha. O magistrado sentia-se tão familiarizado com aquele casal – Evita e Manuel –, que recebera em sua casa duas horas antes e ainda a conversa ia a meio do que havia por dizer (ou por esclarecer). Disse então o magistrado:
- Pertencemos à Ordem do Santo Oculto, para alguma coisa é! Não é verdade? O processo foi adiado tantas vezes as que foram necessárias; foi dessa maneira que te conseguimos segurar na presidência da Junta de Freguesia. Caso contrário, hoje estaríamos pessoal e politicamente destruídos.
- E até quando irá prolongar-se esta patifaria? – interrompeu Manuel.
- Feliz ou infelizmente, por muitos e muitos anos?
- O quê?! – Evita ficou estupefacta não só com a afirmação do magistrado, mas também com o seu natural à-vontade.
- O objectivo da Ordem do Santo Oculto não é esse. A Comunicação Social badalou demais o assunto e até se auto-plagiou, para levar ao rubro a investigação policial – ia explicando o magistrado, em palavras muito cuidadas mas seguras.
- Ora, ora… - interrompeu, mais uma vez, Manuel – Um patife manda uma carta anónima à Procuradoria ou à Polícia a acusar, sem qualquer fundamento, um cidadão que o povo elegeu para seu governante, depois envia uma cópia a um jornalista e já temos o chamado jornalismo de investigação. E vós, magistrados, deixais passar uns e outros completamente impunes.
- O problema, meu caro Manuel, é que os patifes, aqui, somos nós.
- Hum!… Hum!… - murmurou o casal, em uníssono.
- Sim. Tu, Evita, nesta década e meia de exercício dos sucessivos cargos políticos, foste, sempre, procurando as câmaras de televisão e as fotografias para os jornais. Quando assim é, a Comunicação Social cobra alto o preço pelo aluguer do seu palco. Repara, por exemplo, no que se passou com Lady Spencer – a Princesa do Povo. Quanto às fontes de informação, tenho que reconhecer que sabem interpretar a minha regra de vida. Uma vida de cor cinzenta, esta, a de ser magistrado. O que nos alegra – a nós juízes – é o segredo de Justiça, com o qual até nos é permitido jogar xadrez, que é o jeito metafórico de dizer que pomos e dispomos conforme a nossa disposição, ou seja, só condenamos quem achamos que deve ser condenado. Por isso, entre mim e os patifes, que são as fontes de informação, não há diferença alguma, porque eu sei quando devo ser juiz e quando devo ser patife. E tu, minha cara Evita, num certo sentido semelhante, entre ti e um jornalista, também, não há diferença alguma, porque tu sabes quando deves ser uma mulher política e quando deves ser paparazzi de ti mesma. Portanto, estamos todos – políticos, polícias, magistrados e jornalistas – metidos no mesmo saco: nesta realidade, que é a democracia, que vai sobrevivendo de contrastes. Se assim não fosse, não existiria, ou fossemos nós tão românticos ao ponto de queremos uma outra democracia – popular, por exemplo -, mas, para isso, casos como o teu corriam o risco de serem julgados no ágora da cidade. E o povo, esse coitado, nem sempre sabe como decidir: se pela pena capital ou se por uma aclamada absolvição.
- O povo elegeu-a sempre, contra ventos e marés; isso demonstra a honestidade do seu trabalho - regozijou-se Manuel.
- Ah!... Ah!... – riu-se o magistrado -
Mas nós não estamos numa democracia popular, nem queremos isso. O trabalho que a Ordem do Santo Oculto tem de proceder é a de refazer, mas de maneira diferente, a defesa de Evita. E não é com festas e com procissõezinhas que ides lá, meus amigos. O meu trabalho, como presidente da Ordem, é a de que este caso não venha a fazer jurisprudência no país.
- E quais as consequências, se tal acontecer? – perguntou Evita, embasbacada.
- É a utilização daquilo a que podemos designar “bomba atómica” – respondeu friamente o magistrado.
- Bomba atómica??! – gritaram Evita e Manuel.
- Sim. Quero dizer que se aqueles a quem vós chamais patifes vieram a provar que, em determinada altura dos crimes de que és acusada, houve ligações de altas figuras do Estado ao caso da Junta de Freguesia, isso de maneira alguma será bom para ti, Evita.
- Eles terão coragem para tal? – questionou, felinamente, Evita.
- Se essas figuras do Estado quiserem, sim – era impressionante a frieza do magistrado.
- O quê?! Se essas figuras quiserem?!... – o casal não parava de se surpreender.
- Sim. Neste momento, e foi por isso que precipitaram o teu regresso, já devem saber que tu tens a tua própria “bomba atómica”, com certeza, politicamente muito mais pesada do que a deles. Mas a bomba que possuis só produziria efeitos nefastos para o inimigo se tu não tivesses regressado ao campo de batalha. Ora, se lançarem primeiro a deles, a tua, mesmo sendo mais pesada, perde a novidade do estrondo. E a história que contares não passará da história da carochinha em banda desenhada – explicou pausadamente o magistrado.
- Queres dizer que toda esta patifaria que fizeram a Evita não vai ter um final feliz? – indignou-se Manuel.
- É provável que tenha. E torno a dizer: pertencemos à Ordem do Santo Oculto, para alguma coisa é! Mas não estou em condições para garantir seja o que for – concluiu o magistrado.

segunda-feira, maio 01, 2006

Arte sacra


A Junta de Freguesia de Gondar, Amarante, vai organizar de 6 de Maio a 30 de Junho a primeira edição da Mostra Artesanal de Arte Religiosa.
O certame vai decorrer no mosteiro daquela freguesia, onde serão expostas várias peças em barro de arte religiosa, a maioria desenvolvidas no curso de formação profissional de olaria e figurado, realizado na Escola do Oleiro, em Gondar. No interior do mosteiro haverá oleiros a trabalhar o barro, exibindo uma das mais conhecidas formas de artesanato do concelho de Amarante.
O presidente da Junta, António Teixeira, explica que esta iniciativa tem dois objectivos essenciais, destacando a importância que terá como forma de promoção de uma das mais importantes tradições de Gondar - barro negro. Note-se que esta freguesia é um dos dois grandes pólos de barro negro existentes no país.
O segundo grande objectivo é a divulgação da localidade, em especial o mosteiro, um monumento do românico tardio dos séculos XIV / XV, cuja traça arquitectónica, como destaca António Teixeira, se enquadra no cariz desta mostra de arte religiosa.
A exposição, que contará com animação musical, sobretudo todos os sábados à noite, vai estar aberta ao público todos os dias e a entrada é gratuita.